Medidas intervencionistas de Trump reforçam importância do retorno da Petrobrás ao setor de fertilizantes

Atualmente, o país importa entre 90% e 97% dos fertilizantes utilizados pela agroindústria nacional, sendo que 42% dos países fornecedores estão sob sanção ou intervenção dos Estados Unidos

Publicado em 26/01/2026
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Solenidade de reabertura da Fafen PR, em agosto de 2024/Foto: Ricardo Stuckert

Com a escalada de intervenções anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que colocam em xeque a soberania e a autodeterminação dos povos de países do Sul Global, torna-se cada vez mais urgente que o Brasil adote medidas de fortalecimento da sua segurança energética e alimentar. No rastro do saqueio do petróleo venezuelano, após o golpe em curso no país, com sequestro e prisão ilegal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Trump anunciou que irá impor uma tarifa adicional de 25% sobre todas as transações comerciais com nações que mantiverem negócios com o Irã.

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A medida pode afetar diretamente o setor agrícola do Brasil, já que 79% dos produtos comprados do Irã são adubos e fertilizantes. Levantamento feito pelo Insper Agro aponta que, em 2024, o Brasil importou entre 90% e 97% dos fertilizantes utilizados pela agroindústria nacional, sendo que 45% dos países fornecedores são considerados geopoliticamente instáveis.

Segundo o estudo, o Brasil continua sendo o maior importador mundial destes insumos, consumindo 23% de toda a demanda global. Para se ter uma ideia do impacto das medidas de Trump, 42% das importações de ureia são oriundas de países que estão sob sanção ou intervenção dos EUA: Rússia (que atende 20% da nossa demanda nacional), Irã (responsável por 17% das nossas importações) e Venezuela (que responde por 5%).

Ou seja, a soberania alimentar do Brasil está seriamente em risco, dadas as incertezas geopolíticas, que apontam para mais um choque internacional nos preços dos fertilizantes. Importante lembrar que em 2022, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, os preços dos insumos tiveram uma alta de 129%.

É em meio a este cenário, que a Petrobrás, finalmente, retoma a operação e produção de suas fábricas de fertilizantes, após o intenso desmonte feito pelos governos Temer e Bolsonaro, que resultou no fechamento da Fafen PR, na paralização das obras de conclusão da planta do Mato Grosso do Sul (UFN3) e no arrendamento e posterior hibernação das fábricas da Bahia e de Sergipe.

No Paraná, a Fafen já está produzindo ARLA 32, que é essencial para a redução de poluentes de motores a diesel, e em fevereiro, volta a produzir ureia. Em Sergipe, a unidade iniciou nas últimas semanas a produção de amônia e de ureia, e na Bahia, a previsão é de que a fábrica volte a operar até o fim de janeiro. Já a Fafen MS está em processo de licitação para retomada das obras, com previsão de entrar em operação até 2029. Juntas, as unidades do PR, BA e SE responderão por 20% de toda a demanda de ureia do Brasil, percentual que chegará a 35% quando a UFN3 entrar em operação.

O retorno da Petrobrás ao segmento de fertilizantes é uma das principais bandeiras da categoria petroleira, que chegou a fazer uma greve histórica em fevereiro de 2020, contra o fechamento da Fafen Paraná e a demissão sumária de seus trabalhadores. Desde a transição para o governo Lula, a FUP tem defendido a pauta dos petroleiros e petroquímicos em negociações junto aos órgãos do governo federal e às diretorias da Petrobrás, bem como por meio de assentos em Conselhos Nacionais, não só para viabilizar a reabertura das fábricas, mas também para garantir direitos e condições seguras de trabalho.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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