Passaporte para qual futuro?

Oiapoque, cidade mais ao Norte do Brasil, já sente efeitos da chegada da Petrobrás, mesmo sem royalties

Publicado em 25/08/2026
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Mesma região de Oiapoque registrada em 2021 e em setembro de 2025, em fotografias que mostram o avanço de desmatamento e aumento da ocupação

Em 17 de agosto, quando foi conhecer o poço exploratório Morpho, o presidente Lula fez um alerta: "O Amapá tem uma chance extraordinária. Quem governa esse estado vai ter que ter uma preocupação com o surgimento da especulação imobiliária aqui".

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Embora o anúncio da Petrobrás revele que encontrou a presença de hidrocarbonetos na perfuração, ainda não há a confirmação da existência de um reservatório de petróleo comercializável. Mas desde o início da pesquisa exploratória, a empresa fez da cidade de Oiapoque sua base. A Petrobrás reformou o aeroporto para receber voos fretados da Azul levando funcionários que chegam de Macapá e partem dali em helicópteros para plataformas em alto mar.

Oiapoque é um município brasileiro no extremo norte do estado do Amapá, famoso por inspirar a expressão popular "do Oiapoque ao Chuí " por ficar na fronteira com a Guiana Francesa e marcar o limite norte do país. Com aproximadamente 30 mil habitantes, a cidade está a 570 km da capital Macapá, pela Rodovia BR-156 e faz limite internacional com Saint-Georges-de-l'Oyapock, na Guiana Francesa, conectados pela ponte sobre o Rio Oiapoque.

Segundo a BBC News Brasil, desde a chegada da Petrobrás, já se pode notar impactos na dinâmica populacional da cidade, com a construção de novos bairros e impactos altistas no preço de alugueis. A Prefeitura de Oiapoque, não contabiliza os novos moradores que estão chegando. Mas alguns dados dão algumas pistas.

Na reportagem de Vitor Tavares, no início de 2026, havia 807 novos estudantes interessados em vagas nas escolas municipais, informou em ofício à BBC News Brasil a Secretaria de Educação do Oiapoque. O número representa um acréscimo de 16% de alunos na rede municipal, que tinha cerca de 5 mil alunos.

Já a secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informou verificar "um índice de crescimento considerável nos últimos anos", apesar de não ter uma contagem.

Somente em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construções e transferências, "reflexo direto do investimento em obras comerciais e residenciais" nos últimos anos.

O geógrafo Edenilson Moura, professor na Universidade Federal do Amapá (Unifap), no campus Binacional de Oiapoque, tem fotografado as novas construções pelas ruas justamente para documentar as transformações na cidade.

"A cidade está cheia de edificações sendo construídas. Não são prédios muito altos, como em outros padrões de verticalização de distintas realidades urbanas brasileiras, mas hoje já percebo edifícios de quatro, cinco pavimentos sendo erguidos. Isso por si só já demonstra um novo modelo de organização do espaço urbano de Oiapoque", diz Moura.

Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, em um fluxo de dinheiro inédito ali.

Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobrás, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025.

Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem, e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros Estados e até outros países.

Ainda sem o petróleo, a economia da cidade é baseada no comércio fronteiriço, especialmente de franceses que viajam para comprar produtos mais baratos, além da pesca e da agricultura.

Como funcionários da Petrobrás têm se instalado na cidade, o comércio tem se aquecido com os novos consumidores. Além da subida nos aluguéis, hotéis também estão com alta procura.

Em nota à BBC News Brasil, a Petrobras disse que gera "impactos positivos" com sua presença na região, como geração de emprego e aumento de arrecadação, diante da maior demanda por serviços na cidade.

Mas a empresa disse que não é sua função realizar obras de urbanização e infraestrutura no município. A Petrobrás disse que mantém projetos sociais e ambientais ativos na Margem Equatorial, área que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá. Não foi especificado quantos atendem especificamente a população de Oiapoque.

Com informações da BBC News Brasil

Alex Prado
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