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Coronavírus desmonta os economistas de planilha

08 Maio Escrito por  André Motta Araújo Lido 764 vezes

face-homem Uma construção intelectual aberrante imperou no Brasil nos estudos e prática da ciência econômica

Através da herança ortodoxa de Eugenio Gudin transportada para o Século XXI através da Escola de Economia da PUC Rio, o Brasil absorveu e transformou em uma espécie de "ciência econômica brasileira" um conjunto de ideias ortodoxas sobre a prática da economia como ciência e operação que não tem paralelo em nenhum outro grande País.

É uma espécie de "neoliberalismo caboclo", atrasado, de lição mal feita por alunos bolsistas brasileiros em universidades americanas, onde a ciência econômica é desligada de contextos culturais e históricos, elos fundamentais para a construção de uma política econômica referenciada no País, na sua geografia, seus recursos naturais e humanos. A ciência econômica não é universal, ela é sempre contextualizada pelo involucro natural da situação de cada País, eis que é uma ciência no grande campo das ciências humanas, ela depende e é focada no ser humano e não na física dos elementos.

Considerar uma ciência econômica fora de seu ambiente e contexto é um mega erro de natureza filosófica, a economia tem raízes sociais, humanas, geográficas, é precário o economista que pretende ser a economia uma ciência abstrata matematizada, mas eis que no Brasil esse economista parece ser a regra e não a exceção, os resultados ai estão.

Um dos maiores países do mundo por seu território, seus recursos humanos extraordinários, multiétnicos, multirraciais, naturais, ecológicos, culturais, uma herança das grandes monarquias europeias, fertilizada pelas maiores imigrações italianas, japonesas, africanas, árabes entre todas as grandes migrações dos séculos XIX e XX, o Brasil tem um ambiente extraordinariamente especial, diferente não só dos países do Hemisfério Norte como dos países latino americanos, muito diferentes do Brasil.

No entanto, economistas obtusos querem aplicar no Brasil experiências do meio oeste americano, fertilizado por populações protestantes e calvinistas completamente diferentes do tecido social brasileiro, com história diferente, clima diferente, solo diferente, forma de organização política e social completamente diversa da brasileira.

A disfuncionalidade estrutural dos gastos do Estado brasileiro foi coberta no passado por inflação, após o Plano Real foi pago por dívida pública, que simplesmente substitui a impressão de moeda, mas a origem dos dois eventos, a inflação e a dívida pública interna, é a mesma. O Estado brasileiro gasta muito e mal. Para reconfigurar o Estado e recolocá-lo nos trilhos de arrecadação e despesa, os economistas de planilha propõe esparadrapos que não curam a infecção que está na base. Porque o Estado brasileiro custa 40% do PIB, se o do México custa 22% e o dos EUA custa 23%?

Nosso Judiciário custa 2% do PIB, cinco vezes mais do que o da Alemanha que acompanha a média europeia, nos EUA o Judiciário custa ainda menos, em Brasília existem 9 Tribunais, todos com altíssimos salários, mordomias, carros com motoristas, nada disso existe em Washington.

Nosso Congresso custa 3 bilhões de dólares por ano, o mesmo do que o Congresso dos EUA, nossas Assembleias estaduais e Câmara de Vereadores custam absurdos, a Câmara Municipal de São Paulo custa mais de um bilhão de Reais por ano, o modelo serve para todo o Brasil. Mesmo em cidades pequenas, vereadores se atribuem altos salários quando deveriam trabalhar de graça, como em muitos países bem organizados onde servir ao interesse público é uma horaria por si só.

Os Estados brasileiros, quase todos, tem uma folha de aposentadorias e pensões que consomem boa parte da arrecadação, há algo de profundamente desequilibrado nessa conta e isso não foi consertado porque não há consenso e força política para isso, então o desequilíbrio continua e os remédios propostos são o corte linear de gastos que recaem sobre a linha de menor resistência, os gastos sociais, e não na cúpula dos poderes e no corte total dos investimentos públicos.

Existem 15 mil obras paradas, com desperdício de recursos já investidos de 200 bilhões de Reais, um ápice de MÁ GESTÃO, falta de planejamento, medidas erráticas tanto administrativas como judiciais, que ampliam o desperdício e a irracionalidade de gastos. Um exemplo, bilhões de Reais gastos com BIOMETRIA de títulos eleitorais, uma aberração com dinheiro público, sem qualquer justificativa lógica, nos EUA não há sequer Justiça Eleitoral, que aqui tem sede em um palácio digno de Abu Dahbi.

O número de edifícios públicos próprios e alugados no Brasil não tem paralelo no mundo sem que essa despesas seja centralizada, a União não sabe quantos prédios tem e porque aluga prédios novíssimos com valores aberrantes quando tem prédios vazios há anos por todo o País. Da mesma forma paga valor cheio por passagens de avião, mais de 3 bilhões de Reais por ano, sem pedir descontos de compra por atacado, nos EUA a Administração consegue descontos de até 80% quando compra passagens por atacado.

No Brasil os governos gastam fábulas em INFORMÁTICA por sistemas e programas que valem muitas vezes menos do que o valor cobrado, não há uma centralização de gastos.

O sistema brasileiro de TRIBUNAIS DE CONTAS fiscaliza contas depois do dinheiro gasto, nos EUA, o Escritório de Contas do Congresso, precisa aprovar despesas pela sua racionalidade intrínseca, não se constrói um hospital onde já existe um outro que pode ser reformado. O Escritório de Contas (GAO) vetou 2 trilhões de dólares de programas militares sem lógica econômica. O GAO custa vezes menos que nosso Tribunal de Contas com seus Ministros e carros com motoristas.

Essas são as disfuncionalidades que os economistas de planilha não enxergam, eles propõem CORTE LINEAR de gastos, corta-se tudo com uma régua e não o que deve ser cortado.

Na maior crise econômica e financeira que se avizinha, o Brasil conta apenas com economistas de planilha de baixa estatura, poucos são MACRO ECONOMISTAS, a maioria são economistas micro, de mercado, analisam bolsa e índices e param por ai, não têm visão de políticas públicas e racionalidade econômica mais ampla.

A grande crise do CORONAVÍRUS vai acelerar a disfuncionalidade do Estado brasileiro e a incapacidade absoluta de sua gestão econômica para enfrentar essa crise, já era incapaz de enfrentar a recessão precedente a crise do vírus. Um comandante que não cuidava da limpeza do quartel agora tem que enfrentar uma guerra de verdade sem ter sequer a experiência anterior de crises ou de funcionamento da gestão de políticas públicas de amplo espectro. O Brasil está entrando em uma grande guerra com simples taifeiros para comandar a tropa, a guerra econômica será muito maior que a guerra sanitária e estamos sem lideranças e sem inteligências para a tarefa.

Fonte: GGN

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