América Latina desunida frente a Doutrina Donroe

Nova Estratégia de Segurança dos EUA coloca questões urgentes para a América Latina, que ainda não tem uma resposta unida.

Publicado em 09/01/2026
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A demonstração prática da Nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos da América na invasão à Venezuela e sequestro do presidente (ainda que criticado) Nicolás Maduro coloca para a América Latina questões urgentes de como se portar diante da mudança no cenário geopolítico.

“A Estratégia de Segurança Nacional publicada em novembro de 2025 fornece um marco interpretativo claro para os recentes desenvolvimentos. O documento declara explicitamente a intenção dos Estados Unidos de reafirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental, por meio de uma reorientação estratégica voltada a impedir que qualquer potência extra-hemisférica controle ativos ou infraestrutura considerados estratégicos”, analisa Khaled Louhichi, chefe de Research Wealth Management do banco suíço Mirabaud.

Para ele, a sequência de acontecimentos “deve ser interpretada como um sinal estratégico de cunho estrutural, e não como um evento isolado”.

Em resumo, a Doutrina Donroe (D de Donald Trump e o restante de James Monroe, presidente dos EUA de 1817 a 1825) pretende, na América Latina, manter o continente sobre domínio estadunidense, afastando atores externos – leia-se China.

Quais os efeitos na região? Fabio Reis Vianna, analista político internacional, professor e escritor, em artigo para o Monitor (publicado 15 dias antes do ataque à Venezuela) lembra que, “mesmo durante os períodos mais intervencionistas do imperialismo americano em nossa região, o Brasil soube tirar proveito situando-se como aliado estratégico preferencial, dentro de uma lógica de ‘hegemonia benevolente’ exercida pelos EUA”. Mas Vianna alerta que não podemos ser ingênuos.

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Diante da instabilidade de Trump, parece que não exercerá a hegemonia de forma tão benevolente. Aos principais países da América Latina ainda livres da extrema-direita – Brasil, México e Colômbia – caberia costurar uma unidade na ação.

Frases de efeito enquanto, na prática, busca-se fingir de morto, esperando que Trump não note sua presença representa alto risco no curto prazo. Ainda que a postura violenta dos EUA deprecie o “poder brando” no médio e longo prazo, o que se tem agora é uma imposição de vontades, inclusive eleitorais, buscando a hegemonia da direita. E no longo prazo, diria Keynes, estaremos todos mortos.

Não vai ter Copa!

Após a invasão da Venezuela, o jornalista esportivo Juca Kfouri questionou se a Copa do Mundo de Futebol, que será realizada este ano nos EUA, Canadá e México, seria mantida. Afinal, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a Fifa suspendeu a seleção e times russos dos torneios por ela organizados.

Sem esperanças na entidade mundial – o presidente Gianni Infantino concedeu, no final de 2025, um Prêmio da Paz a Trump (láurea de consolação por Trump não ter ganho o Nobel) – restaria um boicote das demais seleções; ao menos, dos países da América Latina, que poderiam fazer uma copa autônoma no México.

Também sem esperanças de acontecer.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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