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Do poço ao posto Ipiranga

23 Novembro Escrito por  Alex Prado Lido 1090 vezes

alexCom a descoberta do pré-sal, em 2006, a Petrobrás parecia fadada a se tornar uma das maiores petroleiras do mundo,

e cumprir o objetivo de sua criação: garantir o suprimento energético necessário ao desenvolvimento e à soberania nacional.

Combatida desde então, a Petrobrás conseguiu calar os adversários, transformando-se na maior empresa brasileira. E as reservas do pré-sal deram à estatal a perspectiva real de enfrentar as maiores concorrentes de igual para igual.

Em tempo recorde, a Petrobrás começou a extrair óleo do pré-sal, apenas sete anos depois da descoberta. Com um investimento maciço, ancorado em empréstimos possíveis graças a um novo marco regulatório - a Lei da Partilha -, que garantia à Petrobras a condição de operadora única do pré-sal, com participação mínima de 30% em qualquer contrato, e associado ao domínio de uma tecnologia de ponta.

Contudo, em 2014, a empresa se viu envolvida por um escândalo de corrupção que mereceria algumas manchetes nas imprensa, prisões de culpados e a reformulação do mecanismos de controle. Porém, a Operação Lava a Jato, desencadeada pela Procuradoria Geral da República, não se limitou a isto. Os inimigos de sempre da Petrobrás transformaram o crime do qual a empresa foi vítima no "maior escândalo de corrupção do país". Apontavam suas armas contra o Partido do Trabalhadores, mas queriam minar a Petrobrás.

Daí, criou-se o "mito da Petrobrás quebrada", de uma empresa ineficiente e corrupta. Até seus funcionários mais simples, aqueles que usam o uniforme cor de abóbora, que trabalham nas refinarias e nas plataformas de exploração, eram chamados de "ladrões". Enquanto isto, os executivos engravatados e nomeados politicamente, flagrados na corrupção, faziam as chamadas delações premiadas, reduziam sua penas e preservavam o patrimônio obtido com o crime.

O Congresso Nacional deu o tiro de misericórdia no PT, afastando a presidente Dilma Roussef, entronizando Michael Temer. Então, numa velocidade ímpar, aprova uma lei, retirando da Petrobrás o direito de ser a operadora única do pré-sal. O novo presidente da empresa, Pedro Parente, inicia o processo de privatização fatiada da estatal, com a venda de ativos importantes, como o gasoduto do Nordeste e de parte do campo de Carcará, no pré-sal.

Mesmo assim, a produção no pré-sal já responde por mais de 50% da produção da Petrobrás e a um custo próximo ao petróleo mais barato do mundo, encontrado na Arábia Saudita, perto de US$ 15 por barril.

Eleito por representar o novo, o governo Bolsnonaro pretende manter a política entreguista defendida pelos inimigos da Petrobrás. Prometeu a governadores eleitos acelerar a aprovação da lei que entrega o excedente da cessão onerosa, comprada pela Petrobrás, às multinacionais. O indicado para assumir a presidência da empresa, em sua primeira entrevista, já avisou que pretende manter a venda de ativos, citando especificamente a BR Distribuidora.

Contrariando o pensamento do presidente da petrolífera francesa Total, que quer a sua empresa presente do poço ao posto, o que demonstra a importância de uma empresa petrolífera estar presente em todos os segmentos de energia, o novo governo brasileiro prefere o slogan publicitário que "grudou" no chamado superministro, Paulo Guedes, reduzindo a história, a importância e relevância da Petrobrás ao posto Ipiranga.

Alex Prado é jornalista

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