Castro: "Reprimarização das exportações leva Brasil à nova dependência"
"Por não ter refinarias suficientes, país acaba exportando petróleo bruto e empregos"
Em virtude da reprimarização da pauta de exportações, o Brasil está vivendo uma "nova dependência": nossas vendas ao exterior estão concentradas em matérias-primas e produtos básicos como soja, minério e no petróleo cru, que acaba de superar a soja no topo da lista.
Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB) José Augusto de Castro, este perfil não gera atividade econômica nem estimula o desenvolvimento tecnológico.
"No início do século, o déficit dos produtos manufaturados girava em torno de US$ 5 bilhões, hoje chega a US$ 71 bilhões (2025), fruto da desindustrialização", contabiliza, cobrando dos próximos governos uma política de comércio exterior "mais focada".
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Ressalvando que não basta apenas reformar o sistema tributário, o presidente da AEB disse à AEPET que o país sabe o que é preciso fazer, mas tem faltado vontade política. "Além da reforma tributária, precisamos voltar a estimular a exportação de manufaturados e investir em infraestrutura para reduzir o chamado custo Brasil. A China vende preço", compara.
Refino
No setor petróleo, Castro observa que, por não ter refinarias suficientes, o país acaba exportando petróleo bruto e empregos. "Abreu Lima e o Comperj não saíram do papel", reclama.
Por fim, o presidente da AEB observa que o chamado "tarifaço" e outras ameaças de Donald Trump são mais graves pelo aspecto da geopolítica do que propriamente econômico. "Vender para os EUA abre portas em outros mercados", resume.
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