Neoliberalismo é terreno fértil para o fascismo
Carlos Eduardo Martins é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia (LEHC). Para Martins, ao contrário do que se pensa, o neoliberalismo não diminuiu a intervenção do Estado na economia. Nos países dominantes ela aumentou, pressionada pelo setor de serviços, sobretudo ligado à Saúde, como ocorre nos Estados Unidos.
No entanto, ele adverte que enfrentar o aumento do gasto público com a ideologia liberal, de corte de impostos, implica em alto risco político.
Por sua vez, a China, por ser um país com forte presença do Estado, tem enormes vantagens estratégicas também pela “revolução industriosa” que comanda, na qual os custos de gestão são muito mais baratos que nos EUA e estão atrelados ao fortalecimento da classe trabalhadora.
Nesta entrevista ao AEPET TV, o professor da UFRJ não projetou bom horizonte para o Brasil. Apesar do reconhecido potencial, o país está diante de desafios estruturais, pois há décadas vivencia a reprimarização de sua economia, mantendo-se dependente dos fluxos de capitais estrangeiros.
“O Estado tem que ser o grande promotor do desenvolvimento, mas, para tanto, no Brasil ele precisa se libertar das amarras do setor financeiro e suas políticas de austeridade”, resume Martins.