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Alta traição na diretoria da Petrobrás

27 Agosto Escrito por  José Carlos de Assis Lido 1092 vezes

Jose Carlos de Assis Depois de décadas e décadas de avanços, o presidiário Temer liquidou com a CLT

 

DESAFIOS DOS CAMINHONEIROS

Muitos caminhoneiros votaram em Bolsonaro para Presidente. As razões foram muitas. Contudo, passado meio ano do novo governo, eles só receberam migalhas. Se o importante para eles é preço do diesel, disponibilidade de carga e tabela de preço mínimo, estão em maus lençóis. Bolsonaro provavelmente faria concessões nesse sentido, mas Paulo Guedes, o czar da Economia a quem o presidente deu força total na área, não vai deixar. Isso iria ferir sua seita neoliberal.

Manipular o preço do diesel, da gasolina e do gás faz parte da estratégia de Guedes. No comando indireto da Petrobrás, ele está determinado a vender as refinarias para grupos estrangeiros. Sem licitação. Uma vez vendidas as refinarias, os novos donos vão botar os preços onde quiserem, tudo em nome do livre mercado.

A REFORMA DA ESCRAVIZAÇÃO

Depois de décadas e décadas de avanços na legislação trabalhista - em praticamente todos os governos, desde Getúlio Vargas, e incluindo o governo militar -, o presidiário Michel Temer liquidou com a CLT. Em certos aspectos, como o trabalho intermitente, regredimos ao regime da escravidão. Mas em todos os aspectos a situação piorou para os trabalhadores. E tudo se fez em nome da criação de empregos. Mentiras. O desemprego aumentou, são hoje mais de 13 milhões. E a qualidade do emprego piorou consideravelmente.

Pretende-se liquidar com o esquema contributivo de financiamento dos sindicatos e centrais como forma de esmagar a capacidade de conscientização e mobilização dos trabalhadores em sua luta por melhores condições de vida. Nos Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, o governo, nos anos da Grande Depressão, estimulou os sindicatos como forma de melhorar os salários para aumentar o consumo, e daí para favorecer o investimento e o próprio emprego. Aqui o Governo faz o contrário. Nem para estimular o lucro capitalista sadio ele presta.

A elite dirigente brasileira, cúmplice da classe dominante, tem sido incapaz de promover um grande pacto nacional pelo desenvolvimento e pela retomada do emprego. Agora ela se tornou inteiramente prisioneira da seita neoliberal, que surge como uma ideologia de dominação absoluta da sociedade, numa aliança fascista com os ricos. É claro que isso acabará mal, pois o que se tem em vista é a incompatibilidade entre a miséria crescente na sociedade e a acumulação de renda e de poder na outra ponta, fomentando reações violentas.

A Constituição, no artigo 170, estabelece como princípio a busca do pleno emprego.

O que acontece hoje, quando o governo simplesmente nada faz contra o desemprego e inventa desculpas para nada fazer, é uma violação da Constituição, da cidadania e da democracia.

Está em marcha o plano criminoso de retalhamento da Petrobrás e entrega de suas partes mais lucrativas a aventureiros internacionais. A pilhagem da empresa começou pelos gasodutos, filé extremamente lucrativo para o setor privado. Mas o grosso do filé são as refinarias. A direção atual da Petrobrás não tem nenhum escrúpulo em dar os monopólios territoriais das refinarias às petrolíferas estrangeiras, embora falando cinicamente em promover o mercado. Na verdade, isso é alta traição.

O petróleo e seus derivados são bens estratégicos. São como os nervos da economia e da sociedade. O Brasil teve o privilégio de encontrar muito petróleo no pré-sal em volume suficiente para atender suas necessidades de auto-suficiência por décadas. Com esse petróleo barato poderíamos ter uma estrutura energética de baixíssimo custo, nos colocando em folgada situação de competição industrial com o resto do mundo. Entretanto, esse patrimônio nacional está sendo dilapidado. É preciso informar e levantar o povo contra isso.

Infelizmente, a grande mídia não é nossa aliada. Ao contrário, ela dá total cobertura aos vendilhões da Pátria. Viu-se que não podemos contar também com o apoio do Supremo Tribunal Federal, o qual, numa decisão surpreendente, autorizou a Petrobrás a vender suas subsidiárias sem licitação. Resultado: prepara-se uma grande tramóia pela qual as refinarias, hoje unidades integradas à empresa-mãe, serão descoladas dela e transformadas em subsidiárias, possibilitando sua venda sem licitação. A mesma sanha privatista acaba de sacrificar a BR distribuidora e o setor de gás.

Está em marcha o plano criminoso deretalhamento da Petrobrás e entrega de suas partes mais lucrativas a aventureiros internacionais. A pilhagem da empresa começou pelos gasodutos, filé extremamente lucrativo para o setor privado. Mas o grosso do filé são as refinarias. A direção atual da Petrobrás não tem nenhum escrúpulo em dar os monopólios territoriais das refinarias às petrolíferas estrangeiras, embora falando cinicamente em promover o mercado. Na verdade, isso é alta traição.

O petróleo e seus derivados são bens estratégicos. São como os nervos da economia e da sociedade. O Brasil teve o privilégio de encontrar muito petróleo no pré-sal em volume suficiente para atender suas necessidades de auto-suficiência por décadas. Com esse petróleo barato poderíamos ter uma estrutura energética de baixíssimo custo, nos colocando em folgada situação de competição industrial com o resto do mundo. Entretanto, esse patrimônio nacional está sendo dilapidado. É preciso informar e levantar o povo contra isso.

Infelizmente, a grande mídia não é nossa aliada. Ao contrário, ela dá total cobertura aos vendilhões da Pátria. Viu-se que não podemos contar também com o apoio do Supremo Tribunal Federal, o qual, numa decisão surpreendente, autorizou a Petrobrás a vender suas subsidiárias sem licitação. Resultado: prepara-se uma grande tramóia pela qual as refinarias, hoje unidades integradas à empresa-mãe, serão descoladas dela e transformadas em subsidiárias, possibilitando sua venda sem licitação. A mes- ma sanha privatista acaba de sacrificar a BR distribuidora e o setor de gás.

José Carlos de Assis é economista, professor da UFPE

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