Agora resta ao governo federal tentar medidas paliativas, como a fiscalização de postos, distribuidoras e refinarias e redução de tributos e subsídios para tentar conter a alta, o que não tem impedido a alta generalizada dos preços. Também há resistência e demora de vários governadores em reduzir o ICMS, e também não há garantia de que tais reduções chegarão ao consumidor final, dado que boa parte do setor passou a se orientar por interesses privados. Ao mesmo tempo, dados mostram que distribuidoras e postos ampliaram suas margens de lucro em até 103%, pressionando ainda mais os preços nas bombas.
Energia e recursos naturais não podem ser vendidos – para pagar uma “dívida pública” em grande parte ilegítima – nem estarem subordinados à lógica do lucro máximo. São setores estratégicos, essenciais para a soberania nacional e para o desenvolvimento econômico. É por isso que a Auditoria Cidadã da Dívida e a Campanha Nacional por Direitos Sociais defendem a retomada do controle público sobre áreas estratégicas: não apenas a distribuição de combustíveis, mas também empresas altamente estratégicas como a Eletrobrás. O que foi privatizado precisa ser reestatizado.
Colocar o interesse do país em primeiro lugar significa garantir preços justos, estabilidade econômica e acesso a direitos básicos, e não proteger margens de lucro em meio à crise. Sem soberania sobre seus próprios recursos, o Brasil seguirá refém de interesses que lucram com o petróleo alto, enquanto a população arca com os custos.