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Sobre a felicidade do senhor Pullen Parente

06 Novembro Escrito por  Luciano Seixas Chagas Lido 3530 vezes

face-homem E a grande imprensa elogia, com júbilo, sua gestão mentirosa na Petrobras

O Presidente da Petrobras, senhor Pullen Parente, fez as seguintes afirmações ao término do último leilão da ANP sobre forma de partilha envolvendo áreas unitizáveis e outras absolutamente exploratórias. Disse o senhor Parente:

O resultado final do leilão foi muito bom para a Petrobrás. Ele se disse feliz com o resultado e com a possibilidade de manter e até aumentar a relação entre reservas e produção da empresa. Ele destacou as parcerias de grande porte com as grandes empresas internacionais do setor, explicou porque a companhia pagou um ágio de 80 % em um dos campos prioritários e justificou não entrar no Campo de Carcará, o melhor avaliado. Explicou que a empresa teria que fazer investimentos em equipamentos especiais, despadronizar equipamentos, que há muita pressão no campo e um alto nível de CO2. Além disso, a Petrobrás já havia vendido o campo para a STATOIL e não faria sentido entrar na unitização. Para a 4ª Rodada, no ano que vem, disse que a a Petrobrás continuará a ser seletiva. ” (Petronoticias, 2017)

Na minha opinião de analista, nunca antes na minha vida vi um presidente falar previamente e dar as opiniões ou as estratégias de quem e onde irá competir num leilão de exploração, antecipando inclusive quais as áreas que participará e as estratégias que adotará no caso, a existência e participação permanente de parceiros. Agora podemos enxergar com clareza os riscos que fomos submetidos, ao retirar a obrigatoriedade de participação da Petrobras em todos os ativos do pré-sal dentro do seu polígono de ocorrência, principalmente nas áreas unitizáveis. A não obrigatoriedade além da “inocência" do presidente da Petrobras ladeado pelo seu séquito de diretores e do CA, ao participarem de um leilão recheado de raposas negociais tiveram as seguintes e graves conseqüências:

1- Não participação no melhor ativo ofertado, o de Carcará Norte, unitizável, deixado-o ao léu, para a concorrência, que avidamente fez ofertas. Tivesse a Petrobras a obrigatoriedade teríamos pelo menos 30% do ativo leiloado, sem qualquer exploratório ou explotatório;

2- Depreciou os demais ativos não selecionados, ajudando o a concorrência. Isto porque se a empresa que mais conhece de pré-sal, no caso a Petrobras, abdica de determinados ativos, a concorrência, com menor acervo de dados para as suas análises, tende a acompanhar as posições da empresa dominante, e buscam associações nas mesmas pules, pois sabem que assim dirimem, obviamente, os riscos do negócio. Algo inusitado no mundo dos leilões de petróleo! Isto aconteceu em todas as áreas, as unitizáveis e nas demais, fazendo com que o Brasil perdesse, pois em algumas das áreas, as de maior risco, apesar de ainda atraentes, não foram feitas ofertas e em outras, onde a Petrobras já tinha previamente se posicionado, as empresas fizeram ofertas associadas com a Petrobras ou isoladas, quando tinham conhecimento prévio ou feito estudos detalhados, como na caso da oferta de 50% em óleo excedente da Shell, segunda colocada isoladamente no ativo unitizável Carcará Norte, pois a SHELL já tivera, no passado, 20% do ativo Carcará, contíguo, a sul, justo o ativo que foi vendido a Barra Energia (10%) e QGE&P (10%).

Isto motivou, no passado, após a descoberta de Carcará, repreensões e demissões na Shell, segundo informações confidenciais que obtivemos naquela ocasião. Esta foi a razão da oferta generosa da Shell em Carcará Norte pois a empresa detém grande acervo e conhecimento a nível da Petrobras e dos parceiros de Carcará. Com tudo isso perderam o Brasil e a Petrobras e, para mim, esta foi a principal razão da não oferta em algumas áreas limítrofes do polígono do pré-sal como Pau Brasil, com riscos maiores mais com grandes possibilidades de deter hidrocarbonetos na sua estrutura. Assim meus caros, vá entender a atuação de uma companhia que prima em ajudar a concorrência e desvalorizar a si própria com já estão e continuam fazendo os brilhantes “gestores” em outras áreas de negócios em nome das boas práticas negociais e gerenciais. Algo inusitado. Na Bahia diz-se que se algo surreal acontece isso ocorre antes na Bahia. Digo o mesmo para o Brasil de Temer e séquito pullenparentesco, onde até mesmo as mínimas noções de ética há muito foram para os espaço e perdemos completamente a noção de honradez, até nas negociações e no senso de oportunidade. Ufa!

Numa análise do dito pelo presidente da Petrobras, nos chama a atenção a sua absoluta falta de conhecimento sobre o que propaga e fala. Causa-nos esgar mesmo, nunca li tantas asneiras ditas na reportagem e na mídia falada e escrita para justificar o injustificável. É inadmissível, por exemplo, que um presidente de uma companhia do porte da Petrobras não saiba que em Carcará não tem praticamente CO2 e H2S, sendo uma acumulação, e não um Campo, como dito, por absoluta falta de delimitação e de um Plano de Desenvolvimento, o que dará, certamente, uma melhor remuneração aos seus investidores, quer seja quando provar maiores volumes, seguramente, ou também via vazões dos seus poços elevadas, em torno de 40 a 50 mil boe/dia por poço, justo pela elevada pressão lá existente e comprovadamente comunicada dos seus reservatórios, que garante a continuidade da acumulação a níveis inimagináveis, a julgar pelo já constatado. Será a melhor antecipação de caixa de um projeto, algo quase utópico desejado por todos em todo o pré-sal. E o que o cidadão presidente fala? Justo o contrário.

Se olhamos as ofertas a Petrobras, vis-à-vis com a das outras empresas que obtiveram áreas, veremos quão díspares foram os comportamentos de cada uma, ao analisarmos o que foi pago por cada empresa e quão desasjustadasforam as ofertas dos consórcios liderados pela Petrobras.

Primeiro, para uma análise honesta, é necessário separarmos os ativos unitizáveis dos demais. Os primeiros, os unitizáveis, sem absolutamente quaisquer riscos exploratórios e explotatórios, foram naturalmente os mais procurados e os resultados do leilão são iguais aos das previsões, fora os preços, feitas por quaisquer negociadores de ativos de produção com mediano conhecimento, posto que os donos dos ativos foram os ganhadores, pois como os reservatórios têm ou das continuidades físicas com os reservatórios já em produção, as ofertas com volumes de pequena monta no entornos dos campos são econômicas somente para os donos dos campos, pois são marginais, para os novos potenciais atores, exceto, é claro, a área de Carcará Norte, contígua a acumulação de Carcará. Surpresa foram os exorbitantes valores em óleo excedente ofertados pela Petrobras para a União, bastaste diferentes dos ofertados pelo consórcio capitaneado pela Shell, que ofereceu 11,53% em óleo excedente existente na continuidade Sul do Campo de Gato do Mato, dela própria, quando comparados aos 80% oferecidos pelo consórcio da Petrobras, pelo óleo do entorno do Campo de Sapinhoá,ou mesmo quando comparamos com os 67,12% do consórcio formado pelas STATOIL, EXXON e GALP, por razões absolutamente diferentes. Estamos, portanto, falando agora do melhor ativo unitizável ofertado, vizinho da acumulação de Carcará, vergonhosamente vendida pela Petrobras há pouco, a sua participação de 66% que detinha, para a STATOIL, por preço irrisório.

Detalhando, primeiro em termos volumétricos, é quase consenso entre quem avaliou a acumulação de Carcará e tem coragem e a liberdade de dizer, que os volumes de Carcará são da ordem de 2,0 bilhões boe, numa probabilidade maior que 80%, segundo as análises probabilísticas, ou, mesmo nas determinísticas, baseando-se nas características apresentadas pelo reservatório.

Chamo a atenção de todos pela magistral atuação da estatal norueguesa STATOIL nas negociações de Carcará e Carcará Norte. Considerando apenas o volume mais provável, a STATOIL pagou a Petrobras U$ 2,5 bilhões por 66% do volume de 2,0 bilhões boe recuperáveis (avaliou em 1,3 bilhões boe) ou seja, comprou cerca de 1,32 bilhões de barris boe que ao preço de hoje, valeria, a U$ 5,0/boe, algo como U$6,6 bilhões, pelo petróleo ainda enterrado. Este valor é bem compatível com os preços internacionais para negociação de ativos com o porte do volume descoberto e avaliado. Ato contínuo a STATOIL adquire mais 10% da QGE&P, pelo mesmo valor, de acordo com o percentual, e se torna a mais provável ofertante para a continuidade da acumulação, o ativo Carcará Norte, com volumes estimados, também com a probabilidade de 80%, em torno de 2 bilhões boe. Como a área norte ainda era bastante promissora a STATOIL, sabiamente, faz a EXXON, ávida por estrear no mercado brasileiro para ter ativos, fazer um carrego em 36,5% no ativo Carcará (33% dos 66% da Petrobras e 3,5% dos 10% da QGe&P) recebendo U$ 1,3 bilhões, ficando com 760 milhões de barris em Carcará e deixando a EXXON com o mesmo montante no ativo, além da GALP com 400 milhões boe e a BarraEnergia com 200 milhões boe. O que mais a STATOIL negociou com a EXXON, como presumo, ficou em segredo entre empresas, provavelmente com a participação da portuguesa GALP, partícipe também do negócio global, segundo noticiado. Desconfio que a Statoil se deu mui melhor adicionalmente em termos de carrego, além dos valores pagos e anunciados. Ato seguinte, o consórcio formado por estes mesmos atores, exceto a BarraEnergia, compra os 32,88% (pois ofertou 67,12% para a União em óleo excedente) de 2,0 bilhões boe ofertados no leilão de Carcará Norte, ou seja 657 milhões boe, pagando bônus de apenas U$ 910 milhões por 100% do ativo, ficando a Statoil com 263 milhões boe, a Exxon com o mesmo valor e a GALP com 131,5 milhões boe. Assim as Statoil e Exxon ficam cada, nas duas áreas unitizäveis (facilitando as operação e as atividades futuras, eliminando a necessidade de arbitragens) com cerca de 1,023 bilhões boe, a GALP com 531,5 milhões boe e a BarraEnergia com os mesmos 200 milhões boe ou 5% do volume total encerrado nas duas áreas, agora unificadas, uma sob regime de concessão onde as empresas ganharão fortunas, outra sob o regime de partilha onde todos ganharão, principalmente o governo brasileiro, perdendo apenas a nossa estatal Petrobras sob a égide da atual e “competente” administração formada por “verdadeiros inocentes” cujo gestor mor diz em reportagem para o sítio PetroNotícias com a redundância do nós: “...o campo de Carcará e vocês vão se lembrar que nós há um ano quatro meses, nós vendemos a nossa participação nesse campo para a Statoil. Então não faria sentido vender a participação naquele momento e entrar agora na unitização.”

Fazendo-se agora as contas frias, cada companhia, com a cotação de U$5,00/boe ainda enterrado, têm em mãos, em óleo recuperáve,l com parte já do volume como recuperável provado, cerca de U$ 5,11 bilhões cada, a STATOIL e EXXON; a GALP tem U$ 2,66 bilhões e a BarraEnergia U$ 1,00 bilhão. A Petrobras chupa manga e o governo abocanhara, além e U$ 900 milhões, mais um elevado montante na participação em óleo excedente, por ocasião da produção. A Galp, não operadora, também foi a meu ver a grande beneficiada, pois além de permanecer no negócio Carcará, aumentou a sua participação também adquirindo 20% de Carcará Norte. E ainda temos o desplante de fazermos piada de portugueses no Brasil que devem estar em pleno regozijo com a “esperteza dos gestores” da Petrobras. Por tudo isso a STATOIL pagará apenas U$ 1,78 bilhão, já incluídos neste valor as despesas já feitas em Carcará pelo antigo consórcio com gastos, que calculo, da ordem de U$ 800 milhões na perfuração de poços, aquisições sísmicas etc., dos quais U$ 204 milhões adquiridos, são da STATOIL, e devem ser diminuídas dos U$1,78 bilhões pagos. A parte oculta da negociação entre a EXXON, GALP e STATOIL ninguém sabe ou jamais saberá pois é segredo industrial. Desconfio que todos se deram bem. A EXXON por adquirir ativos no Brasil por bom preço, marcando a sua retomada ao mercado brasileiro abandonado já há algum tempo.. A GALP, juntamente com a STATOIL por permanecer e ampliar os ativos, por preços de banana, eliminando potenciais arbitragens futuras e BarraEnergia que preservou seu ativo, em termos volumétricos. Era carrego tipo esse, o feito pela STATOIL e GALP com a EXXON que a Petrobras deveria ter feito há uma ano e quatro meses, como eu tinha sugerido antes do fechamento do negócio com o ativo Carcará, pelos “magníficos gerentes e eminentes gestores" da equipe do senhor Pullen Parente, incluindo-o, ao invés de vender Carcará por preço de banana podre e envergonhados, para não mostrar incoerência deixar de exercer a preferência de 30% que detinha em Carcará Norte, como os próprios senhores afirmaram na reportagem.

Se o objetivo da ação foi enfraquecer a Petrobras os senhores acertaram na mosca. Se não, o que não entra na minha cabeça, então aprendam senhores “gestores eficientes” da Petrobras como os noruegueses, portugueses e gringos da EXXON, que montam ou obtêm maiores participações em ativos energéticos ao redor do mundo, que os senhores teimam em chamar de commodity para enganar a população do Brasil..

O único lado bom das negociações e dos percentuais estúpidos, pagos pela Petrobras em óleo excedente, é que a grana, via óleo, após despesas, ficará para o Brasil que, por outro lado, perderá muito como acionista da Petrobras além dos minoritários, valores estes, felizmente, mínimos, face aos pequenos volumes negociados em todas as áreas unitizáveis, exceto Carcará Norte, que se tiver comprovado o volume recuperável de óleo que calculei, de 12 bilhões boe (nas áreas somadas de Carcará e Carcará Norte), com probabilidade de 15%, com base nas características favoráveis encontradas nos reservatórios, a nação abocanhará 67,12% dos 6 bilhões boe, de Carcará Norte, na partilha, e outro percentual relevante de Carcará, em regime de concessão. A Petrobras por inação e ignorância dos seus dirigentes foi a grande perdedora, apesar do Pullen Parente séquito se jactarem de terem feito um bom negócio. Negócio tão bom que a Shell, concorrendo sozinha, ofertou os mesmos U$ 900 milhões e 50% em óleo excedente apenas na área Norte, mesmo tendo que, depois, unitizar a área com a de Carcará, de propriedade do consórcio vencedor. Mesmo assim tentou abocanhar a área Norte de Carcará, sem sucesso pois foi confrontada por negociadores hábeis das empresas compradoras. Com tais números ainda temos que ouvir suspiros e gritos de sucesso da atual administração da Petrobras.

Fora as áreas unitizáveis, nas demais áreas, de elevado risco exploratório, a Petrobras também teve atuação desastrosa. Comparem os valores pagos pela Petrobras e consórcio em óleo excedente de 75,8% no Alto de Cabo Frio Central e os 76,96% pagos em Peroba, com os 22,8% pagos pelo consórcio liderado pela Shell, na área de Cabo Frio Oeste. É certo que em área fechada estuturalmente e em sistema petrolífero interpretado, a área de Cabo Frio Central é um pouco melhor que a Oeste. Entretanto, ambas têm o risco da não ocorrência das rochas reservatórios principais, os microbiais, face a proximidade das fontes arenosas, podendo ter, alternativamente reservatórios conglomeráticos altamente permo-porosos como os existentes no Campo de Carmópolis na Bacia Se-Al, ou conglomerados sujos pouco porosos e permeáveis, como os existentes no campo de Camorim, na mesma bacia, que se constitui num elevadíssimo risco exploratório e explotatório. Também o selo de sal, em ambas as áreas pode ser ineficiente, aumentando ainda mais o risco. Já em Peroba os maiores riscos são a ausência de geradores na área, e de dutos capazes de terem transportado o óleo de um gerador distante, para os reservatórios estruturados da área. Também se o gerador conhecido mais próximo for o mesmo de Júpiter, Peroba pode ser portador de CO2 com percentuais da ordem de 70% semelhante a Júpiter, o que será um desastre. De todo o modo os gastos que todos os consórcios serão, além do ínfimo bônus, feitos na melhoria do imageamento sísmico e a na perfuração dos poços, para comprovar quais os fluidos presentes nos reservatórios encerrados nas grandes estruturas, comuns em todas as áreas. Curiosos é que a grande mídia e Pullen Parente e séquito tratam dos dois leilões como se fossem absolutamente iguais até mesmo os potencias volumes produzíveis. Verdadeiras bobagens e contas absurdas são feitas sem quaisquer separações do joio do trigo. Uma avalanche de ignomínias ditas por “especialistas, ”que chamo de papagaios que parolam o que ouvem sem quaisquer aferições recomendadas ao verdadeiro jornalismo. Afortunadamente há grandes excessões escondidos na mídia e na internet. Felizmente.

Oxalá que inexistam tais fatores de risco das áreas problematicas, pois assim serão, verdadeiramente, feitos grandes investimentos no Brasil. Infelizmente a Petrobras não se beneficiará substancialmente dos bons resultados que expectamos, por pura teimosia dos seus “gestores” de abandonarem o óleo certo e comprovado de Carcará e Carcará Norte, e por oferecerem elevados percentuais de óleo excedente em Sapinhá e nas áreas de alto risco. Oxalá também que a equipe de Parente e séquito não divulguem prematuramente as suas preferências, mesmo as desastradas como a de não compra de Carcará Norte, para que os atores possam investir nas fronteiras exploratórias, algo só feito no Brasil pela “quebrada” Petrobras que insiste em dar bons resultados, para a decepção de muitos inclusive os maiores, do seu próprio intestino.

E a grande imprensa elogia, com júbilo, a gestão mentirosa da Petrobras e endeusa o Pullen Parente. Vá entender?

Referência


Petronoticias. (2017). PRESIDENTE DA PETROBRÁS SE DIZ FELIZ COM RESULTADOS DO LEILÃO E QUE A COMPANHIA CONTINUARÁ A SER SELETIVA. Fonte: https://www.petronoticias.com.br/archives/104876

 

Última modificação em Terça, 07 Novembro 2017 16:25
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