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Aumento da Selic eleva gasto extra com juros em R$ 400 bilhões

Publicado em 29/06/2022

Dívida Pública sobe 2,01% em maio e vai para R$ 5,7 trilhões.


O baixo volume de vencimentos e a alta dos juros fizeram a Dívida Pública Federal (DPF) subir em maio. Segundo o Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 5,59 trilhões em abril para R$ 5,702 trilhões no mês passado, alta de 2,01%, ou R$ 112 bilhões.

Os números de maio foram divulgados dentro do prazo, mas as estatísticas de abril foram apresentadas com um mês de atraso por causa da greve dos analistas do Tesouro Nacional. No mês retrasado, a DPF tinha crescido 0,45%, por causa da apropriação de juros.

Cada 1% de aumento da taxa básica de juros (Selic) tem um custo de R$ 34,9 bilhões por ano nos juros da dívida. Como o Banco Central subiu a Selic de 2% para 13,25% ao ano, esse gasto extra já é de quase R$ 400 bilhões, calcula a Auditoria Cidadã da Dívida.

“Dentre os diversos fatores responsáveis pela explosão da dívida interna federal a partir do Plano Real, destaca-se o montante dos juros nominais, cifra que supera o próprio valor da dívida líquida, conforme dados do Banco Central e Tesouro Nacional, explica a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã, Maria Lucia Fattorelli.

O total de “Juros Nominais” no período de dezembro de 1995 a junho de 2009 totalizou R$ 1,530 trilhão, enquanto a dívida líquida do setor público em junho/2009 alcançava R$1,283 trilhão. O BC deixou de divulgas os números, mas cálculos da Auditoria Cidadã mostram que o quadro só se agravou. O montante dos juros nominais passou a superar o montante da dívida líquida a partir de meados de 2005 e segue superando até os dias atuais, devido à crescente incidência de juros sobre juros.

A queda do dólar contribuiu para diminuir o aumento do endividamento do governo em maio. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 1,71%, passando de R$ 230,19 bilhões em abril para R$ 226,27 bilhões em maio. O principal fator foi a queda de 3,87% do dólar no mês passado.

As instituições financeiras seguem como principais detentoras da Dívida Pública Federal interna, com 29,6% de participação no estoque. Os fundos de investimento, com 23,2%, e os fundos de pensão, com 23%, aparecem em seguida na lista de detentores da dívida.

A participação dos não residentes (estrangeiros) caiu de 9,3% em abril para 9,1% em maio. Os demais grupos somam 15,1% de participação, segundo os dados apurados no mês.

Fonte: Monitor Mercantil

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