Brasil deve ampliar capacidade de refino em 10% até 2036

Projeções são feitas pelo MME e a EPE

Publicado em 03/11/2026
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Renest. Divulgação Petrobrás

O Brasil deverá elevar sua capacidade de refino de petróleo de aproximadamente 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris por dia até 2036, um crescimento próximo de 10% em uma década. A expansão será sustentada por investimentos em novas estruturas de processamento, modernização de refinarias e integração de unidades industriais, com potencial para reduzir a dependência externa de combustíveis estratégicos.

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As projeções constam do Caderno de Refino e Infraestrutura do Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O documento apresenta as perspectivas para a produção e o processamento de petróleo, a demanda por derivados e os investimentos necessários para fortalecer a segurança energética brasileira.

Entre os principais projetos considerados no planejamento estão o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, a integração operacional do Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro, e a ampliação e modernização de refinarias existentes. Essas iniciativas deverão aumentar a capacidade de processamento de petróleo no país e contribuir para o abastecimento nacional.

O estudo também prevê que a produção brasileira de petróleo alcance aproximadamente 4,9 milhões de barris por dia em 2036. Mais da metade desse volume deverá ser destinada ao mercado externo.

Expansão das refinarias fortalece capacidade industrial brasileira
A ampliação do parque nacional de refino representa uma das principais frentes de investimento identificadas pelo PDE 2036. Além de aumentar o volume de petróleo processado internamente, os projetos previstos deverão permitir adaptações tecnológicas para atender às mudanças no perfil de consumo de combustíveis.

Um dos desafios destacados pelo estudo é a substituição gradual do diesel S500 pelo diesel S10, que possui menor teor de enxofre. Essa transição exige investimentos em unidades de hidrotratamento, hidroconversão e geração de hidrogênio, fundamentais para adequar a produção às especificações dos combustíveis.

A modernização das instalações também deverá incorporar melhorias de eficiência energética. O planejamento considera tanto a expansão física das refinarias quanto o aperfeiçoamento de processos industriais, com o objetivo de ampliar a produtividade e a capacidade de atendimento ao mercado brasileiro.

Brasil poderá alcançar autossuficiência em gasolina

Uma das principais perspectivas apresentadas pelo PDE 2036 é a possibilidade de o Brasil atingir a autossuficiência em gasolina no médio prazo. A projeção considera a estabilização da demanda pelo combustível e mudanças na composição do consumo energético do setor de transportes.

Entre os fatores que deverão contribuir para esse cenário estão o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina, a evolução da oferta de etanol hidratado e a expansão da frota de veículos elétricos.

O estudo também identifica perspectivas de redução da dependência externa de outros derivados. No caso da nafta, utilizada principalmente como matéria-prima pela indústria petroquímica, a produção brasileira deverá crescer aproximadamente 70% entre 2026 e 2036.

Com esse avanço, a participação das importações no abastecimento nacional de nafta poderá cair de 54% para 27% ao longo da década.

No segmento de querosene de aviação (QAV), a dependência externa, atualmente estimada em 16%, poderá ser eliminada até 2036. A projeção considera investimentos nas refinarias e a introdução dos combustíveis sustentáveis de aviação, conhecidos pela sigla SAF.

O gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado principalmente como gás de cozinha, também deverá apresentar redução da necessidade de importações. Segundo o planejamento, as compras externas corresponderão a aproximadamente 6% da demanda brasileira em 2036.

Já o óleo combustível deverá manter excedentes destinados à exportação durante todo o período analisado.

Demanda por diesel continuará exigindo importações

Apesar dos avanços previstos no refino, o Brasil deverá permanecer como importador líquido de derivados de petróleo ao longo de toda a próxima década. O diesel continuará sendo o principal desafio para a ampliação da autonomia nacional no abastecimento.

De acordo com o PDE 2036, a demanda brasileira por óleo diesel A deverá crescer 19% entre 2026 e 2036, enquanto a produção doméstica terá expansão estimada em 13%.

Essa diferença entre o crescimento do consumo e o aumento da oferta interna deverá ampliar a necessidade de importações. O volume líquido importado de diesel poderá passar de aproximadamente 36,6 mil metros cúbicos por dia em 2026 para 51 mil metros cúbicos diários em 2036.

Considerando o conjunto dos derivados de petróleo, as importações líquidas deverão atingir cerca de 37 mil metros cúbicos por dia ao final do período. O resultado reflete os diferentes comportamentos de oferta e demanda de cada combustível, incluindo produtos nos quais o Brasil deverá ampliar suas exportações.

Os números indicam que a expansão das refinarias, embora contribua para reduzir vulnerabilidades no abastecimento, não será suficiente para eliminar a dependência brasileira de diesel importado.

Oleodutos precisarão acompanhar crescimento do abastecimento
O aumento da produção e do processamento de petróleo também deverá exigir investimentos na infraestrutura de transporte e distribuição de combustíveis.

O estudo identifica possíveis restrições de capacidade em oleodutos estratégicos até 2036. Entre os trechos que poderão atingir ou se aproximar de seus limites operacionais estão o Oleoduto Paraná-Santa Catarina (Opasc), o Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra) e o Oleoduto São Sebastião-Paulínia (Osplan I).

Essas limitações poderão representar desafios para a movimentação de derivados entre refinarias, terminais de armazenamento e centros consumidores.

Diante desse cenário, o planejamento destaca a necessidade de melhorar a eficiência operacional da infraestrutura existente e avaliar investimentos adicionais para evitar gargalos logísticos e riscos de restrições regionais no fornecimento de combustíveis.

A análise também considera que a segurança energética brasileira depende de medidas complementares à expansão do refino, incluindo a diversificação das fontes de energia e mudanças no perfil da demanda.

Produção de petróleo deverá alcançar 4,9 milhões de barris por dia

O crescimento projetado da produção brasileira de petróleo deverá consolidar o país como importante fornecedor do mercado internacional. Com uma extração estimada em 4,9 milhões de barris diários em 2036, mais de metade do volume produzido deverá ser exportada.

No cenário internacional, o PDE prevê uma tendência de moderação dos preços do petróleo Brent, condicionada à normalização da oferta global.

Entretanto, o documento identifica fatores capazes de alterar essa trajetória. Restrições logísticas e investimentos insuficientes na produção poderão pressionar as cotações para cima.

Em sentido contrário, uma eventual oferta excessiva de petróleo e a aceleração da substituição de tecnologias dependentes de combustíveis fósseis poderão contribuir para a redução dos preços internacionais.

Governo recebe contribuições para planejamento energético até sexta-feira

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 permanece em consulta pública até sexta-feira (6). Durante esse período, cidadãos, empresas, entidades e especialistas poderão apresentar sugestões para o aperfeiçoamento das projeções e diretrizes do planejamento energético nacional.

As contribuições podem ser encaminhadas pela página de consultas públicas do Ministério de Minas e Energia ou pela plataforma Brasil Participativo.

Elaborado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética, sob orientação do MME, o PDE é um dos principais instrumentos utilizados pelo governo federal para avaliar as perspectivas de expansão da oferta e da demanda de energia no Brasil.

O documento possui caráter indicativo e apresenta cenários para um horizonte de dez anos, servindo de referência para decisões de investimento de empresas públicas e privadas e para a formulação de políticas energéticas.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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