Imprimir esta pg
0
0
0
s2sdefault

Pioram os sintomas de republiqueta de banana

04 Janeiro Escrito por  Roberto Pereira D’Araujo Lido 856 vezes

face-homem Na republiqueta culpa-se o estado e perdoa-se o capital privado

Nós sabemos privatizar?Ao nascer do ano 2019, o mundo do “mercado” está esfuziante. O discurso de posse do Dr. Paulo Guedes reafirmou o que a entidade mercado esperava. O mundo do mercado acionário é assim mesmo. Bastam algumas frases para que rios de dinheiro corram atrás de imaginários ganhos.

Entretanto, surpreendente foi sua afirmação sobre o gasto de “um plano Marshall por ano” para transferir renda aos “rentistas”. É preciso reconhecer que, pelo menos no discurso, ele incluiu as grandes empresas que funcionaram durante muito tempo sob os favores do estado. “Piratas privados” foi o termo usado para denunciar “criaturas do pântano político que se associaram contra o povo brasileiro”. É preciso distinguir que esse diagnóstico é perfeito.

Então qual é problema?

Duas principais reformas foram anunciadas: Previdência e privatização.

Nessa última, figura como principal protagonista a Eletrobrás. A imprensa, que sempre foi favorável a venda, apoia o discurso do próprio presidente da empresa, que alardeia que, finalmente, o povo brasileiro ficará livre dessa fonte de “ineficiência”.

Primeiro, me dirijo aos que apoiam a venda da Eletrobrás. Por favor, respondam a essas perguntas:

Imagine o valor que ela atingiria se não tivesse sido obrigada a adquirir empresas distribuidoras que não interessaram ao mercado. A pergunta é: Onde estava a pujança do capital privado para enfrentar os desafios? Empresas deficitárias por pertencerem a estados com grandes complexidades ficam com a Eletrobrás? Lucrativas com o privado? Essa “ineficiência” nasce onde? Dentro da estatal?

Imagine o valor que ela atingiria se não tivesse sido obrigada a fornecer energia quase gratuita ao mercado livre no período pós racionamento (informe-se). A pergunta é: Será que o “sucesso” desse nicho que hoje representa 30% do consumo total não é devido a essa “ineficiência” imposta à Eletrobrás?

Imagine o valor que ela atingiria se não tivesse sido obrigada a fazer sociedades com o setor privado para viabilizar  empreendimentos que, mesmo com os subsídios dos empréstimos BNDES, ainda exigiam uma estatal para dar uma “ajudinha”.

Onde estava o comprometimento com a expansão da oferta de energia das empresas privadas que estavam se “lambuzando” de energia barata no mercado livre? Quantas usinas contratou?

Imagine o valor que ela atingiria se não tivesse sido obrigada a tentar reduzir tarifas sem incomodar o setor privado. Lembrando, o privado já é majoritário no setor? Perante toda a sociedade e perante todos os especialistas, assistiu-se passivamente à destruição de uma estatal que, da noite para o dia, perdeu 70% de sua cotação. Um setor majoritariamente privado, com um regime mercantil aprovado por todos os empresários, só elevou os preços do kWh. Nem com a “ineficiência” forçada da Eletrobrás consegue reduzir tarifas?

Imagine o valor que ela atingiria se não tivesse feito investimentos de ampliação de rede nas distribuidoras que foi obrigada a assumir. Na CEPISA (Piauí) por exemplo, esses investimentos superam os compromissos firmados pelo grupo Equatorial que adquiriu a concessão. Isso também é ineficiência?

Finalmente, imagine o valor que ela atingiria se não tivesse perdido toda a sua expertise técnica comprovada pela sua própria história que, infelizmente, a republiqueta parece ter esquecido? Mesmo com índices de empregado por MW instalado menores do que as grandes empresas internacionais, a estatal incentivou o desligamento de funcionários, não importando seu conhecimento técnico.

Infelizmente, na atmosfera de republiqueta, não se consegue contestar desinformações. Na republiqueta é fácil destruir instituições que ruem com a mesma naturalidade do palácio do Monroe. Na republiqueta não interessa a história. Na republiqueta culpa-se o estado e perdoa-se o capital privado. Na republiqueta as diversas parcelas da sociedade não se reconhecem como responsáveis pelo enredo dessa tragédia brasileira. Na republiqueta o individualismo supera o conceito de público.

O Ilumina fez o que pode.

Fonte: Ilumina

Última modificação em Sexta, 04 Janeiro 2019 18:19
Avalie este item
(6 votes)
0
0
0
s2sdefault
Veja algumas métricas do portal.
Subscribe to this RSS feed