Petrobrás perde liderança na produção terrestre

Resultado da alienação de ativos da Petrobrás em diferentes bacias terrestres, sobretudo entre 2016 e 2022

Publicado em 26/08/2026
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Unidade de produção da Petrobras no Nordeste (Foto Divulgação)

A produção de petróleo e gás em terra no Brasil passou por uma mudança estrutural na última década, marcada pela redução da participação da Petrobrás e pelo avanço de outras empresas do setor. Ao mesmo tempo, o gás natural ganhou espaço e passou a representar a maior parcela da produção onshore.

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Os dados constam da 11ª edição do Boletim de Exploração e Produção de Petróleo e Gás, elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), com dados referentes ao segundo trimestre de 2026.

Segundo o levantamento, a produção onshore da Petrobrás caiu de 273,6 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), em 2015, para 107,4 mil boe/d em 2026, uma redução de 60,7%.

Com isso, a participação da estatal na produção terrestre recuou de 89,8% para 45,4% no período. Na direção oposta, as demais concessionárias passaram de 10,2% para 54,6% da produção onshore.

O Ineep atribui a transformação principalmente à alienação de ativos da Petrobrás em diferentes bacias terrestres, sobretudo entre 2016 e 2022, período em que a estatal também encerrou operações em diversas áreas.

Gás natural muda perfil da produção em terra

A redução da presença da Petrobrás ocorreu paralelamente a uma mudança na composição da produção terrestre. A participação do gás natural passou de 47,5% para 65,7% do total produzido no ambiente onshore.

Para o Ineep, o movimento reforça a importância estratégica das áreas terrestres e aponta para a possibilidade de expansão da produção por meio da recuperação de campos maduros e de novos investimentos exploratórios.

O setor apresenta sinais de recuperação desde 2023. Segundo o instituto, a ampliação dos investimentos destinados à revitalização de áreas maduras e à exploração pode aumentar o aproveitamento dos recursos existentes e contribuir para o desenvolvimento econômico e social das regiões produtoras. Nesse cenário, o boletim defende o fortalecimento da Petrobrás também no segmento onshore.

Estatal ainda responde pela maior parte da produção nacional
A perda de liderança em terra, contudo, não significa que a Petrobrás tenha deixado de ser a principal produtora de petróleo e gás do país.

Considerando a produção offshore e onshore, a estatal respondeu por 61,8% da produção nacional no segundo trimestre de 2026, com 3,52 milhões de boe/d. As demais petroleiras produziram 2,17 milhões de boe/d, equivalentes a 38,2% do total.

Outro movimento relevante ocorreu nas exportações. O Brasil vendeu ao exterior, em média, 1,74 milhão de barris de petróleo por dia no segundo trimestre, volume 16,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025 e 24,6% menor que o do primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o Ineep, a redução esteve associada principalmente à ampliação do processamento interno de petróleo, especialmente nas refinarias da Petrobrás. Ainda assim, cerca de 39,8% do petróleo produzido no país foi destinado à exportação no período.

Fonte(s) / Referência(s):

Tatiane Correia
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