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Poder, Governo, Informação I

10 Janeiro Escrito por  Pedro Pinho Lido 948 vezes

pedro-pinho O Poder manda, o Governo executa, a Informação ilude

O Poder


O Poder não é um princípio imaterial. Quando alguém se refere ao poder do comunismo, deverá estar se referindo a um Estado, a um partido ou a uma liderança que seja capaz de conduzir alguém para o sistema comunista.

Mas também não pode ser tão vago que deixe dúvida. Que comunismo? O das populações primitivas? O de missões de jesuítas na América do Sul? O materialismo dialético de Marx-Engels?

Ao afirmar que o poder que nos pressiona e conduz, atualmente, é o poder do sistema financeiro internacional (banca), devo definir os objetivos e os agentes deste poder. Se não o conseguir, terá sido uma afirmação vã, como o comunismo que ameaça o Brasil.

Comecemos por definir os objetivos da banca.

Como sabem meus esclarecidos leitores, as fontes de rendas são diversas. Há aquelas decorrentes do trabalho, que denominamos salários e direitos autorais; as obtidas de propriedades imobiliárias, os alugueis; as cobradas pelos Estados, os tributos; as resultantes das atividades industriais, comerciais, de serviços, os lucros, e outras.

A banca pretende e age para que todas estas rendas sejam canalizadas para o sistema financeiro.

Como faz isso?

Pela dívida. A dívida, como já pude detalhar em artigos anteriores, é a principal arma para conquista do poder pela banca. E ela consegue inúmeros adeptos, na grande maioria absolutamente ingênuos, sem saber o quanto estão perdendo de usufruir vida melhor pelas ações da banca. Exemplo: o vendedor que lhe procura convencer a pagar a prazo, o que você pode pagar a vista, pois você ficará com mais dinheiro para outras despesas.

E para construir a dívida, inclusive dos Estados, a banca usa e abusa da corrupção. Pode-se afirmar, sem receio ou erro, que a grande corrupção, a propagação dos ilícitos, nessa nossa existência, deve-se primordialmente à banca.

Outro objetivo da banca é promover a permanente concentração de renda. É objetivo autofágico.

Agora sabemos o nome do poder, como age e quais seus objetivos.

Há outro dado importante: a vinculação da banca com atos ilícitos.

Quando Margaret Thatcher e Ronald Reagan (governos), agindo por instruções da banca, promoveram as desregulações no sistema financeiro, colocaram os ganhos ilícitos - tráfico de drogas, de órgãos humanos e de pessoas, contrabando de armas, caixas 2 e outras ações políticas e corruptas - em instituições da banca. Uma pesquisa sobre movimentações financeiras de fonte não identificada, na década 1990/99, leva-nos a concluir que o aporte dos ilícitos à banca foi da ordem de US$ 4 trilhões. Podemos acrescentar que as atividades ilícitas e a banca atuam em comunhão de interesses.

Vejamos, agora, quem é a banca.

A concentração de renda e a contínua especulação com os valores financeiros dificultam a hierarquização da banca por seus patrimônios.

Há vinte e cinco/trinta anos seria um pouco mais fácil, pois a banca era composta pelas trilionárias famílias, como os Windsor britânicos, os Orange holandeses, os Rothschild judaicos etc. Hoje, ou melhor, a partir deste século XXI, são empresas que administram os fundos, formados não só por estas famílias como por trabalhadores e todos que imaginam ser possível, no modelo da banca, melhorar suas condições de vida.

O chamado mercado nada mais é do que o enorme cassino onde a banca faz suas apostas. Quanto mais apostadores, maior a probabilidade da banca se apoderar das poupanças alheias. É por esta razão que a banca promove campanhas de privatizações, a extinção de previdências públicas, para só as ter privadas, colocar nas pessoas medo de um futuro fora do “mercado”, restringir orçamentos públicos com “tetos”, “austeridades”, “limites de gastos”, exceto para os gastos com juros e encargos financeiros.

Não há, fora da teoria, qualquer competitividade. Pois a banca está em todos os conselhos de todas as empresas. E as pessoas que pertencem a famílias ricas ou de classe média confortável podem ter professores, tempo para frequentar ambientes culturais, dinheiro para viajar e levam enorme vantagem sobre os que precisam trabalhar e estudar simultaneamente. Os pobres aprovados em concursos de avaliação cognitiva são minorias ínfimas, quando acontece haver algum.

Em relação a competição entre empresas, a Presidente Dilma ofereceu um caso notável, reportado pelo jornalista Luis Nassif, em artigo de setembro de 2014, “Como Dilma conseguiu perder o apoio da indústria”. Ao qual respondi, no mesmo GGN, de Nassif, em 03/08/2018, com “Assim é (se lhe parece)”, de onde transcrevo:

“A FIAT tem como seus cinco maiores acionistas:
1 – Exor NV (empresa italiana de investimentos);
2 – Baillie Gifford & Co.;
3 – Harris Associates LP;
4 – Blackrock; e
5 – The Vanguard Group.

A VOLKSWAGEN tem como cinco maiores acionistas:
1 – Qatar Investment Authority;
2 – The Vanguard Group;
3 – Causeway Capital Management;
4 – Amundi Asset Management; e
5 – Blackrock.

A GENERAL MOTORS tem como cinco maiores acionistas:
1 – The Vanguard Group;
2 – Blackrock;
3 – Harris Associates;
4 – State Street Corporation; e
5 – Berkshire Hathaway.

A FORD tem como cinco maiores acionistas:
1 – The Vanguard Group;
2 – Blackrock;
3 – Newport Trust;
4 – Street State Global Advisors Funds Management; e
5 – Wellington Management.

A RENAULT é empresa de economia mista. Aqui diríamos que é uma estatal. Dois acionistas, o Governo da França e a Nissan Motor, tem, cada um, 15% das ações. O terceiro maior acionista é a própria Renault que com o fundo de seus empregados possuem 4,20% do capital da companhia. Mas é curioso saber que The Vanguard Group e Blackrock também compartilham ações da Renault”.

Inúmeros outros exemplos poderia oferecer a meus caros leitores. Mas prefiro apresentar os principais membros da banca, conforme pesquisa por mim realizada, neste mundo maravilhoso das comunicações virtuais.

Há diversos sites que, como apontaria Chacrinha, “vieram para confundir e não para explicar”. Havendo interesse, recomendo que busquem as composições acionárias das empresas negociadas em bolsa, destacando seus proprietários institucionais.

Meus dados são do início de dezembro de 2018. Diferentes dos que coletei em agosto do mesmo ano. Este fato comprova minhas afirmativas sobre a autofagia da banca e sobre o cassino que é o “mercado”.

Empresas, com mais de um trilhão de dólares em aplicações, que controlam não só as economias internacionais e nacionais, mas as empresas de comunicação de massa, da indústria cultural e muitos governos sejam de países desenvolvidos ou colonizados:
BlackRock, a maior, com cerca de US$ 8 trilhões (apenas para ter o significado deste valor, o Produto Interno Bruto do Brasil, para o ano findo, está avaliado em US$ 2,2 trilhões, o dos Estados Unidos da América (EUA) possivelmente superior a US$ 20 trilhões).

Seguem o Vanguard Group com mais de US$ 6 trilhões, a Charles Schwab com US$ 4 trilhões, o JP Morgan com mais de US$ 3 trilhões, o State Street Global Advisors, que teve um ano ruim, com US$ 3 trilhões, o Fidelity, também com perdas, mas se mantém próximo aos US$ 3 trilhões. A estes seis grandes, elencamos, com mais do que US$ 1 trilhão: Allianz, BNY Mellon, Wellington e Amundi. Também podemos considerar membros de destaque da banca: o BNP Paribas, o Santander, o Bank of America e o Goldman Sachs.

Certamente meu arguto leitor está sentindo a ausência de empresas/investidores asiáticos. Há, obviamente, explicações.

A Ásia adotou modelos diferentes de economia. No Japão é o Estado que orienta os megaconglomerados, cujos bancos agem como verdadeiras tesourarias e arrecadadores e investidores. Há 50 anos, aproximadamente, não era assim. Mas os Governos japoneses tiveram a sabedoria de não entrar no cassino (“mercado”). Isto mantém uma economia equilibrada que atende, com sua escassez de recursos naturais, o País e sua população.

A China está voltada para seu desenvolvimento. Seus bancos financiam suas empresas que procuram, como qualquer país colonizador, comprar e vender, tendo nesse colonialismo mercantilista seus recursos em divisas. Nunca esquecer que a China precisa alimentar 20% da população da Terra.

O sudeste asiático vem sendo castigado pelas políticas da banca e dos interesses geoestratégicos estadunidenses. O mesmo acontece com a Índia, que não pode promover um processo de capitalização nacional capaz de a impulsionar seu desenvolvimento para novo patamar.

Ficamos assim, Atlântico Norte e Atlântico Sul sujeitos ao jogo e à corrupção da banca.

Nos próximos artigos trataremos do Governo e da Informação.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Última modificação em Quinta, 10 Janeiro 2019 15:48
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