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Como votou a representante das trabalhadoras e trabalhadores da Petrobrás na reunião de ontem, do Conselho de Administração

01 Julho Escrito por  Rosangela Buzanelli Lido 700 vezes

face-mulher A política praticada hoje é de empresa privada e não de uma estatal, ainda que de economia aberta

Nesta quarta-feira, 30 de junho, foi realizada reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, com a votação de duas pautas muito importantes: a venda do Polo Alagoas e do restante das ações da BR Distribuidora. Nos dois casos, eu votei contra.

A primeira pauta referiu-se à venda do Polo Alagoas, para a empresa Petromais Global Exploração e Produção S.A. (Petro+).

O Polo Alagoas compreende sete concessões de produção, seis terrestres (Anambé, Arapaçu, Cidade de São Miguel dos Campos, Furado, Pilar e São Miguel dos Campos) e a concessão do campo de Paru, localizado em águas rasas, com lâmina d'água de 24 metros. Além dos campos e de suas instalações de produção, também está incluída na transação a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Alagoas.

Como representante das trabalhadoras e trabalhadores da Petrobrás no Conselho de Administração, votei contra essa venda. Entendo que a Petrobrás deve continuar integrada e presente no território nacional, cumprindo seu papel socioeconômico como empresa estatal que é. O Polo Alagoas é rentável e estratégico para a região.

Mais uma vez constatamos o declínio da produção de um ativo, que se dá não apenas pela maturidade dos campos, mas também pela falta de investimentos. Segundo dados da ANP, a produção caiu 51% entre 2015 e 2021, com redução acentuada entre 2020 e 2021 (25%), o que certamente desvalorizou o ativo.

A política de maximização do retorno aos acionistas não deve ser a bússola a guiar as decisões de investimentos e privatizações da companhia.

Ainda na reunião de ontem, 30 de junho, foi aprovado o preço para a venda das ações remanescentes da Petrobrás Distribuidora S.A (BR).

Também votei contra essa pauta. Todas as grandes petrolíferas, estatais ou privadas, são integradas e verticalizadas, visto que essa estratégia lhes garante robustez e resiliência diante das oscilações de mercado inerentes ao setor, sejam por questões geopolíticas, crises, acidentes, etc.

A venda da BR desverticaliza a Petrobrás e entrega ao setor privado um dos maiores mercados consumidores de combustíveis do planeta. Das 20 maiores empresas de petróleo do mundo, apenas no Iraque encontramos um exemplo de petrolífera que não possui distribuidora. Repito, somente no Iraque, um país arrasado pelas guerras e submisso ao capital internacional.

A "gestão ativa de portifólio" e sua política de "desinvestimentos" nada mais é do que a privatização da Petrobrás aos pedaços, promovendo seu desmonte e desverticalização, concentrando suas atividades em poucos e pobremente diversificados ativos, fragilizando sua sobrevivência a médio e longo prazos.

Privatizações que se revertem indevidamente em lucro, que rende dividendos aos acionistas.

Embora se propale que o Estado brasileiro é o maior beneficiário dos dividendos, isso não é verdadeiro, já que o maior volume de ações, considerando as ordinárias e preferenciais, não está nas mãos do Estado. Quem leva a maior fatia dos dividendos são os investidores nacionais e estrangeiros. Ao povo brasileiro, real dono da Petrobrás, resta pagar o preço dos combustíveis e gás de cozinha como se importados fossem, arcando ainda com os custos de vida inflacionados por conta dessa política.

O atual governo nega as bases de fundação da Petrobrás, criada através da luta popular para buscar nossa tão sonhada e necessária autossuficiência para abastecer o país a preços justos. A política praticada hoje é de empresa privada e não de uma estatal, ainda que de economia aberta. Com ela, perdem o estado e a sociedade brasileira.

#Privatizar faz mal ao Brasil 
#Defender a Petrobrás é defender o Brasil 

Fonte: Como votou a representante das trabalhadoras e trabalhadores da Petrobrás na reunião de ontem, do Conselho de Administração - Rosangela Buzanelli 

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