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A estratégia nacional na mira dos dinossauros

Publicado em 17/09/2020 Lido 3277 vezes

Ameaça à segurança e aos interesses da nação é levada a sério. Em inglês

A venda de uma empresa estratégica para o exterior provoca protestos e pedidos para intervenção do governo. Brasil? Não, isso está ocorrendo no paleolítico Reino Unido. A Arm, com sede em Cambridge, está sendo vendida pela corporação japonesa SoftBank para a norte-americana Nvidia por US$ 40 bilhões.

A Arm é, de longe, a mais bem-sucedida empresa de tecnologia britânica. É líder global em design de chips, presentes em quase todos os smartphones, computadores e tablets. Ela foi comprada pelo SoftBank, uma empresa de investimento em tecnologia, em 2016, por US$ 32 bilhões.

O Partido Trabalhista, sindicatos e o cofundador da Arm Hermann Hauser querem que o governo de Boris Johnson intervenha. O medo é que a companhia britânica seja desmantelada; a Nvidia ganharia mais vendendo suas tecnologias. A empresa norte-americana tem sede fiscal no paraíso fiscal de Delaware, minúsculo estado norte-americano.

Questionado sobre como uma venda se encaixaria nos planos do consultor de Boris Johnson, Dominic Cummings, de construir uma empresa de tecnologia britânica de um trilhão de dólares após o Brexit, Hauser respondeu: "Não muito bem, eu acho. Ouvi falar sobre [o plano de Cummings], e ele está, é claro, absolutamente certo, mas a maneira como você constrói empresas como a Apple é começando com empresas do tamanho da Arm, não com uma startup."

Diferentemente dos modernos brasileiros como Paulo Guedes, os dinossauros sobrevivem nas terras onde a língua inglesa nasceu e se projetou ao mundo. O Enterprise Act 2002 britânico permite aos ministros bloquear negócios que representem uma ameaça à segurança nacional, à pluralidade da mídia e à estabilidade financeira (neste ano de pandemia, ameaça sanitária foi incluída na lei). De acordo com as regras do Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos, que se aplicariam à Arm se ela fosse de propriedade norte-americana, a Casa Branca pode intervir em transações envolvendo empresas nativas.

Fonte: Monitor Mercantil

Última modificação em Quinta, 17 Setembro 2020 20:38
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