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Maria Lucia Fattorelli

Brasil privatizou refinarias e postos para pagar “Dívida Pública”, agora não consegue segurar o preço dos combustíveis

Colocar o interesse do país em primeiro lugar significa garantir preços justos, estabilidade econômica e acesso a direitos básicos

Publicado em 08/04/2026
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A Guerra EUA X Irã fez explodir os preços de petróleo no mundo, porém, não deveria impactar os preços do setor de combustíveis no Brasil, em grande parte auto-suficiente, e que ainda exportou US$ 29,6 bilhões mais do que importou em 2025. Ou seja, seria uma questão de matemática que, mantidos os lucros do setor de combustíveis, os preços não precisariam subir.

Porém, as privatizações ocorridas nesse setor – que é estratégico – realizadas, sobretudo, nos governos Temer e Bolsonaro (BR Distribuidora e Refinarias) fragmentaram a cadeia do petróleo e abriram espaço para que interesses privados passassem a aumentar os preços, mesmo quando não há motivo para isso.

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Agora resta ao governo federal tentar medidas paliativas, como a fiscalização de postos, distribuidoras e refinarias e redução de tributos e subsídios para tentar conter a alta, o que não tem impedido a alta generalizada dos preços. Também há resistência e demora de vários governadores em reduzir o ICMS, e também não há garantia de que tais reduções chegarão ao consumidor final, dado que boa parte do setor passou a se orientar por interesses privados.  Ao mesmo tempo, dados mostram que distribuidoras e postos ampliaram suas margens de lucro em até 103%, pressionando ainda mais os preços nas bombas.

Energia e recursos naturais não podem ser vendidos – para pagar uma “dívida pública” em grande parte ilegítima – nem estarem subordinados à lógica do lucro máximo. São setores estratégicos, essenciais para a soberania nacional e para o desenvolvimento econômico. É por isso que a Auditoria Cidadã da Dívida e a Campanha Nacional por Direitos Sociais defendem a retomada do controle público sobre áreas estratégicas: não apenas a distribuição de combustíveis, mas também empresas altamente estratégicas como a Eletrobrás. O que foi privatizado precisa ser reestatizado.

Colocar o interesse do país em primeiro lugar significa garantir preços justos, estabilidade econômica e acesso a direitos básicos, e não proteger margens de lucro em meio à crise. Sem soberania sobre seus próprios recursos, o Brasil seguirá refém de interesses que lucram com o petróleo alto, enquanto a população arca com os custos.

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