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PNG Petrobrás 2019/2023: falta muita transparência

06 Dezembro Escrito por  Cláudio Oliveira Lido 4286 vezes

A Petrobras apresentou nesta quarta-feira (05/12) seu Plano de Negócios e Gestão para o período 2019/2023.


A meu ver este novo plano segue as diretrizes estabelecidas por Pedro Parente nos planos anteriores: PNG 2017/2021 e PNG 2018/2022.

Na época chamei a atenção para a queda na Geração Operacional de Caixa apresentada de maneira inexplicável entre os dois planos. No PNG 2017/2021 foi apresentada uma Geração Operacional de Caixa de US$ 158 bilhões (pós-pagamento de dividendos) que caiu para US$ 142 no PNG 2018/2022 (também pós-dividendos).

Na realidade, a Geração Operacional de Caixa deveria ter aumentado pelo menos uns US$ 9 bilhões, pois o ano de 2017 fora substituído pelo ano de 2022, com muito maior produção e consequente elevação na Geração de Caixa. Na ocasião escrevi o artigo que copio o link a seguir:

http://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/2007-png-2018-2022-da-petrobras-sumiu-com-us-25-bilhoes-da-geracao-de-caixa

No plano agora apresentado (PNG 2019/2023) a Geração Operacional de Caixa sofre nova queda, agora para US$ 114,2 bilhões (vide Fontes e Usos) com a observação “pós-dividendos, impostos e contingências”.

Ora, na verdade a Geração Operacional de Caixa deveria novamente ter sido aumenta em pelo menos mais US$ 9 bilhões. É bom lembrar que grande parte do aumento de produção no período vem da região de cessão onerosa, onde a companhia é isenta do pagamento de participações especiais. Portanto, o crescimento da Geração de caixa deveria ser bem maior.

Além disso, as oscilações do brent e do câmbio projetadas nos diversos planos são muito semelhantes, não podendo servir de justificativa para variações relevantes.

Comparando com o PNG 2017/2021, o plano atual deveria apresentar uma Geração Operacional de Caixa de pelo menos US$ 176 bilhões ( 158 + 9 + 9 ). Portanto, uma diferença de US$ 61,8 bilhões (176-114,2).

Por incrível que possa parecer, nenhum comentário é feito sobre o assunto. Nenhuma explicação é apresentada.

Afinal, quanto de pagamento de dividendos está previsto para o período? Que contingências são estas? Estão provisionadas?

Com a nomeação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras em 2016, que recebeu “carta branca” de Michel Temer, a companhia passou a ser estruturada para atender o mercado de capitais.

Entenda-se aqui como “mercado de capitais” a um conjunto de fundos de investimentos internacionais, conhecidos também como “abutres” dos quais destacamos os seguintes: Black Rock, Vanguard, Franklin, Norges etc.
Estes fundos são o braço atuante do sistema financeiro internacional, que nosso colega Pedro Pinho denomina de “Banca” . Vide artigo :

http://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/2437-o-comunismo-chegou-ao-brasil

Os “abutres” tem investido dezenas de trilhões de dólares em diversas áreas da economia mundial como montadoras, siderúrgicas, bancos, etc, e evidentemente também nas áreas de petróleo e gás. Na Europa estudos estão sendo feitos para avaliar o efeito desta ingerência na livre concorrência.

Para os “abutres” as empresas devem focar e maximizar sua capacidade de distribuir dividendos, mesmo que isto venha a comprometer sua própria existência.

É bom lembrar que no mercado de capitais o período de um mês é considerado como sendo “Longo Prazo”. Os negócios são feitos em períodos de horas e dias. Se uma empresa não tem comportamento adequado aos objetivos almejados, as ações são vendidas e transferidas para outros negócios.

Atendendo estes princípios a Exxon em 2016, quando teve um lucro de US$ 7 bilhões, distribuiu US$ 14 bilhões em dividendos. A Chevron, que neste mesmo período teve um prejuízo de US$ 500 milhões, distribuiu US$ 8 bilhões em dividendos.
Acreditem vocês ou não, estas empresas captam empréstimos para pagar dividendos.

Uma das primeiras providências de Pedro Parente ao assumir foi mudar o perfil dos membros do Conselho de Administração da empresa. Colocou pessoas vindas de empresas controladas pelos “abutres” ou com fortes ligações com os mercados de capitais. Ali ninguém pensa na Petrobras e no Brasil, muito menos no principal acionista da companhia, o povo brasileiro.

A Petrobras que tem um enorme projeto a ser desenvolvido (pre-sal) teve seus investimentos reduzidos ao mínimo para sobrevivência (US$ 15/17 bilhões ano) com a mentirosa justificativa da imperiosa necessidade de redução de sua dívida.
É tudo que os “abutres” mais queriam. Grandes petroleiras controladas por eles vão assumindo e se tornando operadoras do pré-sal. Com isto os abutres sabem que vão receber retornos (dividendos) muito maiores e mais rapidamente do que se a Petrobras fosse a operadora, sabendo-se que os incentivos concedidos no Brasil são superiores até aos de paraísos fiscais.

Ativos como o da NTS que tem um retorno mínimo de 20% ao ano, são vendidos para reduzir uma dívida que custa 6% ao ano.

Que lógica é esta? Ora esta é a lógica dos “abutres” pois faz sobrar recursos para pagar dividendos já. E a empresa? A empresa não interessa, pois outros assumirão os negócios e os abutres vão estar com eles.

Procedendo nesta linha a Petrobras vai ver seu valor de mercado sempre ascendente, até que ela passe a não representar mais nada e caia no esquecimento geral.

Neste cenário podemos concluir o seguinte:

a) Se o valor das ações da Petrobras estiverem subindo no mercado de capitais é porque a Petrobras e o Brasil estão perdendo;

b) Se o valor das ações da Petrobras estiverem caindo no mercado de capitais é porque a Petrobras e o Brasil estão ganhando.

A atual direção da Petrobras nunca se mostrou disposta discutir abertamente as politicas adotadas na empresa.

Tanto Pedro Parente, como seu substituto Ivan Monteiro, só aceitaram discussões em ambientes previamente selecionados com interlocutores cordeiros.

Convocado para se apresentar na CPI da Petrobras na Alerj, Pedro Parente tratou de obter uma liminar para não comparecer. Ele sabia que não teria respostas adequadas para o processo de destruição da empresa posto em andamento.

Ainda nesta semana (04/11), audiência pública da câmara dos deputados, realizada para discutir as vendas das refinarias , sentiram a frustação da falta de comparecimento dos representantes da direção da Petrobras, que haviam sido devidamente convidados. Na realidade eles sabem que os números da empresa provam contra eles mesmos.

Cláudio da Costa Oliveira
Economista da Petrobras aposentado

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