Diretora do Ineep defende preço nacional em audiência pública sobre gas release

Infraestrutura responde por cerca de 25% a 35% da tarifa de gás, o que desafia o setor a expandir gasodutos sem elevação de preços ao consumidor.

Publicado em 04/11/2026
Compartilhe:

O gas release que pode ser implementado no Brasil parte de uma premissa equivocada: o problema do insumo no País seria a concentração do suprimento. Mas é outra a leitura do Ineep e de outras várias vozes que participaram da audiência pública sobre o tema que ocorreu nesta quarta-feira (04/11) na Câmara dos Deputados.

O problema é estrutural e conjuntural, passando primeiramente pela expansão da infraestrutura – e o gas release não toca neste aspecto central, conforme destacou a diretora técnica do Ineep durante a solenidade.

Receba os destaques do dia por e-mail

Cadastre-se no AEPET Direto para receber os principais conteúdos publicados em nosso site.
Ao clicar em “Cadastrar” você aceita receber nossos e-mails e concorda com a nossa política de privacidade.

“Todos nesta sala devem querer gás mais barato, em especial para a indústria brasileira. A divergência não está no objetivo. Está no remédio escolhido”. Ela cita cinco pontos que precisam ser questionados antes de se impor ao País esse modelo.

Primeiro deles, a desconcentração comercial não será acompanhada de aumento da oferta física da molécula. Tampouco preserva a capacidade de coordenação dos investimentos de longo prazo e também não garante novos agentes tenham acesso efetivo ao gás.

Quarto ponto, os mecanismos propostos não mexem no problema da indexação da molécula, sem tocar na questão do preço, se limitando a redistribuir a oferta entre comercializadores. E, último ponto, o gas release pode prejudicar investimentos já previstos de aumento da infraestrutura de escoamento, como o Sergipe Águas Profundas, já que o mercado brasileiro de gás natural é uma indústria em rede.

A diretora do Ineep calcula que a infraestrutura responde por cerca de 25% a 35% da tarifa de gás, o que desafia o setor a expandir gasodutos sem elevação de preços ao consumidor.

“Reduzir o preço da molécula não significa reduzir o preço ao consumidor. O custo final resulta da combinação entre molécula, processamento e escoamento, transporte, distribuição e estruturas regulatórias federal e estaduais. Uma política efetiva de redução de preços precisa incidir sobre todos esses elos, inclusive sobre as diferenças entre os regimes estaduais de distribuição. O gas release não responde a isso. Ele não constrói um quilômetro de gasoduto. Não amplia uma unidade de processamento. Não reduz a reinjeção. A própria ANP reconhece, em seus documentos, que sem escoamento o acesso à molécula não vira acesso ao mercado”, afirmou.

Impacto nas eleições americanas

Ticiana Alvares destacou o problema da volatilidade dos preços dos combustíveis para o consumidor. Um dos problemas que os americanos vêm enfrentando em meio aos conflitos armados e à guerra dos EUA no Irã. Um dos fatores que enfraqueceram o presidente Donald Trump nessas eleições de meio de mandato.

“Vimos a derrota do Trump, muito fruto do aumento dos preços dos combustíveis, coisa que não aconteceu aqui”.

Três quartos do gás que consumimos são nacionais. Mesmo assim, pagamos caro pelo gás, porque os preços são indexados ao mercado internacional. O gás importado, sobretudo o GNL que abastece as térmicas possui sua precificação empilhada por cima, a partir de preços formados lá fora, destacou Ticiana na audiência pública.

Aqui a audiência pública na íntegra, neste link

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
Compartilhe:
guest
0 Comentários
Mais votado
Mais recente Mais antigo
Feedbacks Inline
Ver todos os comentários

Gostou do conteúdo?

Clique aqui para receber matérias e artigos da AEPET em primeira mão pelo Telegram.

Continue Lendo

Receba os destaques do dia por e-mail

Cadastre-se no AEPET Direto para receber os principais conteúdos publicados em nosso site.

Ao clicar em “Cadastrar” você aceita receber nossos e-mails e concorda com a nossa política de privacidade.

0
Gostaríamos de saber a sua opinião... Comente!x