A demonstração prática da Nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos da América na invasão à Venezuela e sequestro do presidente (ainda que criticado) Nicolás Maduro coloca para a América Latina questões urgentes de como se portar diante da mudança no cenário geopolítico.
“A Estratégia de Segurança Nacional publicada em novembro de 2025 fornece um marco interpretativo claro para os recentes desenvolvimentos. O documento declara explicitamente a intenção dos Estados Unidos de reafirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental, por meio de uma reorientação estratégica voltada a impedir que qualquer potência extra-hemisférica controle ativos ou infraestrutura considerados estratégicos”, analisa Khaled Louhichi, chefe de Research Wealth Management do banco suíço Mirabaud.
Para ele, a sequência de acontecimentos “deve ser interpretada como um sinal estratégico de cunho estrutural, e não como um evento isolado”.
Em resumo, a Doutrina Donroe (D de Donald Trump e o restante de James Monroe, presidente dos EUA de 1817 a 1825) pretende, na América Latina, manter o continente sobre domínio estadunidense, afastando atores externos – leia-se China.
Quais os efeitos na região? Fabio Reis Vianna, analista político internacional, professor e escritor, em artigo para o Monitor (publicado 15 dias antes do ataque à Venezuela) lembra que, “mesmo durante os períodos mais intervencionistas do imperialismo americano em nossa região, o Brasil soube tirar proveito situando-se como aliado estratégico preferencial, dentro de uma lógica de ‘hegemonia benevolente’ exercida pelos EUA”. Mas Vianna alerta que não podemos ser ingênuos.