
As catástrofes que ameaçam o futuro da Humanidade com o colapso de tudo no século XXI
Cada país deve ser soberano para atuar nos limites de seu território e não para intervir nos assuntos internos de outros países.
Este artigo tem por objetivo apresentar as catástrofes que ameaçam o futuro da humanidade com o colapso de tudo no século XXI e como evitar sua ocorrência. Catástrofe é um evento grave, súbito e destrutivo que causa grandes prejuízos materiais, impactos socioeconômicos e perda de vidas. Estamos vivendo tempos de catástrofes que Adam Tooze e o Fórum Econômico Mundial chamam de policrise, quando diversas crises ou catástrofes díspares interagem de modo que o todo se torna mais perigoso do que cada uma de suas partes. As catástrofes que ameaçam o futuro da humanidade são as seguintes: 1) Catástrofe econômica com a possibilidade de depressão econômica mundial; 2) Catástrofe ambiental com a ultrapassagem dos limites planetários; 3) Catástrofe com o uso da inteligência artificial ao provocar o desemprego em massa e a perda do controle humano; 4) Catástrofe social com o risco de eclosão de revoluções sociais ou golpes de estado; 5) Catástrofe com a ascensão do neofascismo no mundo com a crise do capitalismo contemporâneo; 6) Catástrofe da disseminação de guerras e de eclosão da Terceira Guerra Mundial; 7) Catástrofe da competição geopolítica com o bloqueio da cooperação internacional; e, 8 ) Convergência de todas as catástrofes com a ameaça de colapso de tudo.
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- Catástrofe econômica com a possibilidade de depressão econômica mundial [1][2][3]
Existem claros sinais de desaceleração e vulnerabilidade econômica mundial que podem conduzir o mundo a uma depressão econômica. Uma nova Grande Depressão constitui atualmente o cenário mais provável porque existe uma combinação de vulnerabilidades que poderia produzi-la caso vários choques acontecessem simultaneamente. O Banco Mundial considera que energia cara, inflação crescente, endividamento elevado, conflitos geopolíticos e fragmentação comercial reduzem a margem de manobra dos governos para evitar a depressão econômica. O perigo maior seria uma reação em cadeia como as guerras prolongadas como as da Ucrânia e do Irã, o petróleo e o gás natural exorbitantemente mais caros, o aumento das taxas de inflação, a política de juros elevados para combater a inflação, a queda do investimento público e privado, a crise de dívida pública crescente dos governos, as falências de empresas, o desemprego em massa, a queda do consumo e a recessão internacional. Uma crise financeira de grande magnitude acrescentada a esse processo poderia fazer surgir uma depressão mundial comparável, em algumas dimensões, à da década de 1930. Há ainda uma característica nova: a economia mundial tornou-se extraordinariamente interdependente. Cadeias de suprimentos, mercados financeiros, semicondutores, energia, fertilizantes, alimentos e infraestrutura digital fazem com que crises inicialmente locais e regionais possam transmitir seus efeitos rapidamente para outros continentes. Isto significa dizer que a ameaça econômica fundamental não é simplesmente uma recessão econômica, mas uma eventual crise sistêmica global em que problemas financeiros, energéticos, comerciais e geopolíticos se reforcem mutuamente e resultem em uma depressão econômica mundial. Os principais fatores que podem contribuir em conjunto para uma depressão econômica mundial nas condições atuais são os seguintes: 1) Dívida global insustentável que ultrapassou 360% do PIB global; 2) Fragmentação geopolítica e guerra comercial; 3) Crise energética prolongada; 4) Estagflação estrutural; 5) Sistema financeiro sombra e bolhas de ativos; 6) Riscos ambientais de longo prazo; 7) Desglobalização e quebra de cadeias produtivas; 8 ) Desigualdade e colapso da demanda; 9) Automação por Inteligência Artificial e desemprego tecnológico; e, 10) Crise demográfica e fiscal. O crescimento baseado na extração ilimitada de recursos e na financeirização desregulada gera instabilidade sistêmica, desigualdade extrema e o risco de estagnação prolongada ou depressão severa.
- Catástrofe ambiental com a ultrapassagem dos limites planetários [4][5][6][7][8]
O estudo de Richardson, Rockström e colaboradores sobre os limites planetários concluiu que seis dos nove limites analisados já haviam sido ultrapassados, indicando que a humanidade está operando fora de uma zona ambiental considerada segura em várias dimensões do sistema terrestre. O modelo dos limites planetários, proposto em 2009 por Johan Rockström, Katherine Richardson e um grupo internacional de cientistas, define nove processos do sistema terrestre que regulam a estabilidade e a habitabilidade da Terra. Ultrapassar esses limites aumenta o risco de mudanças ambientais irreversíveis. Os Nove Limites Planetários são os seguintes: 1) Mudanças climáticas; 2) Integridade da biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies); 3) Mudanças no uso do solo (como o desmatamento); 4) Fluxos biogeoquímicos (ciclos de nitrogênio e fósforo); 5) Uso global de água doce; 6) Acidificação dos oceanos; 7) Destruição da camada de ozônio estratosférico; 8 ) Poluição atmosférica por aerossóis; e, 9) Introdução de novas entidades (poluentes químicos, plásticos e organismos geneticamente modificados). A atualização de 2023 do framework de limites planetários, liderada por Richardson et al em Science Advances, quantificou pela primeira vez todos os nove processos e concluiu que seis foram transgredidos. Em 2025, o relatório Planetary Health Check elevou para sete, com acidificação dos oceanos. Johan Rockström descreve a Terra como paciente gravemente enfermo: "Não sabemos quanto tempo podemos continuar transgredindo esses limites antes que pressões combinadas levem a mudanças irreversíveis". O modelo dos limites planetários tem como conceito central a tese de que existe: 1) Espaço seguro que é uma faixa na qual a humanidade pode se desenvolver e prosperar; 2) Zona de risco que é uma área de transição onde há perigo de desestabilização; e, 3) Ponto de virada que é o limite crítico que, se cruzado, causa danos graves e permanentes ao planeta. A aceleração do aquecimento global aproxima a Terra dos chamados pontos de virada (tipping points), momentos em que mudanças no ecossistema tornam-se irreversíveis, como o derretimento do permafrost e a savanização da Amazônia.
- Catástrofe com o uso da inteligência artificial ao provocar o desemprego em massa e a perda do controle humano [9][10][11][12]
A inteligência artificial (IA) pode se constituir em uma das maiores forças de transformação econômica da história da humanidade. Entretanto, há dois riscos que precisam ser analisados separadamente: o risco socioeconômico de substituição acelerada do trabalho humano por máquinas inteligentes capazes de pensar e o risco, muito mais incerto, porém potencialmente catastrófico, de sistemas de IA suficientemente autônomos capazes de escaparem do controle humano. A atual revolução da IA se diferencia de grande parte das revoluções industriais anteriores porque não automatiza apenas trabalho manual e repetitivo. É importante destacar que os sistemas de IA provocarão desemprego em massa e, também, o consequente colapso socioeconômico porque, diferentemente das revoluções industriais anteriores, que substituíram a força física humana e mecânica, a revolução da IA ameaça substituir o trabalho humano cognitivo, intelectual e criativo. Haverá ameaça não apenas aos trabalhadores menos qualificados, mas também aos trabalhadores de colarinho branco mais qualificados cujas funções em áreas como direito, programação, redação, análise financeira e diagnóstico médico estão sendo rapidamente absorvidas por sistemas de IA generativos. Haverá concentração extrema de riqueza porque a automação massiva transfere o valor gerado na atividade produtiva diretamente para os donos do capital e das infraestruturas tecnológicas (as Big Techs), enquanto a classe trabalhadora perde poder de barganha e haverá ascensão da "classe inútil" porque a IA não apenas criará desemprego, mas tornará vastos grupos populacionais economicamente obsoletos e irrelevantes para o funcionamento da atividade produtiva, gerando crises de saúde mental e desestabilização política. Os sistemas de IA autônomos provoca um risco existencial para a humanidade com sua perda de controle pelos seres humanos porque existe a preocupação de longo prazo, alertada por cientistas da computação e filósofos, que envolve o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial Geral (AGI), um sistema capaz de compreender, aprender e agir melhor que um ser humano em qualquer tarefa. Os sistemas de IA autônomos requerem que seus objetivos sejam perfeitamente compatíveis com os interesses da humanidade, haja vista que uma IA autônoma com um objetivo desalinhado com os interesses da humanidade (mesmo que bem-intencionado) poderia destruir a humanidade como efeito colateral para otimizar sua tarefa.
- Catástrofe social com o risco de eclosão de revoluções sociais ou golpes de estado [13][14]15]
Crises econômicas prolongadas combinadas com desigualdade extrema, desemprego em massa, insegurança alimentar, erosão dos serviços públicos e ausência de perspectivas podem provocar deslegitimação das instituições políticas. As próprias Nações Unidas destacam que desigualdade, perda de confiança e fragmentação social estão desestabilizando sociedades, enquanto o balanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável revela progresso insuficiente ou regressão em grande número das metas estabelecidas para 2030. Thomas Piketty demonstra que desigualdade não é econômica ou tecnológica, mas ideológica e política. Em Capital and Ideology (2019), Piketty analisa regimes de desigualdade mantidos por ideologia. A elevação da desigualdade desde os anos 1980, somada a clivagens multidimensionais, dificulta a formação de plataforma comum para eleitores de baixa renda, gerando política do ódio e ascensão de extremos políticos. O World Inequality Database, base de Piketty, mostra concentração econômica crescente. A sequência histórica potencial para a catástrofe social e o risco de revoluções sociais ou golpes de estado seria a seguinte: crise econômica → desemprego em massa e empobrecimento da população → aumento da desigualdade → perda de confiança nas instituições → polarização política → crescimento de movimentos extremistas → revoltas → revoluções sociais ou golpes de estado → autoritarismo. Isto não significa dizer que toda crise econômica resulte inevitavelmente em revolução social visando uma mudança profunda, rápida e radical nas estruturas econômicas, políticas e culturais de uma sociedade ou golpe de estado visando a destituição ou a tentativa de derrubar um governo legítimo de maneira ilegal, violando as regras da Constituição do país para manter o status quo. Quando centenas de milhões de jovens em países de renda média perdem anos de educação e socialização, o potencial de ruptura social aumenta.
- Catástrofe com a ascensão do neofascismo no mundo com a crise do capitalismo contemporâneo [16][17][18][19][20]
É possível interpretar a ascensão contemporânea da extrema direita e de movimentos com características neofascistas como relacionados às crises e contradições do capitalismo mundial contemporâneo. A ascensão da extrema direita mundial pode ser relacionada às contradições do capitalismo contemporâneo, particularmente quando desigualdade, insegurança econômica, perda de perspectivas sociais e crises sucessivas convergem com reação cultural, nacionalismo, descrédito institucional e estratégias políticas autoritárias. Uma das conexões existentes entre crise do capitalismo e radicalização política passa pela diferença entre o desempenho agregado da economia e a experiência concreta das pessoas. Mesmo quando o PIB cresce, determinados segmentos podem experimentar ganhos com ascensão social e outros estagnação salarial, precarização, perda de empregos industriais ou deterioração relativa de sua posição econômica. Nesse contexto, pode surgir para as pessoas insatisfeitas uma percepção de que o sistema político representa prioritariamente as elites econômicas, financeiras ou culturais. Movimentos de extrema direita nrofascistas podem canalizar essa insatisfação utilizando uma combinação de nacionalismo, crítica às elites, defesa da ordem, oposição à imigração e rejeição de instituições consideradas distantes do cidadão comum. Outro mecanismo relevante é a erosão da confiança nas instituições. Quando as instituições parecem incapazes de resolver os problemas políticos, econômicos e sociais, abre-se espaço para líderes e partidos que apresentam a política como confronto entre dois campos — frequentemente “o povo” contra “as elites” — e propõem a adoção de ditaduras de direita como solução para os impasses institucionais. O International IDEA informou que, em 2024, 94 países, equivalentes a 54% dos países avaliados, apresentavam deterioração significativa em pelo menos um indicador de desempenho democrático em comparação com cinco anos antes.
- Catástrofe da disseminação de guerras e de eclosão da Terceira Guerra Mundial [21][22][23][24][25][26][27][28]
O perigo de uma Terceira Guerra Mundial provavelmente não surgiria de uma decisão inicial de realizar deliberadamente uma guerra destinada à destruição do planeta. O cenário mais plausível seria uma escalada progressiva. Uma guerra regional envolvendo grandes potências poderia levar à intervenção de aliados. Ataques convencionais poderiam atingir infraestrutura estratégica, ataques cibernéticos poderiam ser interpretados como preparação de um ataque nuclear, sistemas de alerta poderiam produzir informações equivocadas e armas nucleares de impactos mais limitados chamadas “táticas” poderiam romper o tabu nuclear dos países não utilizarem armas nucleares em suas guerras como o que pode acontecer na guerra da Ucrânia com o uso de armas nucleares pela Rússia e pela OTAN e na guerra do Irã com o uso de armas nucleares pelos Estados Unidos e por Israel. Depois do primeiro emprego nuclear, controlar a escalada seria extraordinariamente difícil. As consequências da guerra nuclear não se restringiriam às mortes provocadas diretamente pelas explosões das bombas. Um estudo de Lili Xia, Alan Robock e colaboradores, que simulou o cenário de uma guerra nuclear de grande escala entre Estados Unidos e Rússia, a ruptura do sistema alimentar poderia levar mais de 5 bilhões de pessoas à morte pela fome. Mesmo conflitos nucleares locais e regionais produziriam efeitos alimentares mundiais. Trata-se de modelagem científica, não de uma previsão de que tal guerra ocorrerá, mas ela demonstra a magnitude potencial das consequências. Uma guerra nuclear total poderia, portanto, destruir não apenas cidades e Estados envolvidos, mas o próprio funcionamento da civilização industrial mundial. Não é possível afirmar cientificamente que qualquer guerra nuclear necessariamente provocaria a extinção absoluta da espécie humana. Contudo, uma guerra termonuclear em larga escala constitui um dos poucos acontecimentos provocados pelo próprio ser humano capazes de gerar uma catástrofe verdadeiramente planetária que poderia levar à extinção da humanidade. A guerra nuclear diferencia-se porque pode produzir consequências globais devastadoras em questão de horas. O SIPRI Yearbook 2026 registra expansão e modernização dos arsenais nucleares e chama atenção para o aumento dos riscos de escalada nuclear. O instituto considera particularmente preocupante a deterioração dos mecanismos de controle de armamentos e a crescente interação entre capacidades nucleares, convencionais, cibernéticas e espaciais. O SIPRI Yearbook 2024 documentou que o número e tipos de armas nucleares em desenvolvimento aumentaram, com 12.121 ogivas totais, 9.585 em estoques militares e 3.904 implantadas com 60 a mais que em janeiro de 2023. O Global Risks Report 2025 listou conflito armado estatal como principal risco imediato para 2025, identificado por quase um quarto dos especialistas. A competição entre Estados Unidos, China e Rússia é descrita como Segunda Guerra Fria, com Taiwan, Ucrânia e Oriente Médio como flashpoints.
- Catástrofe da competição geopolítica com o bloqueio da cooperação internacional [29][30]
Uma escalada geopolítica mundial pode produzir choques econômicos sucessivos. Entre os possíveis mecanismos estão: a) guerras comerciais; b) tarifas protecionistas; c) sanções econômicas; d) ruptura das cadeias globais de suprimentos; e) crises energéticas; f) elevação dos preços do petróleo e gás natural; g) inflação elevada; h) aumento das taxas de juros; i) aumento do endividamento público e privado; j) queda dos investimentos; l) desemprego em massa; e, m) instabilidade financeira internacional. A UNCTAD considera que a economia mundial permanece exposta a choques geopolíticos, perturbações energéticas e instabilidade financeira. Uma escalada simultânea das rivalidades entre as grandes potências poderia transformar crises econômicas regionais em uma crise sistêmica mundial. A UNCTAD observa que tensões geopolíticas, mudanças nas políticas comerciais e crescente incerteza estão alterando as cadeias globais de valor e os padrões do comércio internacional. O imperialismo norte-americano contemporâneo não opera somente com porta-aviões, bases militares ou mísseis. Opera também através de sanções financeiras, tarifaços, controle de tecnologias estratégicas, restrições de exportação, controle de sistemas financeiros, domínio de cadeias produtivas, moedas internacionais, investimentos e infraestrutura. Surge assim aquilo que vem sendo denominado geoeconomia. O FMI alerta que a fragmentação geoeconômica pode afetar o comércio internacional, os fluxos de capitais, a migração, a difusão tecnológica e o fornecimento de bens públicos globais. Em cenários extremos, estimativas anteriormente apresentadas pelo FMI indicaram perdas que poderiam chegar a cerca de 7% do PIB mundial. Isto significa que uma nova Guerra Fria econômica poderia dividir progressivamente o mundo em blocos rivais. A fragmentação geoeconômica atual representa uma ameaça não apenas para o desenvolvimento econômico global e o combate à mudança climática, mas sobretudo para as relações internacionais que na ausência de cooperação internacional altamente coordenada, os problemas globais não têm chance de resolução eficaz. A fragmentação geoeconômica atual impede a mitigação dos conflitos internacionais ao reduzir a cooperação política e alterar as relações comerciais. As divisões geopolíticas não deveriam torpedear a luta climática para limitar o aumento da temperatura média do planeta em 1,5°C.
- Convergência de todas as catástrofes com a ameaça de colapso de tudo
O cenário mais grave para o século XXI não resulta necessariamente de uma única das sete catástrofes acima descritas, mas da convergência entre elas. Cada catástrofe funcionaria como multiplicadora das demais. É precisamente a interdependência entre catástrofes que caracteriza nosso período histórico.
- Conclusão sobre os rumos da humanidade no século XXI [31]
Há a compreensão de que a humanidade jamais possuiu tanto conhecimento científico, capacidade tecnológica e riqueza produtiva como a que dispõe atualmente. Temos potencial técnico para produzir alimentos para bilhões de pessoas, substituir grande parte dos combustíveis fósseis, automatizar trabalhos perigosos, combater doenças, explorar o espaço extra terrestre e disponibilizar praticamente todo o conhecimento humano instantaneamente. Ao mesmo tempo, nossa capacidade de autodestruição nunca foi tão grande como a que se registra atualmente. Temos uma economia mundial ameaçada de depressão econômica que opera sem uma eficaz coordenação, temos um meio ambiente global onde muitos de seus limites planetários já foram ultrapassados, estamos realizando uma revolução tecnológica com a utilização da inteligência artificial que produzirá desemprego em massa e riscos para a humanidade, temos um ambiente social catastrófico agravado pela desigualdade que poderá desencadear revoluções sociais ou golpes de estado em vários países, há uma proliferação de guerras com o risco de eclosão da Terceira Guerra Mundial com o uso de armas nucleares e a ameaça de extinção da humanidade, existe uma competição geopolítica exacerbada entre as grandes potências com o consequente bloqueio da cooperação internacional e vivenciamos a possibilidade de convergência de todas as catástrofes com a ameaça de colapso de tudo. Produzimos armas termonucleares, alteramos o sistema climático global, degradamos ecossistemas em escala planetária e estamos criando sistemas tecnológicos com capacidades crescentes enquanto as instituições políticas internacionais continuam fragmentadas em aproximadamente duzentos Estados soberanos concorrentes. O problema fundamental do século XXI pode, portanto, ser menos a insuficiência científica do que uma defasagem entre o poder tecnológico da humanidade e sua capacidade política de governá-lo.
Como impedir uma catástrofe global? Os tempos atuais não apresentam catástrofes isoladas, mas um sistema de catástrofes acopladas. Evitar as sete catástrofes acima descritas exigiria uma mudança profunda na governança mundial. Seria necessário reconstruir mecanismos de cooperação entre as grandes potências, recuperar tratados de controle e redução de armamentos nucleares. fortalecer instituições multilaterais, sobretudo a ONU, acelerar a transição da economia mundial baseada em combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono, preservar a biodiversidade e os recursos naturais, criar mecanismos internacionais de prevenção de crises financeiras e desenvolver um Contrato Social Planetário que contribua para a celebração da paz mundial e da cooperação entre os países do mundo inteiro.
O Capítulo 2 do livro de nossa autoria “Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade” intitulado “Como tornar realidade a utopia da paz mundial para evitar a eclosão de novas guerras, especialmente da 3ª guerra mundial”, deixa evidenciado que é chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos capazes de promover a construção da paz mundial e de exercer o controle de seu destino. Para alcançar estes objetivos, urge a implantação de um governo democrático do mundo que se constitui no único meio de sobrevivência da espécie humana. Para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que a se concretize a paz perpétua em nosso planeta, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial. O novo sistema internacional deveria funcionar com base em um Contrato Social Planetário. O Contrato Social Planetário seria a Constituição dos povos do planeta Terra. Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer a existência de um Governo mundial.
A preservação da paz deveria ser a primeira missão de toda nova forma de governo mundial. Ele teria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta compatibilizando-o com os interesses de cada nação. Para que isto aconteça, é preciso que exista uma governabilidade democrática do mundo com um governo mundial eleito por todos os países do mundo. Seu papel seria o de construir a governabilidade da economia e do meio ambiente global e a manutenção da paz mundial. Por seu intermédio, seria perseguida a defesa dos interesses gerais de todos os paises do planeta no plano das relações internacionais. Um governo democrático mundial zelaria no sentido de que seja respeitada a soberania de cada país porque atuaria no sentido de evitar que qualquer país intervenha nos assuntos internos de outros, sobretudo com intervenções militares. Ao contrário do que muitos pensam, a existência de um governo mundial não seria uma ameaça à soberania nacional sendo, pelo contrário, a garantia de que nenhum país interviria nos assuntos internos de outros países.
Além do Governo Mundial e do Parlamento Mundial, deveria ser constituida, também, a Corte Suprema Mundial que deveria ser composta por juristas de alto nivel do mundo escolhido pelo Parlamento mundial os quais atuariam por tempo determinado. A Corte Suprema Mundial deveria julgar os casos que envolvam litigios entre os paises, os crimes contra a humanidade e contra a natureza praticados por Estados nacionais e por governantes à luz do Contrato Social Planetário, julgar conflitos que existam entre o Governo Mundial e o Parlamento Mundial e atuar como guardiã do Contrato Social Planetário. O novo estado de direito internacional seria executado pelos três poderes constituidos: Governo Mundial, Parlamento Mundial e Corte Suprema Mundial. O poder mundial repousaria no Governo Mundial, no Parlamento Mundial e na Corte Suprema Mundial. O Governo Mundial não terá Forças Armadas próprias devendo contar com o respaldo de Forças Armadas dos países que seriam convocadas quando necessário. Com esta configuração proposta para a governança democrática do sistema internacional, nenhum país seria vassalo, portanto, do governo mundial.
O governo mundial atuaria apenas para fazer com que o sistema internacional evolua em um ambiente de paz entre as nações. Cada país deve ser soberano para atuar nos limites de seu território e não para intervir nos assuntos internos de outros países. O que não seria admitido é qualquer país intervir nos assuntos internos de outros países, sobretudo com o uso da força, como tem acontecido ao longo da história. O governo mundial seria a garantia do respeito à soberania dos países do mundo, especialmente dos mais fracos. A ausência de um governo mundial é que representaria uma ameaça à soberania nacional da maioria dos países porque ficariam à mercê dos mais fortes como tem ocorrido ao longo da história. Se qualquer país comprometer o ambiente de paz entre as nações, intervindo nos assuntos internos de outro país, o governo mundial atuaria para impedir que o agressor consuma seus propósitos através de ação diplomática ou, em caso de insucesso, inclusive com o uso da força. Para tanto, o governo mundial convocaria as forças armadas de determinados países para cumprirem o papel de impedir que qualquer país intervenha em outro fazendo uso da força.
Para viabilizar uma governança mundial, é preciso que, de início, exista um poderoso movimento mundial em defesa da paz mundial através de um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade a ser constituído por organizações da Sociedade Civil e governos de todos os países do mundo. Neste Fórum deveriam ser debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de constituição de um governo mundial, um parlamento mundial e uma corte suprema mundial visando sensibilizar a população mundial e os governos nacionais no sentido de tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade. Este seria o caminho que tornaria possível transformar a utopia do governo mundial em realidade. Sem a constituição de um governo mundial democrático, o cenário que se descortina para o futuro da humanidade será o de desordem econômica, política e social, da guerra de todos contra todos, e de extinção da espécie humana com o uso de armas nucleares pelos países contendores pelo poder mundial.
REFERÊNCIAS
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30. UOL. FMI alerta contra 'fragmentação geoeconômica' e defende reforço em cooperação. Disponível no website <https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2022/05/23/fmi-alerta-contra-fragmentacao-geoeconomica-e-defende-reforco-em-cooperacao.htm?cmpid=copiaecola>, 2022.
31. ALCOFORADO, Fernando. Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade. Editora CRV, 2024.
* Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Encestar Condiciones os Theo Economic ande Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024), How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024) e Agricultural Revolutions that changed the world in “Research trends in agricultural extension” (AkiNik Publications, 2026).
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