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Petrobrás aprova pagamento recorde de R$ 87 bilhões em dividendos aos acionistas

Publicado em 28/07/2022

Valor é recorde para um trimestre e supera, em 81%

A Petrobrás aprovou, nesta quinta-feira (28), o pagamento e a distribuição de R$ 87,8 bilhões em dividendos aos acionistas da estatal. O valor é recorde para um trimestre e referente ao desempenho obtido no segundo trimestre deste ano, cujo lucro líquido, a ser divulgado nas próximas horas pela companhia, também deve alcançar patamar ainda não observado anteriormente.

O montante anunciado para repasse aos investidores supera em 81% os R$ 48,5 bilhões que foram distribuídos no primeiro trimestre. Segundo a Petrobras, o valor a ser pago por cada ação preferencial e ordinária em circulação é R$ 6,732003. Os dividendos serão pagos entre 31 de agosto e 20 de setembro. O anúncio ocorre em meio a pressão do governo por antecipação de dividendos de estatais para ajudar a bancar auxílios emergenciais e renúncia tributária sobre os preços dos combustíveis.

Acionista majoritário da estatal, o governo federal deve receber cerca de R$ 32 bilhões do lucro obtido pela empresa. Em nota, a Petrobras diz que o dividendo proposto, apesar do valor recorde, está alinhado à "Política de Remuneração aos Acionistas, que prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Companhia poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e as aquisições de ativos imobilizados e intangíveis (investimentos)", argumenta.

A estatal também justifica que a aprovação do valor é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia no curto, médio e longo prazo. O Conselho de Administração da empresa ainda alega que o valor está alinhado ao compromisso "de geração de valor para a sociedade e para os acionistas, assim como às melhores práticas da indústria mundial de petróleo e gás natural", afirma.

Polêmica

A distribuição recorde de dividendos pela Petrobras ocorre em um momento de grande pressão sobre o preço dos combustíveis no Brasil. No segundo trimestre, o preço da gasolina variou no país em patamar acima de R$ 7 e chegou a ultrapassar R$ 8 em alguns municípios. Já o diesel, saltou da faixa de R$ 6,70 para valores acima de R$ 7,60, conforme levantamentos feitos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre abril e junho.

Especialistas apontam que a atual política de de Preços de Paridade de Importação (PPI), implementada em 2016 pelo então presidente Michel Temer (MDB), é a grande responsável pelo alto preço dos combustíveis no Brasil. A metodologia precifica os combustíveis no Brasil conforme a variação do barril de petróleo no mercado internacional e considerando os custos de importação do insumo.

No entanto, a metodologia foi mantida pelo governo federal. Para tentar baixar o preço dos derivados do petróleo, a União zerou a cobrança de impostos federais sobre a gasolina, enquanto o ICMS, imposto estadual que incide sobre os combustíveis, foi limitado a percentuais entre 17% e 18%, a depender de cada governo. Em Minas, por exemplo, a redução na alíquota foi de 31% para 18%.

No etanol, a redução foi de 16% para 9%. O problema é que a redução na cobrança dos impostos impacta, diretamente, o custeio de programas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) nos municípios. A arrecadação tributária também financia parte da saúde e infraestrutura nas cidades Brasil afora.

(Com Folhapress)

Fonte: O TEMPO

Última modificação em Quinta, 28 Julho 2022 18:23
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