Nosso pobre debate eleitoral segue marcado por pouca explicitação do que será a política econômica do próximo governo, qualquer que seja o candidato eleito. À boca pequena, em salas fechadas, os formuladores de política econômica de todos os lados falam palavras que soam como boa música para os ouvidos dos representantes dos grandes interesses financeiros: forte ajuste fiscal, cortes de gastos, desvinculação de receitas, e coisas do gênero. Este ano, completam 90 anos da publicação da Teoria Geral de Keynes (“A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, formalmente). O que esse grande autor pode ainda iluminar nas discussões atuais?

Em 1936, o mundo ainda vivia a chamada Grande Depressão. Olhando para a tragédia vivida, John Maynard Keynes publicou a sua A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Noventa anos depois, a obra permanece como uma das referências fundamentais para compreender uma questão contemporânea: por que economias com capacidade produtiva e tecnologia, trabalhadores dispostos a trabalhar e necessidades sociais evidentes podem, ainda assim, permanecer por longos períodos com baixa utilização de recursos e crescimento insuficiente?