Deccache: "Petrobrás não foi criada para aumentar a rentabilidade de quem tem ações"
Economista afirmou ao AEPET TV que classes dominantes têm sim um projeto para o país: Estado precarizado, administrado em função dos setores primário-exportador e rentista, com a nação submetida ao imperialismo.
Nesta entrevista ao AEPET TV, o economista David Deccache, doutor em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutor pela Escola de Políticas Públicas e Governo da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV) afirma que as classes dominantes têm um projeto muito claro de país: um Estado precarizado, administrado em função dos setores primário-exportador e rentista (juros altos), com a nação submetida ao imperialismo.
Deccache, que é diretor do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento, adverte que a propalada governabilidade no Brasil está mais ancorada no apoio decisivo do mercado do que propriamente na correlação de forças no Legislativo e isto representa alto risco politico para os segmentos progressistas, que têm, ou deveriam ter, seu capital eleitoral lastreado nas necessidades urgentes da população com renda até dos salários mínimos.
O economista observa que a submissão ao mercado e às regras neoliberais de austeridade e privatizações privou o país do apoio fundamental das estatais nas políticas de desenvolvimento autônomo.
“A Petrobrás não foi criada para aumentar a rentabilidade de quem tem ações, mas para evitar que o povo brasileiro fique à mercê dos preços internacionais”, exemplifica.