Planos de governo dos candidatos à Presidência da República na área energética
AEPET traz aos leitores análise comparativa dos planos registrados no TSE
Embora pouco divulgados pelas candidaturas, os planos de governo, que tem obrigatoriedade legal de registro junto ao TSE), traçam os objetivos macro sociais, econômicos, ambientais, de segurança, saúde e educação, entre outros temas relevantes e deveriam servir de base para os eleitores antes da tomada de decisão pelo voto.
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As propostas para o setor energético registradas nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (referenciado na consulta) apresentam divergências fundamentais quanto ao papel do Estado, subsídios e fontes de extração, além de convergências em áreas como armazenamento e transmissão.
Por isso, a AEPET fez uma análise comparativa para o setor energético. As propostas registradas nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam divergências fundamentais quanto ao papel do Estado, subsídios e fontes de extração, além de convergências em áreas como armazenamento e transmissão. As propostas dos candidatos são apresentadas pela ordem alfabética dos nomes.
Petrobrás
O programa de Flávio Bolsonaro não atribui à Petrobrás um papel de expansão estatal direta em distribuição ou logística:
• Refino e fertilizantes: Foca na modernização do parque de refino existente, no aproveitamento do petróleo nacional e na produção de fertilizantes a partir do gás natural.
• Iniciativa privada e desestatização: Defende a retomada do Programa Nacional de Desestatização e o estímulo ao investimento privado no setor energético. Contudo, o documento não apresenta proposta específica para privatizar a Petrobrás.
O programa de Lula prevê o fortalecimento e a expansão do papel da Petrobrás ao longo de toda a cadeia de energia e combustíveis:
• Retorno à distribuição: Propõe explicitamente o retorno da Petrobrás ao segmento de distribuição de combustíveis.
• Exploração e refino: Defende a ampliação da exploração de petróleo em terra e no mar, a revitalização de campos maduros e a expansão da capacidade nacional de refino.
• Logística e indústria naval: Prevê a ampliação da atuação da Transpetro na logística de gás natural liquefeito (GNL), além da reafirmação de regras de conteúdo local para fortalecer a indústria naval.
• Biocombustíveis e transição: Inclui a Petrobrás e a Petrobrás Biocombustíveis na estratégia de produção de biocombustíveis de 2ª e 3ª geração, combustível sustentável de aviação (SAF), biometano e combustíveis marítimos sustentáveis.
Gás Natural e Fracking
Flávio Bolsonaro:
Exploração de Fracking: Propõe permitir explicitamente a exploração de gás não convencional por fraturamento hidráulico (fracking), condicionada ao cumprimento das normas e exigências ambientais
Expansão e Conexão da Malha: Defende a ampliação da infraestrutura de escoamento e transporte para conectar estados isolados à rede nacional
Investimento Privado: Busca atrair capital privado para o setor com base na estabilidade de regras
Produção de Fertilizantes: Prevê direcionar o gás natural para favorecer a produção doméstica de fertilizantes, visando reduzir a dependência externa de insumos agrícolas
Lula:
Interiorização e Integração Sul-Americana: Foca na expansão e interiorização das malhas de transporte e distribuição, além do fortalecimento da integração gasífera com países da América do Sul
Uso Industrial e Complementaridade: Associa a expansão da oferta de gás natural ao desenvolvimento industrial, à flexibilidade do sistema elétrico e ao estímulo do biometano como fonte complementar
Logística Pública (Transpetro): Prevê a ampliação da atuação da Transpetro na logística de gás natural liquefeito (GNL)
Biocombustíveis e Transição Energética
Flávio Bolsonaro:
Propõe ampliar o alcance do RenovaBio com a comercialização internacional de créditos de carbono, incentivar o mercado de biogás/HVO/SAF por linhas de financiamento e aplicar a Lei do Combustível do Futuro
Lula:
Propõe o fortalecimento de biocombustíveis de 2ª e 3ª geração, com atuação direta da Petrobras e Petrobras Biocombustíveis, foco em combustível sustentável de aviação (SAF) e biometano, além da aceleração do descomissionamento/redução do carvão e expansão socioambiental das hidrelétricas
Transição energética
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para a transição energética compartilham o incentivo às energias renováveis e aos biocombustíveis, mas se diferenciam pelo nível de intervenção estatal, pelo papel das empresas públicas e pelos instrumentos regulatórios e financeiros adotados.
Estratégias de Flávio Bolsonaro:
• Mecanismos de Mercado e Financiamento: Foca em atrair investimentos privados por meio de linhas especiais de crédito (como para empresas de biogás) e no fomento à aplicação da Lei do Combustível do Futuro.
• RenovaBio Internacional e Créditos de Carbono: Propõe expandir o alcance do RenovaBio para o exterior com a comercialização internacional de créditos de carbono e a ampliação dos mercados de carbono.
• Variedade de Biocombustíveis: Estimula a produção de etanol, biodiesel, diesel verde (HVO), SAF e biogás.
Estratégias de Lula:
• Atuação Estatal e Indústria: Associa a transição energética ao seu Plano de Transformação Ecológica e à política industrial, prevendo o fortalecimento da Petrobrás e da Petrobrás Biocombustíveis na cadeia produtiva.
• Biocombustíveis Avançados: Propõe o aprimoramento do RenovaBio com foco em biocombustíveis de 2ª e 3ª geração, combustível sustentável de aviação (SAF), biometano e combustíveis marítimos sustentáveis.
• Matriz Elétrica e Descarbonização: Aceleração da redução da produção de carvão mineral, repotenciação de usinas hidrelétricas existentes conforme critérios socioambientais e preservação do desenvolvimento tecnológico no setor nuclear.
• Incentivos Fiscais: Propõe adequar o regime tributário do setor petrolífero (Repetro) para vinculá-lo à estratégia de transição energética.
Licenciamento Ambiental
Flávio Bolsonaro:
• Previsibilidade e reformas institucionais: Prevê alterações na estrutura e nas competências dos órgãos ambientais com o objetivo de conferir maior agilidade, segurança jurídica e previsibilidade aos processos de licenciamento. A intenção declarada é reduzir incertezas para atrair investimentos privados em infraestrutura e energia.
• Exigências para o Fracking: Ao defender a liberação do fraturamento hidráulico (fracking) para exploração de gás não convencional, o plano condiciona a prática ao cumprimento estrito da legislação e das exigências ambientais.
Lula:
• Critérios socioambientais: Condiciona a expansão da infraestrutura energética — como novas usinas hidrelétricas ou a repotenciação de empreendimentos existentes — à aplicação de critérios socioambientais rigorosos e à sustentabilidade socioeconômica.
• Alinhamento com a Transformação Ecológica: Vincula os processos de avaliação ambiental à estratégia mais ampla do seu Plano de Transformação Ecológica, priorizando a mitigação de impactos, o envolvimento de comunidades locais e a proteção dos ecossistemas.
Clique nos nomes dos candidatos para ler às íntegras dos programas no site do TSE
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