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As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios

Publicado em 20/01/2022 Lido 438 vezes

Chegou sua hora de se posicionar. Rosângela Buzanelli votou contra todas estas vendas. Vote 1000, vote Rosângela Buzanelli para representante dos trabalhadores no CA da Petrobrás

As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios para a Petrobrás. A Petrobrás vendeu as refinarias na hora errada, num período em que o mercado de combustíveis estava retraído pela pandemia. Mais ainda, vendeu num momento em que os preços internacionais do petróleo estavam em baixa, devido a disputas geopolíticas entre Rússia, Arábia e Estados Unidos. A Petrobrás vendeu por preços ínfimos em relação ao seu valores reais, vendeu por preços baseados puramente no fluxo de caixa, sem levar em conta o mercado cativo de fornecimento de combustíveis garantido pela venda conjunta dos ativos logísticos associados às refinarias. A RLAM foi vendida por um valor 45 a 50% inferior à estimativa do cenário-base calculado internamente pela Petrobrás, considerando uma projeção de estabilização dos preços de petróleo a U$35 por barril. A subavaliação também foi apontada pela XP Investimentos e Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep). O seguro dos ativos das refinarias feito pela Petrobrás até 2025 prevê um valor superior aos preços de venda, não incluindo os ativos dos terminais, como tancagens e oleodutos vendidos conjuntamente.

O mercado de combustíveis alcançado pela RLAM, 14% do mercado nacional, principalmente os estados da Bahia e Sergipe, e outros na região norte e nordeste, sequer foi levado em consideração. A mesma coisa aconteceu com o mercado da REMAN que atende toda região norte e o Maranhão e representa aproximadamente 6% do mercado nacional de combustíveis. A Petrobrás perdeu imediatamente este mercado, e coloca em risco também a perda do mercado do Centro-Oeste do Brasil. Para penetrar novamente nestas regiões, a Petrobrás terá que investir em logística um valor substancialmente maior que o valor de venda das refinarias. Em outras palavras, a diretoria executiva e o conselho de administração atual da Petrobrás desistiram deliberadamente destes mercados por decisões ideológicas.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para os acionistas. Afetarão o fluxo de caixa líquido anual da Petrobrás na ordem de 3% a 5%, enquanto os dividendos distribuídos imediatamente com os valores de venda das refinarias não passaram de 2,5% do total de dividendos distribuídos anualmente. Do preço de venda, boa parte deverá ficar retido num fundo de garantia do passivo ambiental, enquanto o restante foi distribuído como dividendos para os acionistas. Nenhum centavo foi usado para abatimento de dívida ou reinvestimento. Ou seja, as vendas atenderam apenas os anseios dos acionistas minoritários, representados atualmente por abutres no conselho de administração.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Bahia e região norte porque retiraram totalmente a Petrobrás do mercado. A Petrobrás não tem mais penetração nesses mercados porque vendeu conjuntamente todas as logísticas associadas às refinarias. A RLAM foi vendida com o Terminal Madre de Deus e todos os oleodutos de petróleo e derivados, que integram a rede da refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e todos os quatros terminais no estado: Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus. A REMAN, os terminais e três portos de recebimento e entrega de derivados aos quais se liga foram também vendidos conjuntamente. Definitivamente, não haverá a garantia da isonomia de fornecimento às distribuidoras porque se havia um monopólio estatal, agora existe um monopólio privado sem qualquer controle do Estado ou da ANP. Ou seja, toda logística, terminal, tancagem, dutos nestas regiões ficaram com empresas financeiras, que sem competição com eventual outro produtor de combustíveis, maximizaria os preços. Em outras palavras, aos consumidores restarão a volatilidade e os altos preços dos combustíveis.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para o Brasil, porque foi apenas a troca de um fornecedor estatal por um único fornecedor privado na região, sem qualquer controle do Estado, levando definitivamente a perda da competitividade na cadeia de fornecedores. Os compradores não são produtores diretos de petróleo no Brasil ou em outra região. São empresas financeiras que comprarão petróleo ou derivados a preços internacionais, reduzindo a margem de lucro no processamento nas refinarias, e contabilmente no fornecimento para as distribuidoras. Logo, ocorrerá um lucro contábil mínimo, pagamento mínimo de impostos e preços máximos dos derivados.

A nossa representante no conselho de administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, votou contra todas estas vendas, e enfrentou os abutres do conselho. Em seus votos, mostrou a cada membro do conselho as suas responsabilidades pelos péssimos negócios realizados e os impactos na Petrobrás e no Brasil, e apontou para negligência e as decisões ideológicas em cada votação do CA.

Agora, chegou sua hora de se posicionar se as vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Petrobrás, acionistas, povo brasileiro e para o Brasil.

Posicione-se, vote 1000, vote Rosângela Buzanelli.


ENERGIZANDO

* Falta gás no planejamento energético - O professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, Marcos Freitas, frisa que, em vez de se desfazer de seus gasodutos e refinarias, a Petrobrás deveria investir nesses segmentos. Freitas, que também é coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig), disse à Energia Brasil que as refinarias atuais não darão conta de processar todo o volume de petróleo do pré-sal.

** Quanto ao gás, empresas como a Gás Natural Açu, apesar de estar próxima à costa, em Campos, com potencial de geração de até 3GW, ainda depende de barcaças contratadas no exterior para transportar o gás. "A rede de gasodutos precisa crescer, bem como o estoque, para não dependermos apenas da produção. Se não houver investimento governamental e privado, o gás não chegará à ponta", adverte.

*** Refino sem investimento - "Se a atividade de exportação continuar com esse modelo (de tributação) e o valor dos derivados não tiver nenhuma vinculação com o mercado internacional, não haverá investimentos em refino. Até as refinarias atuais podem ser fechadas." Quem alerta é o PhD Paulo César Ribeiro Lima. Mesmo sendo um crítico severo da atual política de preços da Petrobrás para os combustíveis, Lima pondera que no Brasil a Petrobrás, a Shell e outras gigantes do setor têm a cômoda opção de exportar petróleo bruto com preço vinculado ao mercado internacional, sem pagar tributos.

**** Barril a U$ 100 em 2022 - Segundo o Goldman Sachs, o Brent deve quebrar barreira de US$ 100 com demanda firme ainda em 2022. Para o banco, o mercado de petróleo continua em um "déficit surpreendentemente grande". Segundo a geóloga Patrícia Laier, os EUA precisam do petróleo barato e o Brasil está produzindo muito, o que ajuda a manter o preço mais baixo por aumento da oferta "não Opep".

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