Petrobrás perdeu protagonismo nas reservas de óleo e gás
Participação caiu de 84% para 59% em 1 década; multinacionais ocuparam espaço da Petrobrás
O aumento de reservas de petróleo no Brasil expõe fragilidade na manutenção da segurança e soberania energética nacional, alerta o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Em uma década, as reservas provadas de petróleo e gás natural registraram taxa média de crescimento de aproximadamente 3% ao ano. “Em sentido oposto, as reservas provadas da Petrobrás recuaram em média de 0,6% ao ano”, compara o Ineep.
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Os dados são citados no 10º Boletim de Produção e Exploração de Petróleo e Gás, publicação trimestral do Ineep, que analisa também nesta edição a produção de petróleo e gás no Brasil no primeiro trimestre de 2026, com base nos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Em 2015, as reservas do país somavam cerca de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Em 2025, o volume alcançado foi de 21,1 bilhões de boe. Em sentido distinto, as reservas provadas da Petrobrás recuaram de 13,3 bilhões para 12,5 bilhões de boe no mesmo período. Em 2015, a companhia concentrava cerca de 84,4% das reservas brasileiras de petróleo e gás natural. Em 2025, essa participação caiu para 59,3%.
Segundo o Ineep, em decorrência das mudanças no regime de partilha, em 2016, e da redução da participação da Petrobrás nos processos licitatórios, houve avanço do controle de multinacionais e empresas privadas sobre recursos estratégicos do país, “aprofundando o processo de desnacionalização e privatização das reservas petrolíferas brasileiras”.
Além disso, a companhia fez redução dos investimentos exploratórios e em recuperação de reservatórios, alienação de ativos em produção e em fase exploratória e ampliou a atuação em consórcios. Isso permitiu que grandes petroleiras internacionais passassem a deter parcelas relevantes dos principais reservatórios do país.
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