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Se o compliance seguir regras para a Petrobrás, Prates não será presidente

Não foi de boa qualidade o primeiro óleo vindo da indicação de Prates para a Petrobrás

Publicado em 06/01/2023
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Prates vai colocar à prova mais uma vez a sinceridade e a realidade da política real do compliance da companhia e o cumprimento da Lei das Estatais. Não vai precisar só parecer honesta, mas terá que ser bem honesta. E se seguir as regras, o nome de Prates subirá no telhado e não passará. Simples assim. Prates terá que explicar à diretoria da Petrobrás suas ligações com empresas de consultoria na área de petróleo e gás e o conflito de interesses por participar societariamente de outras tantas do mesmo segmento. Além disso, precisará desviar do que a Lei das Estatais estabelece para assumir o cargo. Prates é sócio de diversas empresas do setor de consultoria de óleo e gás, mesmo ramo da estatal. O nome dele não aparece diretamente no contrato social, mas por meio de holdings que pertencem a ele e são sócias das empresas.

Um exemplo é a Expetro Consultoria em Recursos Naturais. O único sócio pessoa física é Gustavo José dos Santos Frickmann, citado como administrador. Outras duas empresas participam da sociedade, a Singleton Participações Imobiliárias e a Atma Sociedade Gestora De Participações Sociais. Ambas pertencem a Prates. Ele mesmo nunca escondeu esta sua proximidade com a Expetro. No Linkedin, ele mostra que é líder do conselho da empresa há quase 12 anos e revela a sua própria experiência atuando diretamente com mais de 50 companhias interessadas em ingressar no mercado brasileiro de petróleo.

O último exemplo que tivemos foi com a indicação de Adriano Pires (foto à direita) no governo Bolsonaro. Abatido em pleno voo, ele acabou desistindo por ser fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que atua no ramo de energia, no qual a Petrobrás também atua. Neste duelo com o compliance da companhia, Prates vai precisar de uns três ou quatro atiradores de apoio no telhado para lhe dar suporte. O contrário será o descrédito total da política de sanidade imposta pela companhia desde os escândalos da Lava Jato. A mesma política que faz espezinhar até a segunda geração das empresas que são ou que pretendem ser um dos fornecedores da Petrobrás. A candidatura de Prates praticamente subiu no telhado e poderemos ter um outro nome para ser submetido. Só dedos políticos podem mudar o destino dele.

Para colocar a cereja no bolo do compliance e fel no iougurte de Prates, uma empresa que não consta em suas redes sociais é a Bioconsultants Consultoria em Recursos Naturais e Meio Ambiente, onde é sócio por meio da Singleton. Aberta em 2009, a Bioconsultants atende pelo nome fantasia de CRN-Bio e o sócio o coordenador de desenvolvimento energético da Secretaria de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, Hugo Alexandre Meneses Fonseca. O site oficial detalha que a CRN-Bio firmou contrato com várias empresas do setor energético. No perfil de Fonseca consta que ele deixou o cargo de CEO da CRN-Bio em 2005, embora ainda conste como um dos donos. Outra é a Praxis Brasil Consultoria de Investimentos, que atua com gestão empresarial e imobiliária. O senador participa da companhia por meio da Atma, que está ativa, segundo a Receita Federal. E nesta, com um agravante: ele divide as tarefas com o empresário Sérgio Caetano Leite, que consta como sócio-administrador. Leite foi um dos subsecretários do Consórcio do Nordeste durante a crise da fraude dos respiradores e também é sócio de Prates na Singleton e na Atma.

Em uma entrevista, o senador Prates disse que já se desligou das empresas citadas, nos casos em que ainda estão ativas, embora isso não conste nos dados da Receita Federal. Também informou que o uso de holdings para administrá-las teve como objetivo facilitar a saída da administração, se isso fosse necessário e que já que precisou se desincompatibilizar das funções das empresas nos períodos em que foi secretário de estado no Rio Grande do Norte. Os próximos dias de análise, onde a candidatura dele será analisada pelo Compliance da Companhia serão, certamente, de muitas conversas políticas. Quem será ferido a bala em tiro de morte neste duelo conheceremos. Quem viver, verá.

Fonte: Petronoticias Editorial

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