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Marco Damiani
Editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro

Margem Equatorial: cogitar a venda da Petrobrás merece ser crime de lesa-pátria

Diante de um universo estimado em 30 bilhões de barris para extrair na nova fronteira petrolífera e sucessivos recordes de produção e lucros, as propostas dos candidatos de direita pela privatização da Petrobrás devem ser classificadas como atentados contra o Brasil

Publicado em 19/08/2026
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Pouco mais de nove meses depois de ter obtido a licença ambiental do Ibama para explorar o potencial petrolífero da Margem Equatorial — a faixa costeira que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá —, a Petrobrás anunciou, na sexta-feira (14), a primeira descoberta de um campo de petróleo ali. Escondido a 2,9 km de profundidade, a 175 km da costa do AP, o potencial do poço de Morpho ainda está sendo avaliado, mas se espera, desde já, um número imenso. Afinal, o volume estimado para toda a área é de 30 bilhões de barris, com até 7 bilhões de barris recuperáveis, o que faz da Margem uma das três maiores fronteiras exploratórias do planeta. É só o começo.

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Como demonstrou na área do pré-sal, que vai do Espírito Santo a Santa Catarina, onde estão reservas comprovadas de 17 bilhões de barris, a Petrobrás extrai petróleo em parceria com as maiores companhias globais do setor, como a americana ExxonMobil, a chinesa CNOOC e a anglo-holandesa Shell. Com esse modelo de amplo sucesso, o pré-sal vem sendo explorado desde 2008, com a extração, até aqui, de 8 bilhões de barris. Apenas no mês de junho, a companhia controlada pela União retirou de poços no território nacional, especialmente o marinho, nada menos do que 5,8 milhões de barris de petróleo e gás por dia, aumento de 19,2% sobre o realizado no mesmo mês do ano anterior.

No governo Lula, a Petrobrás tem batido todos os seus recordes de produção e lucratividade. No ano passado, a estatal registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, alta de nada menos que 200% em relação a 2024. A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior.

Como se vê, a Petrobras estatal é o maior tesouro de propriedade do povo brasileiro. No entanto — ou melhor, por isso mesmo —, ora de modo desavergonhado, ora entre disfarces, os três candidatos a presidente que se autodeclaram como sendo de direita querem a Petrobrás para o capital estrangeiro.

Sem vergonha de assumir a liquidação da estatal, Romeu Zema, do Novo, tem dito que já no primeiro dia de sua gestão, se vencer a eleição, iniciará o processo de venda. O modelo seria o de fatiamento da companhia, amparado por medida provisória, para resolver o assunto o mais rapidamente possível. O Banco do Brasil iria junto.

Pelo PSD, Ronaldo Caiado já declarou nesta campanha, em encontro na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que pode ‘privatizar por fatias’ a companhia, na expressão do portal G1. “Eu governo analisando item por item dentro da estrutura dentro da Petrobrás”, disse ele aos empresários. “Há situações em que avançarei dentro da Petrobrás, se não for possível eu vou buscar a economia privada”. Propositadamente, ele não definiu o que considera ‘não ser possível’, mas avisou que a área de gás pode ser a primeira a ir embora.

Com o mesmo tipo de ardil, Flávio Bolsonaro passou à agência Reuters a mensagem de que a venda da companhia não é, para ele, nenhum tabu. “Ela é um grande conglomerado de empresas que a gente tem que ver o que funciona e o que não funciona e pode ser privatizado”. Na direção de agradar ao mercado financeiro, que ganharia oceanos de comissões com a privatização da estatal, o filho de Jair ‘a Petrobrás só me dá dor de cabeça’ Bolsonaro fez um movimento para bons entendedores. Assim que se lançou como candidato a presidente, em 12 de dezembro passado, Flávio procurou o economista Adolfo Sachsida, que foi ministro de Minas e Energia e secretário de Política Econômica da gestão do seu papai. A mensagem da privatização havia sido dada.

Ao assumir a pasta, em 11 de maio de 2022, Sachsida foi logo dizendo: “Aqui está o meu primeiro ato como ministro de Minas e Energia, a solicitação formal para que se iniciem os estudos que visam ao começo do processo de desestatização da PPSA e da Petrobrás. Espero que no período mais rápido de tempo possível nós tenhamos essa resolução pronta e levemos para o presidente Jair Bolsonaro assinar esse decreto e começar esse processo”.

Privatizar a Petrobrás, companhia de excelência global e com resultados espetaculares ao país, deveria ser considerado como crime de lesa-pátria — e nunca mais poder constar de programas de governo de quem quer que seja.

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