Nova escalada na guerra dos EUA contra o Irã eleva preço do petróleo acima de US$ 100 0 barril

Escalada militar entre Estados Unidos e Irã, ataques a navios-tanque e bombardeios a refinarias sauditas elevam a volatilidade nos mercados mundiais de energia

Publicado em 09/09/2026
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A escalada do conflito militar no Oriente Médio e o agravamento das tensões no Estreito de Ormuz desencadearam um forte rali nos preços internacionais do petróleo, com o barril do Brent atingindo a marca de US$ 100. A rápida deterioração das expectativas de paz entre os Estados Unidos e o Irã, aliada a novos ataques contra infraestruturas energéticas cruciais na região, reacendeu temores de um severo gargalo no fornecimento global de combustíveis.

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Escalada militar e destruição de navios no Golfo

A pressão sobre as cotações intensificou-se após as forças do Comando Central dos EUA (Centcom) anunciarem a destruição de cinco navios petroleiros iranianos. As embarcações M/T Kaviz, M/T Charminar, M/T Horizon 1 e M/T Riesco foram atingidas no Golfo de Omã, enquanto a M/T Derya foi destruída perto da Ilha de Kharg. A ação militar americana foi realizada em retaliação a disparos de mísseis balísticos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra navios de guerra dos EUA.

Em resposta, o Irã lançou 20 mísseis balísticos contra forças americanas localizadas na Jordânia, dos quais 18 foram interceptados pelas forças armadas jordanianas. O IRGC declarou ter atingido a Base Aérea de al-Azraq e alegou ter atacado embarcações e petroleiros adicionais na região. Paralelamente, autoridades iranianas capturaram um veículo subaquático não tripulado dos EUA no estreito.

O secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, alertou que os EUA enfrentarão uma "guerra econômica" acompanhada pelo estabelecimento de uma zona de exclusão marítima no Golfo Pérsico. Teerã declarou ainda que pretende assumir o controle de um novo corredor de navegação no Estreito de Ormuz.

Ataques a instalações sauditas e vulnerabilidade das rotas mundiais
A crise estendeu-se à infraestrutura terrestre da Arábia Saudita. Ataques promovidos pelos rebeldes Houthis do Iêmen causaram incêndios e forçaram a paralisação temporária de operações em diversas instalações de energia no sul do país. Entre os alvos atingidos está o complexo de refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, responsável pelo processamento de 400 mil barris por dia. Para mitigar riscos de desabastecimento, Riad tem tentado redirecionar o fluxo de petróleo para o oeste, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

Contudo, analistas ressaltam que o Estreito de Ormuz permanece um ponto crítico insubstituível para o comércio internacional, sendo a via de escoamento de 20% do petróleo do planeta (entre 17 e 21 milhões de barris diários). O canal possui apenas 3,2 km de largura navegável em cada direção e não dispõe de rotas alternativas viáveis. O oleoduto ADCOP, dos Emirados Árabes Unidos, possui capacidade de apenas 1,5 milhão de barris por dia (menos de 10% do volume escoado pelo estreito), enquanto o oleoduto IPSA permanece inativo desde 1990.

Projeções de mercado e alerta do Goldman Sachs

Diante do risco prolongado de interrupções nas saídas do Oriente Médio, instituições financeiras revisaram suas estimativas de preços. O Goldman Sachs elevou suas projeções para o barril de Brent a US$ 85 e do WTI a US$ 80 em dezembro de 2026. No entanto, o banco alertou para um cenário de estresse severo no qual o Brent pode saltar para até US$ 120 por barril, caso a produção média do Golfo Pérsico permaneça 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra em 2027.

Com informações de Reuters, Bloomberg, Oilprice.com

Alex Prado
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