
Estados Unidos versus China: apostas para o século XXI
China prefere a estratégia de ascensão pacifica
A morte de Ali Khamenei e seus assessores mais próximos mostra o enfoque radicalmente elitista que Trump quer aplicar às relações internacionais.
Para ele os Estados são dirigidos pelas elites e não pelo povo e caso se as neutralize por extermínio, sequestro ou ameaça, se coopta o Estado e o submete ao hegemón em expansão.
Ele não quer lutar contra exércitos ou povos, mas espalhar o terror nos tomadores de decisão e vencer guerras com algunas dezenas ou centenas de mortos, baixos custos financeiros, políticos e militares.
É a nova versão da Blitzkrieg nazista: guerra de assalto vinculada a uma tecnologia militar e informacional de alta precisão. Mas se funcionou na Venezuela, não significa que vá funcionar no Irã.
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O objetivo de Trump é controlar o Canal de Ormuz ao provocar a mudança de regime no Irã, criar uma grande vulnerabilidade energética para China com impactos gerais sobre sua economia, e debilitar a Russia na frente ucraniana com a subtração ou reorientação - para a sua adversária - da exportação de tecnologia militar persa.
O propósito final de Trump é mpôr a mudança de regime na Rússia e na China e garantir um século XXI sob domínio de um império global estadunidense.
A China, por sua vez, prefere a estratégia de ascensão pacifica. Ela continuará a retaliar economicamente os Estados Unidos acelerando a substituição do dólar pelo ouro como moeda de reserva. A cotação do ouro deverá disparar a partir deste domingo preparando adiante a 4a grande crise do dólar desde 1929, como apontamos em nosso artigo O novo imperialismo de Trump: dimensões e vulnerabilidades. A sua aposta é paralisar a máquina de guerra dos Estados Unidos com a crise do padrão monetário, evitando um conflito militar indireto ou direto com a potência norte-americana.
O tempo corre contra os Estados Unidos que com a agenda neofascista de Trump faz uma aposta politica altíssima de ultrapassá-lo para reverter as tendências estruturais da economia mundial.
Carlos Eduardo Martins é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia (LEHC)
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