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Brasil: futuro no passado?

08 Janeiro Escrito por  Pedro Pinho Lido 781 vezes

pedro-pinhoHá quase um século o Brasil foi sacudido por duas forças: dos tenentes e da elite intelectual,

reunida em São Paulo. Da última tivemos a Semana de Arte Moderna que nos trouxe as mais novas manifestações estrangeiras, mas incentivou o nacionalismo artístico, inclusive sob a forma do antropofagismo de Oswald de Andrade, ressuscitado no Tropicalismo dos anos 1960.

Mas ambos movimentos foram se perdendo no tempo. Nem nos revelamos, salvo em sempre honrosas exceções, fundadores de movimentos artísticos genuinamente brasileiros, nem conseguimos construir uma estrutura nacional de poder. Permanecemos eterna colônia.

Mas com nova situação que considero mais grave. Se fomos colônia de outros Estados Nacionais, agora somos colônia de um sibilino sistema: a banca ou o sistema financeiro internacional ou, ainda, da nova ordem mundial (sic).
Mais perigosa do que uma ideologia, que tanto assustou, em passado recente, a sociedade brasileira. Pois a ideologia procurava o convencimento ou impor-se pela força. A banca toma-nos pela fraude, pela astúcia e pela mais desregrada corrupção.

Quando Tomé de Souza desembarcou na Bahia (1549), 1º Governador-Geral do Brasil, trouxe na bagagem as instituições com que fundaria esta colônia: defesa, justiça e fazenda. Nem uma única abertura para a assimilação dos nacionais, ou para a produção com recursos aqui existentes, ou para qualquer tipo de progresso. A fazenda cuidaria das rendas mercantis e da apropriação de ganhos porventura produzidos.

A banca administra o Brasil, ininterruptamente, desde 1990, e já aparelhou boa parte das instituições: as mesmas justiça e fazenda que nos trouxe Tomé de Souza. E a consequência visível está no desmantelamento do sistema produtivo, no desemprego, na corrupção por toda parte, e na consequente insegurança.

O que esperar para 2019?

Um governo que poderá concluir seu período festejando o novo e soberano Brasil, exatos 100 anos da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana e da Semana de Arte Moderna? Ou um triste Brasil, colonizado, recuando ao modelo agrarioexportador dependente, vivendo das sobras das especulações estrangeiras com o câmbio e com o preço das commodities: agrícolas, de energias e minerais?

As possibilidades se abrem.

Manter a estrutura atual, afastando algumas moscas para que outras pousem; prosseguindo o desmonte do Estado com a alienação dos bancos de fomento e comerciais, das empresas de energia e do sistema integrado de petróleo, e com o que restou da produção nacional. Ou, como na proposta dos tenentes de 1922, 1924, 1925 a 1927: refundando o Estado Nacional Brasileiro. Assumindo sem medo e sem mácula as funções que cabem ao Estado e foram sempre usadas para a construção das grandes potências: Estados Unidos da América, Rússia, e hoje a China. Pois foi e é com o Estado, seus investimentos, sua estrutura adequada às nações, desenvolvendo tecnologias, que foram e ainda são construídos estes países. Nenhum “mercado” construiu qualquer nação, mesmo as de menor territórios e populações. Imaginem este imenso Brasil!


Pedro Augusto Pinho

Última modificação em Terça, 08 Janeiro 2019 15:55
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