Como os governos reagiram à crise do petróleo? Para 100 países, prioridade foi conter preços
A pressão continua, com os preços do petróleo ainda na casa dos três dígitos.
A crise internacional causada pela alta no preço do barril de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos e Irã levou cerca de 100 países a adotarem medidas para reduzir os impactos dos preços para os consumidores, enquanto outros 60 buscaram reduzir a demanda e 26 governos passaram a incentivar a eletrificação.
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Os dados são do Global Energy Scenarios 2026 da Rystad Energy, divulgado na quinta (15/10).
Uma centena de países optou por reduzir impostos sobre combustíveis, adotar subsídios ou criar tetos de preços desde fevereiro de 2026.
Foi o caminho escolhido pelo Brasil, que zerou impostos e adotou subvenções ao diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo, com o etanol pegando carona.
Na semana passada, o governo aumentou a subvenção para o diesel importado.
Mesmo assim, os impactos chegam ao mercado: a companhia aérea Gol indicou na quarta (14) que vai reduzir rotas devido aos preços dos combustíveis (Valor Econômico).
Segundo a Rystad, mesmo com a prioridade da maioria dos países sendo a proteção do consumo dos combustíveis fósseis, a atual crise ampliou a busca por segurança energética e acelerou a transição para a eletrificação.
O caminho da eletrificação ganhou força sobretudo na Europa e na Ásia. E está ocorrendo com energia nacional, à base de renováveis, nuclear e, em menor medida, carvão.
No caso do Brasil, as medidas para substituição da demanda focaram no aumento temporário da mistura de etanol na gasolina para 32%.
A busca por segurança fará com que a dependência global de energia importada atinja o pico até 2034, projeta a consultoria.
Parte relevante da redução da dependência de importação passa justamente pelo menor uso de combustíveis fósseis.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), a demanda global por petróleo deve cair mais do que o previsto em 2026: a entidade passou a estimar retração média de 2,6 milhões de barris/dia no consumo global este ano.
Enquanto isso, os países que não adotaram medidas diretas para lidar com a crise estão sentindo os efeitos, como os Estados Unidos.
Dados de inflação divulgados na quarta (14/10) indicam que o preço da gasolina nos EUA em setembro de 2026 foi 20,4% mais caros do que no mesmo mês no ano anterior.
A alta nos combustíveis pressiona a inflação nos EUA, que chegou a 3,7% em setembro (NY Times).
A pressão continua, com os preços do petróleo ainda na casa dos três dígitos.
O Brent era negociado em queda, a US$ 104,25 às 6h de quinta-feira (15/10) no horário de Brasília, depois de fechar o dia em alta de 0,35% na quarta-feira (14), a US$ 106,06 o barril.
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