Brasil ultrapassa Arábia Saudita como 2º maior fornecedor de petróleo à China

Os dois maiores abastecedores da maior economia importadora do planeta produzem fora do Golfo Pérsico

Publicado em 21/10/2026
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O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita e virou o segundo maior fornecedor de petróleo bruto da China nos primeiros nove meses de 2026. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China divulgados nesta terça-feira (20) registram 44,29 milhões de toneladas embarcadas pelo Brasil entre janeiro e setembro, contra 43,12 milhões de toneladas compradas dos sauditas.

A Rússia mantém a liderança no ranking do maior fornecedor de petróleo à China. Em setembro, Moscou vendeu 9,94 milhões de toneladas à China, alta de 20% sobre o mesmo mês de 2025 e queda de 11% em relação a agosto.

O volume brasileiro de setembro chegou a 5,15 milhões de toneladas, o equivalente a 1,25 milhão de barris por dia, alta de 18% em um ano.

O barril do Brent superou US$ 110 nesta terça, com a guerra no Oriente Médio sustentando os preços. Cada barril exportado nesse patamar vira divisas, superávit comercial e renda na cadeia petrolífera, das plataformas do pré-sal aos terminais portuários.

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A derrocada saudita no maior mercado do mundo

As importações chinesas de petróleo saudita desabaram 62% em setembro, para 2,70 milhões de toneladas, ou 660 mil barris por dia, contra 7,13 milhões no mesmo mês de 2025.

No ranking do mês, o reino terminou atrás até dos Emirados Árabes Unidos, que venderam 3 milhões de toneladas. A queda não atinge o Golfo por inteiro, já que o Kuwait cresceu 71% e os Emirados avançaram 5%.

No acumulado do ano, a vantagem brasileira sobre os sauditas é de 1,17 milhão de toneladas, cerca de 2,7%. A briga pelo segundo lugar segue aberta nos últimos meses de 2026.

Rússia no topo e barril americano fora

O petróleo russo chega à China pelo oleoduto que cruza a Sibéria oriental até a fronteira e por navios carregados em Kozmino, porto russo no Pacífico. O avanço acontece sob sanções americanas, e o mercado financeiro já precifica sinais de alívio.

O Iraque vem na sequência, com 4,84 milhões de toneladas em setembro, queda de 19% em um ano e salto de 248% sobre agosto. Angola, rival direta do Brasil no Atlântico Sul, perdeu 57%.

A alfândega chinesa não registrou um único barril dos Estados Unidos, da Venezuela ou do Irã em setembro, repetindo o quadro de setembro de 2025. O óleo americano desapareceu do mercado chinês após a guerra tarifária aberta por Washington.

Pré-sal sustenta o salto brasileiro

Do lado brasileiro, o avanço se apoia na produção crescente do pré-sal da bacia de Santos, onde novas unidades flutuantes entraram em operação nos últimos anos. A Petrobras opera Búzios, o maior campo produtor do país.

Os dois maiores abastecedores da maior economia importadora do planeta produzem fora do Golfo Pérsico, um na Sibéria oriental, outro no pré-sal de Santos. O quarto trimestre revelará se a perda saudita é episódio de guerra ou mudança permanente no fluxo do barril chinês.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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