Analista vê BRICS em disputa de poder com o G7 após cúpula de Nova Délhi

Primeiro teste é a agenda de energia, natureza e inteligência artificial

Publicado em 01/10/2026
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Ministro e funcionários do Governo da Índia apresentam logo do Brics 2026 (foto Governo da Índia)

Os BRICS deixaram de ser um fórum de economias emergentes e passaram a disputar com o G7 as regras políticas, econômicas e financeiras internacionais. A avaliação é do analista Pietro Lora Alarcón, em artigo publicado na segunda-feira (28) pelo semanário colombiano Voz.

O texto analisa a declaração final de princípios aprovada pelo bloco nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Délhi, com linhas de ação em três eixos de governança global. Reuniram-se na capital indiana os cinco fundadores, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e os novos integrantes Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos.

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De pedido de cadeira a projeto de poder

O bloco nasceu na cúpula de Ecaterimburgo, na Rússia, em junho de 2009, para confrontar o G7 e o G20 e exigir maior incidência e representação das economias emergentes nas instituições financeiras internacionais. O G7 reúne Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Japão, França, Itália e Reino Unido, o núcleo que responde historicamente pelo comando dessas instituições.

A comparação entre a primeira declaração e a de Nova Délhi revela diferenças marcadas e uma perspectiva mais ofensiva. O que era reivindicação de voz nos organismos de crédito virou disputa pela governança política e econômica global, com compromisso declarado de maior alcance na paz, na segurança e na cooperação.

O que os três eixos disputam

Os eixos aprovados cobrem a governança política e de segurança, a econômica e financeira e a cooperação sociocultural entre os povos. Na frente econômica está em jogo a influência sobre as instituições que decidem o crédito internacional e o financiamento do desenvolvimento.

O compromisso com paz, segurança e cooperação entre Estados ganha peso num momento de guerras e sanções. O alcance declarado vai além dos governos e alcança as lutas populares contra o imperialismo e o neofascismo.

O resultado prático toca crédito, energia e desenvolvimento, os campos em que as regras globais definem o que cada país pode financiar e construir.

Cúpula sob cerco

Na avaliação de Alarcón, a República Islâmica do Irã estreou como membro pleno sob agressão militar dos Estados Unidos e respondeu com resistência político-militar. O analista também afirma que o Brasil atravessa o processo eleitoral de outubro sob interferência do presidente americano, Donald Trump.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) reforça no mesmo período a assistência militar à Ucrânia. Os preparativos da viagem de Xi Jinping aos Estados Unidos completam o cenário de pressão que cercou os trabalhos.

Ciclos intensos de reuniões preparatórias reuniram delegados de países parceiros, entre eles Vietnã, Nigéria, Uganda, Bielorrússia e Cuba. A base política da cúpula ficou maior que o grupo formal de dez membros.

O teste passa pela China

A China assume a presidência do bloco com a tarefa de conduzir os debates seguintes sobre energia, proteção da natureza e inteligência artificial. São frentes que tocam a soberania energética, ambiental e tecnológica dos dez países.

A declaração de Nova Délhi é um documento de princípios, sem execução automática. A tradução dos três eixos em regras, créditos e instituições é o que resta pela frente.

A disputa com o G7 deixou de ser pedido de representação para virar projeto declarado de poder. O primeiro teste é a agenda de energia, natureza e inteligência artificial que Nova Délhi entregou a Pequim.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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