O gargalo global do diesel e a resposta estratégica da Petrobrás
Na última década, muitas refinarias foram fechadas na Europa e nos EUA sob a pressão do movimento de emissões líquidas zero
A economia mundial enfrenta uma escassez de combustíveis fósseis refinados, com destaque para o diesel, cujos preços ultrapassaram a marca recorde de US$ 6,50 por galão nos Estados Unidos. Em meio a gargalos na capacidade internacional de refino, restrições à exportação por potências energéticas e tensões geopolíticas, a Petrobrás anunciou metas ambiciosas para garantir a autossuficiência na produção de diesel até o fim da década.
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O mercado global de combustíveis vive um momento de forte desequilíbrio estrutural decorrente da perda combinada de suprimentos do Oriente Médio e da Rússia, somada à escassez de capacidade global de refino. As saídas de diesel do Oriente Médio sofreram forte retração devido a conflitos na região e ataques a infraestruturas de energia. De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), a perda de produção no Oriente Médio chegou a ser três vezes maior do que a interrupção no fornecimento russo.
A Rússia, por sua vez, prorrogou a proibição de exportação de diesel até o final de outubro, motivada pelos contínuos ataques de drones ucranianos às suas refinarias. Com a escalada de preços impactando diretamente os custos de transporte e inflacionando os alimentos, o Congresso estadunidense passou a debater uma proibição de exportação de diesel pelos EUA. Especialistas alertam, contudo, que uma medida protecionista poderia desencadear efeitos em cadeia em países como China e Índia, aprofundando o desabastecimento global, com o continente europeu sendo o mais vulnerável devido ao fechamento prévio de refinarias e à alta dependência de importações.
O gargalo no setor de refino também é reflexo de anos de desinvestimento e de fechamentos de instalações promovidos sob a transição energética em economias ocidentais, além das sanções estadounidense impostas a ativos estratégicos no exterior.
Enquanto as grandes petrolíferas globais reduziram investimentos em infraestrutura de longo prazo para priorizar a distribuição de dividendos e recompras de ações aos acionistas, o mercado internacional ficou sem margem de manobra para mitigar choques de oferta.
Diante da vulnerabilidade geopolítica do mercado global de energia, a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, defendeu que o Brasil deve priorizar a sua soberania energética. Durante palestra no Clube de Engenharia, a executiva estabeleceu como meta refinar 100% do diesel consumido no Brasil até 2030, como noticiou a AEPET:
https://aepet.org.br/noticia/magda-meta-refinar-no-brasil-ate-2030-100-do-diesel-que-o-pais-consome/
Classificando o diesel como um insumo estratégico que "leva a comida para a casa dos brasileiros", Chambriard enfatizou a necessidade de expansão da capacidade nacional.
À medida que o cenário internacional impõe restrições severas à oferta de combustíveis, o plano de garantir a autossuficiência de refino no Brasil até 2030 coloca a Petrobrás no centro das atenções do mercado de energia.
Com informações de Reuters, oilprice.com, G1
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