
China e Brasil: uma aproximação recíproca que transcende montanhas e mares
O que os ‘Cinco Programas’ significam para a América Latina e o Caribe? E quais oportunidades eles trazem para o Brasil?
Há um ano, o presidente Xi Jinping anunciou, na cerimônia de abertura da Quarta Reunião Ministerial do Fórum China–Celac, o lançamento conjunto entre a China e os países da América Latina e o Caribe (ALC) dos “Cinco Programas” da Solidariedade, do Desenvolvimento, da Civilização, da Paz e da Conectividade entre Povos, apontando a direção para que os dois lados avancem juntos rumo à modernização.
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Ao longo de mais um ano, as duas partes trabalharam em estreita cooperação para transformar esses programas em resultados concretos e em benefícios reais para seus povos. Em meio a uma conjuntura internacional marcada por incertezas e desafios, o que os “Cinco Programas” significam para a América Latina e o Caribe? E quais oportunidades eles trazem para o Brasil? Gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre essas questões.
Os “Cinco Programas” representam apoio e força. Sob a orientação do Programa da Solidariedade, a confiança política mútua entre a China e a América Latina e o Caribe tem se aprofundado, consolidando o consenso entre os países do Sul Global na defesa do multilateralismo e na busca pelo desenvolvimento comum.
Sendo parceiros em seus respectivos caminhos para a modernização, a China e o Brasil sempre estiveram na vanguarda da cooperação entre a China e a América Latina e o Caribe. Nos últimos anos, sob a orientação estratégica dos dois chefes de Estado, as relações sino-brasileiras deram um salto histórico, passando de uma parceria estratégica global para uma comunidade de futuro compartilhado, tornando ainda mais evidente o seu impacto global, estratégico e de longo prazo.
No âmbito do Programa da Paz, a China e o Brasil mantêm estreita comunicação e coordenação sobre temas internacionais de grande relevância, incluindo a crise ucraniana e a questão do Oriente Médio, demonstrando plenamente a assunção de responsabilidades dos grandes países emergentes na promoção do diálogo e negociações de paz, na defesa do multilateralismo e da equidade e justiça internacionais, contribuindo continuamente para a paz e a estabilidade em um mundo turbulento.
A China sempre apoiou o Brasil na defesa de sua autonomia e na busca de um desenvolvimento ainda maior e sempre foi e continuará a ser uma parceira confiável da América Latina e do Caribe. Estamos dispostos a trabalhar em conjunto com os países da região, incluindo o Brasil, para que a cooperação sino-brasileira de alto nível continue impulsionando a cooperação entre a China e a América Latina e o Caribe e para promover a construção da comunidade China–ALC com um futuro compartilhado a níveis cada vez mais elevados.
Os “Cinco Programas” trazem prosperidade e oportunidades. Sob o impulso do Programa do Desenvolvimento, em 2025, o comércio entre a China e a América Latina e o Caribe atingiu US$ 549 bilhões, com o estoque de investimentos chineses superando os US$ 600 bilhões, e foram implementados mais de 200 projetos de infraestrutura na região, criando mais de 1 milhão de postos de trabalho.
O comércio bilateral sino-brasileiro alcançou a marca histórica de cerca de US$ 171 bilhões em 2025, consolidando a China, pelo 17º ano consecutivo, como o principal parceiro comercial do Brasil.
Nos últimos anos, a China e o Brasil não apenas vêm consolidando os pilares tradicionais da cooperação como agricultura, energia e infraestrutura, mas também vêm promovendo um alinhamento profundo nos setores de vanguarda como transição ecológica, economia digital, inteligência artificial e área aeroespacial, entre outros, trazendo benefícios concretos para ambos os povos.
Com a plena implementação do 15º Plano Quinquenal da China, ampliaremos ainda mais a abertura de alto nível ao exterior e expandiremos ativamente as importações, compartilhando com o mundo as oportunidades oferecidas pelo vasto mercado da China e promovendo o desenvolvimento de alta qualidade da construção conjunta do Cinturão e Rota, de modo que os frutos da abertura beneficiem ainda mais os povos da China, do Brasil e de toda a América Latina e o Caribe.
Estamos convictos de que isso não apenas trará novas oportunidades para a parceria sino-brasileira, mas também fornecerá um forte impulso aos respectivos processos da modernização da China, do Brasil e da região, promovendo a prosperidade compartilhada.
Os “Cinco Programas” fortalecem o conhecimento mútuo e o aprendizado recíproco entre civilizações. No âmbito dos Programas da Civilização e da Conectividade entre Povos, a China e a América Latina e o Caribe continuam a aprofundar o intercâmbio entre civilizações e a estreitar os laços de amizade entre os nossos povos.
Novas edições do Fórum de Diálogo entre as Civilizações da China e da América Latina e do Caribe, do Fórum de Think Tanks e do Fórum de Desenvolvimento foram realizadas sucessivamente com êxito. Grupos artísticos chineses, exposições culturais itinerantes e festivais de cinema chinês chegaram a vários países latino-americanos, despertando um crescente interesse pela China na região.
Celebramos este ano o Ano Cultural China-Brasil, durante o qual uma série de atividades culturais vem sendo realizada na nossa jurisdição consular, demonstrando a vitalidade sem precedentes dos intercâmbios culturais sino-brasileiros.
A Companhia Nacional da Ópera de Pequim realizou uma turnê no Brasil, trazendo ao público brasileiro uma experiência única com a arte tradicional chinesa; a exposição especial O Sabor que Atravessa Montanhas e Mares – A Rota do Chá e a Travessia do Café, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais, contou a história do intercâmbio e do aprendizado mútuo entre as civilizações chinesa e brasileira; e o Centro de Livros da China foi inaugurado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, abrindo uma nova janela para que os brasileiros conheçam melhor a China.
A Lagoa Rodrigo de Freitas recebeu a primeira competição de barcos-dragão, e a exposição Sabores da Tradição – História da Alimentação na China Antiga estreou no Museu Histórico Nacional do Brasil, proporcionando ao público brasileiro uma experiência imersiva da riqueza da cultura tradicional chinesa.
Com a implementação sucessiva das políticas de isenção de vistos para os cidadãos de ambos os países, os intercâmbios interpessoais têm se intensificado, e os povos da China e do Brasil estão mais próximos, unidos por laços de amizade cada vez mais fortes, o que fortalece ainda mais a base popular para a construção de uma comunidade China–Brasil com um futuro compartilhado.
Sob a orientação dos “Cinco Programas”, os intercâmbios e a cooperação entre a China e a América Latina e o Caribe em diversos campos contam com bases sólidas, forte resiliência, apoio popular e perspectivas promissoras. A aproximação mútua e o avanço conjunto entre a China e a América Latina e o Caribe representam uma tendência histórica irreversível.
O Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro está disposto a trabalhar com os diversos setores da nossa jurisdição consular, tendo o Ano Cultural China–Brasil como oportunidade para construir pontes que aprofundem os intercâmbios e a cooperação bilateral em todos os domínios, contribuindo para a construção conjunta de uma comunidade China–Brasil com um futuro compartilhado e para que os “Cinco Programas” China–ALC alcancem novos resultados concretos.
Tian Min é cônsul-geral da China no Rio de Janeiro.
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