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Carlos Eduardo Martins

Trump, o imperialismo e a guerra: riscos e tendências

Projeto neofascista em curso emerge potencialmente muito mais agressivo e perigoso do que aqueles construídos nos anos 1920 - 40

Publicado em 20/02/2026
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A previsão de US$ 1.5 trilhão de orçamento militar para 2027 reivindicada por Trump, indica, como mencionou o conservador Tucker Carlson, a preparação de uma grande guerra. São US$ 600 bilhões de aumento em único ano, mais de 50%, cujo último precedente foi em 1951 durante a guerra da Coréia.

Os Estados Unidos de Trump se pretendem um império mundial. Retomam e ampliam a Doutrina do Destino Manifesto para abarcar todo o Hemisfério Ocidental, mas vão além!

Querem destruir a China e subordinar o mercado mundial ao poder militar de um Estado imperial.

Não há nenhum acordo sobre zonas de influência autárquicas, como alguns interpretam a não intervenção militar de Rússia e China em defesa da Venezuela, e nem é esta uma diretriz de política externa dos países fundadores dos BRICS.

Os Estados Unidos de Trump sentem que o mercado mundial retira-lhes o protagonismo e querem relançar um novo projeto de império global, tentativa que tantas vezes fracassou na história.

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É o projeto neofascista em curso, que emerge potencialmente muito mais agressivo e perigoso do que aqueles construidos nos anos 1920 - 40.

A possibilidade de reedição do fascismo na história havia sido previsto por Georg Luckacs em A Destruição da Razão, quando situou a sua essência na destruição dos processos de emancipação humana. Ele reaparece para tentar liquidar a emancipação do Sul contra o Imperialismo; do Oriente contra o domínio do Ocidente; de latinos, afrodescesdentes, asiáticos, eslavos e povos originários contra o saque, invasão e extermínio anglo-saxão e nórdico; de mulheres e homens contra o jugo do machismo e a heteronormatividade.

Trump pode atacar em vários lugares: na Venezuela, na Colômbia, no México, na Groelândia, na Palestina, no Irã, onde considerar necessário e estratégico.

Um ataque ao Irã e uma eventual mudança para um regime pró-yankee poderia bloquear o estreito de Ormuz para a China e colocá-la em dificuldades, uma vez que 35% do petróleo que consome é oriundo dessa região.

Defendemos que estamos em caos sistêmico desde 2015/20, como antecipamos no nosso livro Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, e este é um processo que poderá levar 20 a 30 anos.
Hoje o centro decadente, cujo vértice é os Estados Unidos, está mais organizado que o eixo geopolítico emergente, centrado na China, na Rússia e outros países do Sul Global, atravessados por múltiplas forças e aparentemente leva vantagem operacional.

Esta é uma das razões para a cautela chinesa e russa, confiantes no papel das lutas sociais e politizas e no tempo que os favorece e redireciona a dinâmica tecnológica e as práticas cooperativas na sua direção.

O curtíssimo prazo pode impactar, como impactou nos anos 1930. Entretanto, se Hitler começou ganhando a guerra, foram a sua volúpia de poder e a ilusão de que poderia determinar o que seria a realidade, a base da sua ruína!

Carlos Eduardo Martins é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia (LEHC).

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