Imprimir esta pg
0
0
0
s2sdefault

Pró-Brasil: o debate que não houve

29 Maio Lido 930 vezes

Pinho: "Qualquer movimentação no sentido de fugir do domínio das finanças será torpedeada"

No programa Linha Direta Rio-Brasília, levado ao ar pelas TVs comunitárias da antiga e atual capital do Brasil, e que tratou, no último dia 25 de maio, do programa governamental Pró-Brasil, de estímulo à retomada da atividade econômica, o professor Pedro Pinho afirmou que o descaso com que a ideia foi tratada na fatídica reunião ministerial do último 22 de abril representa apenas a continuidade do que vem ocorrendo no país nos últimos 40 anos:

"Qualquer movimentação no sentido de fugir do domínio das finanças será torpedeada. Na reunião, o General Braga Neto, que propõe a iniciativa, me pareceu ingênuo. Jamais um programa com esse perfil poderia sair de um governo pró-banca", disse, lamentando que nenhum dos ministros militares presentes à reunião tenha se manifestado em relação ao desvio da pauta e da postura do ministro Paulo Guedes. Para Guedes, o orçamento requisitado para o Pró-Brasil, de R$ 600 bilhões, não deveria ultrapassar R$ 50 bilhões, ficando a iniciatriva privada encarregada da responsabilidade de liderar, em plena recessão, a retomada da economia.

Pinho observou que o domínio das finanças não se dá apenas no Brasil, já que "a banca" jamais se conformou com os chamados 30 Anos Gloriosos, que após a Segunda Guerra Mundial até a crise do petróleo, nos anos 1970, proporcionaram ao mundo um ciclo salutar de desenvolvimento industrial impulsionado pelos Estados nacionais, conjugado ao avanço notável das medidas de proteção do emprego e bem estar social.

O jornalista Beto Almeida, que apresenta do programa ao lado do colega Moysés Corrêa, ressaltou que o Pró-Brasil prevê a retomada de obras públicas paralisadas pela operação Lava Jato e que estavam presentes na reunião os presidentes da Caixa e BB, entre outros atores econômicos importantes do governo.

"A reunião tinha como único ponto de pauta o Pró-Brasil, mas os palavrões e baixarias protagonizaram o encontro. A reunião mostrou que o ministro Paulo Guedes tem pontaria bem definida: a destruição do Brasil. Até o ministro Robson Marinho (Desenvolvimento), apesar de neoliberal, enxerga que no momento não há alternativa para a ação do Estado. Ficou clara a polêmica com Paulo Guedes, que sente a pressão por gastos, sobretudo no combate ao coronavírus".

Os BRICS, a banca e a soberania nacional

A coordenação entre Rússia e China, líderes dos BRICS, foi lembrada como iniciativa em defesa de uma economia voltada para os seres humanos e da resistência à especulação financeira, o que não ocorreu no Brasil, onde os bancos têm lucros recordes e o processo de desindustrialização se manteve acelerado mesmo em governos progressistas.

Para Pedro Pinho, o poder da "banca" no mundo é legitimado por uma falsa ideia de liberdade, que só existe para a circulação do capital financeiro, mas que é amplamente divulgada pela mídia. No Brasil, Pinho acrescenta a vulgarização da questão da soberania nacional, tratada na Constituição de 1988 como algo semelhante à preservação do meio ambiente, entre outros pontos relevantes mas que deveriam estar submetidos à ideia de nação soberana.

"Sem soberania nada se constrói. Da mesma maneira que uma falsa ideia de liberdade foi usada para destruir os Anos Gloriosos, a esquerda não entendeu que nada é construído sem uma base na soberania nacional. Mesmo nas Forças Armadas houve uma doutrinação muito forte. Soberania é o primeiro degrau da escada, mas não se faz com fome e desemprego, e sim com o povo atuante."

Clique aqui para ver a íntegra da entrevista

Última modificação em Sexta, 29 Maio 2020 16:07
Avalie este item
(5 votes)
0
0
0
s2sdefault
Veja algumas métricas do portal.
Subscribe to this RSS feed