O que está por trás dos ataques conjuntos dos EUA e Arábia Saudita no Iraque

Analistas afirmam que os ataques sinalizam uma mudança significativa na estratégia dos EUA e Arábia Saudita na região.

Publicado em 30/07/2026
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Mapa das reservas de petróleo e gás no Golfo Pérsico.
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques aéreos coordenados contra as Forças de Mobilização Popular (PMF) — uma força paramilitar do Iraque — na madrugada de quarta-feira, marcando uma rara operação militar conjunta que intensificou drasticamente as tensões no Oriente Médio.

Analistas afirmam que os ataques sinalizam uma mudança significativa na estratégia de segurança regional de Washington e Riad, gerando preocupações de que a escalada de tensões com o Irã e seus grupos aliados possa arrastar a região para um conflito mais amplo.

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O que aconteceu?

Os ataques tiveram como alvo várias sedes das PMF em diversas províncias iraquianas, incluindo Bagdá, Baçorá e Nínive, deixando pelo menos 20 mortos e 32 feridos, segundo um comunicado da organização.

As PMF são uma organização-guarda-chuva patrocinada pelo Estado iraquiano, composta por dezenas de facções paramilitares que foram formalmente integradas às forças armadas do Iraque após uma campanha contra o grupo extremista Estado Islâmico.

O Comando Central dos EUA confirmou o ataque, afirmando que “caças dos EUA e da Arábia Saudita atingiram vários locais de logística e armazenamento de armas terroristas no leste do Iraque, em uma resposta contundente a mais de 30 ataques com drones aéreos dirigidos pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica nas últimas 72 horas”.

Observando que milícias “alinhadas ao Irã” no Iraque haviam realizado mais de 600 tentativas de ataque contra cidadãos e instalações dos EUA entre fevereiro e abril, o comando alertou que o Irã e seus grupos aliados (“proxies”) devem cessar tais ataques ou enfrentar novas respostas militares dos EUA.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou, no início desta semana, que seus sistemas de defesa aérea interceptaram vários drones provenientes do território iraquiano que tinham como alvo as principais instalações petrolíferas do reino.

Os ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita ocorreram apesar dos esforços diplomáticos de Bagdá. O Conselho Ministerial de Segurança Nacional do Iraque condenou a ação, afirmando que ela ocorreu enquanto “o governo iraquiano estava em negociações ativas com as partes envolvidas para verificar e abordar as preocupações levantadas tanto pelo lado saudita quanto pelo americano em relação aos ataques contra o território saudita”.

Quais são os cálculos estratégicos dos ataques dos EUA e Arábia Saudita no Iraque?

Analistas acreditam que a rara coordenação militar entre Washington e Riad sinaliza uma mudança significativa na dinâmica de dissuasão regional, em vez de ser apenas uma resposta aos recentes ataques com drones.

Nadhum Ali, especialista iraquiano em relações internacionais, observou que os ataques conjuntos representam uma “escalada de segurança altamente perigosa”, destinada a enviar um aviso inequívoco a grupos pró-Irã de que ataques a infraestruturas energéticas vitais não serão tolerados.

“Combater as milícias apoiadas pelo Irã é uma das considerações mais importantes”, disse Mohammed al-Jubouri, professor de comunicação da Universidade al-Iraqia, em Bagdá.

A operação também marca uma mudança notável na postura de segurança de Riad. Sabah al-Sheikh, professor de política da Universidade de Bagdá, disse à Xinhua que a operação sinaliza a transição da Arábia Saudita de uma postura tradicionalmente defensiva para uma estratégia de dissuasão proativa e transfronteiriça.

“Os ataques ressaltam o aprofundamento do alinhamento de segurança entre EUA e Arábia Saudita em um momento em que a estabilidade regional está em um ponto crítico”, acrescentou al-Sheikh.

Quais são as implicações regionais?

A operação conjunta ocorreu em meio a confrontos militares diretos e crescentes entre Washington e Teerã em todo o Oriente Médio, com o Iraque mais uma vez preso no fogo cruzado.

Na quarta-feira, a presidência iraquiana condenou veementemente os ataques dos EUA e da Arábia Saudita, classificando-os como uma “agressão inaceitável” e uma “violação flagrante da soberania do Iraque”.

Especialistas alertam que a operação pode desestabilizar ainda mais o precário equilíbrio interno do Iraque. “O governo iraquiano tem tentado realizar um delicado ato de equilíbrio entre potências regionais rivais”, disse al-Jubouri. “Esses ataques conjuntos correm o risco de destruir essa neutralidade e arrastar o Iraque ainda mais para dentro do vórtice EUA-Irã.”

O risco de escalada permanece alto. A Resistência Islâmica no Iraque, um grupo que reúne várias facções pró-Irã, negou ter atacado instalações sauditas e acusou os Estados Unidos de cometerem “um novo crime” ao atacar as Forças de Mobilização Popular (PMF) do Iraque.

“Nossa resposta ao inimigo americano é inevitável e pode atingir seus agentes na Arábia Saudita sempre que a situação exigir”, alertou o grupo.

Fazendo coro à ameaça, o grupo armado iraquiano Movimento al-Nujaba também prometeu vingança, afirmando que nunca permitirá que os Estados Unidos e a Arábia Saudita ataquem o território iraquiano sem pagar um preço alto. Ali afirmou que as facções das PMF representam uma das “redes de aliados do Irã mais próximas”, tornando altamente provável uma nova retaliação.

“Os próximos dias serão cruciais”, disse al-Sheikh. “Se o Irã optar por uma retaliação em múltiplas frentes por meio de seus aliados no Iraque, no Iêmen e no Líbano, a questão é se Washington e Riad estão realmente preparados para as consequências.”

Agência Xinhua

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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