Bernie Sanders e 30 congressistas acusam Trump de interferir na eleição brasileira

Carta enviada a Marco Rubio denuncia pressão econômica e diplomática dos EUA, cita apoio a Flávio Bolsonaro e cobra respeito ao resultado das urnas.

Publicado em 25/09/2026
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Andrew Harnik/Getty Images

Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, incluindo o senador Bernie Sanders e 30 integrantes democratas da Câmara dos Representantes, enviou nesta quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando preocupação com o que descreve como uma tentativa do governo de Donald Trump de interferir na eleição presidencial brasileira de outubro.

Entre os signatários estão, além de Sanders, as deputadas Delia Ramirez, Pramila Jayapal e Alexandria Ocasio-Cortez e o deputado Jesús “Chuy” García. A iniciativa da carta partiu de Ramirez e contou com a participação de Jayapal e García.

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Segundo os parlamentares, existe um esforço coordenado da administração Trump para exercer pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil às vésperas da eleição. O documento pede que Washington se comprometa explicitamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado certificado pelas autoridades eleitorais, independentemente de quem seja escolhido pelos eleitores.

Tarifas e sanções

A carta recupera as medidas adotadas pelo governo Trump em 2025, quando os Estados Unidos impuseram tarifas e sanções em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Na interpretação dos congressistas, essas ações representaram uma tentativa de influenciar o processo judicial brasileiro.

Os parlamentares classificam as medidas daquele período como uma violação da soberania brasileira e afirmam que, embora tenha havido posteriormente uma redução das tensões e contatos diretos entre Lula e Trump, a pressão sobre o Brasil voltou a crescer.

O documento também situa os episódios atuais em um contexto histórico mais amplo das relações entre Washington e a América Latina. Os congressistas mencionam o apoio dos Estados Unidos ao golpe militar brasileiro de 1964 e apontam um padrão que, na avaliação deles, voltou a aparecer em processos eleitorais recentes na região. A carta cita Argentina, Honduras e Colômbia.

Nomeação de Darren Beattie

Outro ponto de preocupação apresentado pelos congressistas é a nomeação de Darren Beattie como conselheiro sênior do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil.

Na carta, os parlamentares descrevem Beattie como um extremista de direita e supremacista branco e afirmam que suas declarações públicas anteriores demonstrariam hostilidade às instituições democráticas brasileiras. Beattie tentou entrar no Brasil em março para visitar Jair Bolsonaro, mas teve sua entrada negada.

Flávio Bolsonaro e as facções

A carta também menciona a aproximação da Casa Branca com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Os congressistas destacam o encontro entre Trump e Flávio na Casa Branca e afirmam que, durante a reunião, o brasileiro pediu que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Posteriormente, o governo norte-americano classificou as duas facções como organizações terroristas. Autoridades brasileiras manifestaram preocupação de que essa designação possa ser utilizada como fundamento para medidas extraterritoriais, incluindo sanções financeiras e outras ações contra interesses brasileiros.

Segundo a carta, os recentes ataques militares promovidos pela administração Trump na região, justificados em parte por supostas ameaças de organizações terroristas estrangeiras à segurança dos Estados Unidos, também provocaram no Brasil receios sobre a possibilidade de ações militares.

Cobrança por respeito às urnas

O principal pedido dos congressistas é que o governo Trump assuma publicamente o compromisso de respeitar a soberania brasileira e o resultado das eleições presidenciais.

Os parlamentares também fazem uma comparação com a postura adotada pelo governo de Joe Biden na eleição brasileira de 2022, quando Washington apoiou publicamente o sistema eleitoral brasileiro e reconheceu o resultado das urnas.

A iniciativa ocorre na mesma semana em que Lula fez da defesa da soberania um dos eixos de seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em Nova York, o presidente afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em seu processo democrático e declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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