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Pellegrino: "Bolsonaro segue a passos largos agenda lesa-pátria de Temer"

13 Junho Lido 1816 vezes

Estamos vivendo a reedição da doutrina Monroe: 'América para os americanos... do Norte'

Em entrevista ao AEPET Direto, o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás, deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA), classificou como "crime de lesa-pátria" a entrega de subsidiárias da petroleira, como a Transportadora Associada de Gás (TAG). Pellegrino lembrou que a Petrobrás deve ser vista como uma empresa fornecedora de energia, tanto que, em passado recente, investiu em biodiesel e outras fontes alternativas. "Energia é algo estratégico em qualquer país do mundo", pondera.

O deputado baiano observou que o setor de petróleo, especificamente, é operado por empresas muito grandes e em número reduzido, daí a necessidade de operar de forma integrada (verticalizada). "Costuma-se usar a expressão 'do poço ao posto' para definir a verticalização, ou seja, extração, refino e a distribuição, onde se faz a propaganda da marca, algo fundamental para concorrer nesse mercado. Lamentavelmente, Bolsonaro, acompanhando o governo Temer, vem liderando um processo que está alijando a Petrobrás dessa prerrogativa".

Pellegrino pondera que a Lei de Partilha entende a riqueza do pré-sal como sendo um bem da União e determinou a constituição de um fundo social, para que a população fosse diretamente beneficiada com os lucros gerados. Para tanto, ele avalia que o Estado deve ser o gestor dessa riqueza. "Com o pré-sal, o Brasil precisa pensar e agir como grande produtor, ou seja, empresa e governo devem regular a produção em favor da nação. Em países como a Rússia e alguns do Oriente Médio, o monopólio da produção é usado como arma de defesa."

Para o presidente da Frente em Defesa da Petrobrás, que já conta com 210 deputados e 42 senadores, inclusive da base do governo, Temer não conseguiu acabar com o regime de partilha, mas retomou o desmonte da Petrobrás, iniciado com Collor e FHC. "Temer permitiu que empresas privadas possam participar do pré-sal sem a Petrobrás. A empresa também tem devolvido e não participado dos leilões de blocos importantes. Significa que as multinacionais estão controlando o processo. Deu também prosseguimento ao fatiamento da empresa, para facilitar sua privatização", disse, acrescentando que Bolsonaro segue a agenda de Temer, que na verdade é a agenda das multinacionais.

"Elas querem o pré-sal, os gasodutos, a petroquímica, as refinarias, deixando a Petrobras restrita à extração de petróleo. Um crime de lesa-pátria. Quando o pré-sal foi descoberto, foi instaurado o regime de partilha, que previa regras de incentivo ao conteúdo nacional. Havia a possibilidade de criação de 4 milhões de empregos diretos e indiretos. Acabaram com o conteúdo local e fizeram uma emenda abrindo mão de R$ 1 trilhão em receitas", criticou. Para o parlamentar, Temer e Bolsonaro estão destruindo a cadeia de fornecedores, tanto na industria quanto setor de serviços.

Tio Sam agradece

"Acrescente-se a isso a política de preços. Hoje é mais vantagem importar combustíveis, beneficiando principalmente os EUA. A Petrobrás que estava comprando refinarias lá, agora está vendendo aqui. Como consequência, o Brasil perderá poder na gestão de seus interesses", disse, citando como exemplo a última greve dos camioneiros. "O social tem a ver com o estratégico, do contrário, a empresa estatal não se justifica. O resultado dessa absurda política de preços é que as pessoas mais humildes estão voltando a cozinhar com lenha. E perdemos poder para administrar o preços e estimular a cadeia produtiva".

Lembrando que, além de petróleo e gás, o Brasil é forte nos setores ligados ao agronegócio, aeronáutico e construção civil, o deputado deu dimensão do "estrago" provocado pela dupla Temer-Bolsonaro. "Toda uma cadeia produtiva estratégica para desenvolvimento, geração de renda e promoção de políticas sociais sestá sendo desmontada. A Petrobrás tinha convênios com várias universidades. Reinvestiu em tecnologia e criou excelência reconhecia no mundo todo. Estamos abrindo mão da soberania e do futuro, num processo de recolonização. A reedição da doutrina Monroe, 'América para os americanos... do Norte' ", resumiu, elogiando os trabalhos técnicos produzidos pela AEPET .

"A AEPET é fundamental, estratégica. Muitos dos dados que apresento para sensibilizar a sociedade e os deputados foram colhidos da produção da AEPET", disse.

Última modificação em Quinta, 13 Junho 2019 23:36
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