
Sob Lula a Petrobrás não quebrou, dobrou
Por mais que o mercado relute em admitir, a história recente mostra que subestimar a Petrobrás sob Lula tem custado caro.
Quando Lula reassumiu a Presidência em janeiro de 2023, o diagnóstico dominante no mercado era quase unânime: a Petrobras seria vítima de ingerência política, perderia valor e deixaria de ser um ativo atrativo.
Um ano depois, os fatos desmontaram essa tese. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato, a PETR4 acumulou alta de pouco mais de 96%, figurando entre os papéis de melhor desempenho da Bolsa brasileira.
Não foi sorte, mas sim, estratégia!
O erro do mercado naquele momento foi analisar a Petrobras apenas sob o prisma ideológico, ignorando fundamentos operacionais e decisões estruturais.
Lula deixou claro desde o início que não governaria a estatal para agradar o curto prazo financeiro, mas também não aceitaria transformá-la em instrumento de improviso político. O resultado foi uma Petrobras mais integrada, mais produtiva e, ironicamente para seus críticos, mais valiosa.
A decisão mais simbólica (e talvez mais importante) foi interromper o processo de venda das refinarias herdado da gestão Bolsonaro. Enquanto o discurso liberal tratava o refino como ativo dispensável, a realidade operacional mostrou o oposto.
Refinaria é margem, previsibilidade e controle da cadeia. Ao manter o parque de refino, a Petrobras passou a operar com índice médio de utilização próximo de 92%, um nível elevado mesmo em comparação a grandes petroleiras globais.
Essa escolha mudou a dinâmica da empresa. Com refinarias cheias, a Petrobras reduziu dependência de importações, ampliou a venda de derivados no mercado interno e fortaleceu seu fluxo de caixa. O mercado percebeu, ainda que tardiamente, e reprecificou o ativo em 2023.
Agora, com 2026 já em curso, último ano do terceiro mandato de Lula, o ambiente volta a lembrar aquele início de ciclo, pois a estatal sobe praticamente 9% mesmo após os sequestros de Maduro e do petróleo da Venezuela, pelo governo Trump.
Contudo, há ruído político, desconfiança embutida nos preços e um certo ceticismo que insiste em ignorar os fundamentos. É justamente nesse ponto que a assimetria aparece (pelo menos em minha análise).
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O petróleo voltou a se sustentar acima de US$ 60 o barril, mas o fator decisivo está no cenário geopolítico. A iminente escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, caso evolua para um conflito mais direto ou para bloqueios estratégicos no Oriente Médio, tem potencial real de empurrar a cotação do Brent para a faixa de US$ 80 o barril ou até acima.
Historicamente, choques dessa natureza comprimem oferta, elevam prêmios de risco e favorecem produtores com baixo custo e cadeia integrada. Ou seja, poucas empresas se encaixam tão bem nesse cenário quanto a Petrobras.
Afinal, ela contempla produção crescente no pré-sal, custos competitivos, refinarias operando próximas do limite e uma estrutura que captura valor em diferentes etapas do negócio. Em outras palavras, uma companhia preparada para atravessar volatilidade e transformar instabilidade global em geração de caixa.
O argumento mais forte a favor da Petrobras em 2026, porém, não está apenas no petróleo. Está no precedente. Lula já mostrou, dentro do mesmo mandato, que consegue conduzir a empresa a uma forte valorização sem desmontá-la ou entregá-la ao curto prazo financeiro.
A alta de pouco mais de 96% da PETR4 em 2023 não foi um desvio estatístico, foi consequência direta de decisões estratégicas que o mercado inicialmente rejeitou e depois correu para precificar.
Que fique claro! Nada garante que 2026 repetirá exatamente 2023, já que o mercado nunca se repete de forma mecânica, mas a combinação de petróleo potencialmente mais caro, refino preservado, produção eficiente e uma Petrobras mais madura, sugere que o risco pode estar menos na empresa e mais na leitura apressada que o mercado insiste em fazer dela, ainda mais em ano eleitoral onde os instintos dos analistas afloram seus vieses.
Concomitantemente, 2026 é ano de queda na SELIC. Em anos assim, o fluxo estrangeiro entra com força e, geralmente, blue chips são reprecificadas com força também.
Portanto, acredito que o primeiro ano do terceiro mandato (2023) serve de lição: apostar contra a Petrobras sob Lula tem sido um erro recorrente do mercado. E o último ano desse ciclo (2026) pode, mais uma vez, surpreender quem confunde barulho político com fundamentos econômicos.
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