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Militares do governo sujeitos a virar capitães do mato do neoliberalismo

05 Setembro Escrito por  José Carlos de Assis Lido 613 vezes

Jose Carlos de Assis Não é difícil concluir que os militares brasileiros são totalmente ignorantes em economia

Todos sabem da recusa dos militares brasileiros em funcionarem como capitães do mato para caçar escravos fugidos na época do Império. Os militares de hoje, ao contrário deles, estão perdendo a honra ao se tornarem capitães do mato do neoliberalismo econômico e da extrema direita. Uns poucos se salvam como nacionalistas e progressistas. Em geral se alinham com a política de escravização do trabalhador, iniciada por Temer e seguida por Paulo Guedes.

A ideia de que todo militar é nacionalista não passa de engodo. Cadê os nacionalistas das Forças Armadas que se opuseram à entrega da base de Alcântara aos Estados Unidos? Cadê os que se opuseram à venda da Embraer para a Boeing? Cadê os que se opuseram à entrega do pré-sal, antes nosso passaporte para um futuro desenvolvido, em favor de petrolíferas estrangeiras? Cadê os que defendem o investimento no submarino nuclear?

Não é difícil concluir que os militares brasileiros são totalmente ignorantes em economia. Sua maior influência é norte-americana. Derivada da Guerra Fria. O que sabem de economia eles aprenderam nos EUA, não com professores brasileiros progressistas. E os instrutores norte-americanos ensinam para eles o que os EUA não fazem, isto é, uma política fiscal-monetária neoliberal, que trava o nosso desenvolvimento econômico em nome do equilíbrio fiscal.

O presidente Geisel, ferrenho nacionalista, sabia bem disso. Fez uma política fiscal-monetária progressista usando a dívida pública, corretamente, para financiar o desenvolvimento do país. A maioria dos militares da atual geração são idiotas políticos; seguem a seita de Paulo Guedes, que nos deixa num beco sem saída, dado o preconceito imbecil de que o Governo, mesmo na recessão, não pode tomar dinheiro emprestado para financiar a retomada da economia e do emprego.

Como fato político, a ditadura era intolerável. Mas no campo econômico houve notável progresso. Realizou o II PND, o programa tripartite no setor petroquímico, a Ferrovia do Aço, o soberano Acordo Nuclear com a Alemanha, entre outras iniciativas inequivocamente progressistas. Programas sociais como PIS/Pasep e Funrural nasceram no governo militar. O atual governo do capitão cercado por generais não se compromete a construir nada, seja na área econômica, seja na área social. Sequer sabe como fazer. O Presidente, aliás, disse explicitamente que veio para destruir (principalmente os socialistas), e não para construir.


DISTORÇÃO NAS FA

Nem no Governo militar tivemos tantos militares no Governo. E deles não se exige nenhuma especialidade, fora a formação de caserna, para se tornar ministro ou alto funcionário. Sua função, inspirada no próprio Presidente, é dizer e fazer tudo ao contrário do que disseram e fizeram os governantes anteriores.

Faz parte da estratégia militar de cerco e destruição dos opositores. Não há agenda positiva. Tudo mais que se deve fazer o mercado livre faz!

O Presidente atual, que foi na origem um militar de baixo escalão, deve ter imaginado que, ao chegar a quatro estrelas, o oficial se torna automaticamente um sábio em tudo. Isso não dará certo. Aliás, já não está dando certo. O país está paralisado por falta de iniciativas. Numa democracia capitalista, o maior desafio para o administrador é promover emprego. Aqui, constituído por militares incompetentes com emprego garantido e aposentadoria especial, o militar no Governo simplesmente está ignorando o desemprego dos outros.

O país real está acumulando frustrações. Aqueles generais da reserva que foram levados a altos postos por simples oportunismo pensam exclusivamente nos seus cargos. Entretanto, o processo histórico não pára. Os da ativa, e em termos de força são eles que contam, devem estar incomodados com o fato de que o fracasso geral do Governo acabará sendo debitado ao conjunto das Forças Armadas, em face do colapso da economia e da explosão do desemprego.

Décadas atrás, o exército brasileiro assumiu o discurso da modernidade nacional social através do tenentismo. Agora, o que começou a ser construído por tenentes idealistas está sob ameaça de ser destruído por um capitão desqualificado.

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