EUA abastecem traficantes com armas e munições
Reportagem revela que munições de traficantes no México vieram de fábrica do Governo dos EUA; armas também vêm para o Brasil.
Armas apreendidas no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro pela Polícia Federal em junho de 2017. As armas foram encontradas em contêineres, escondidas em aquecedores para piscinas, no terminal de cargas do aeroporto. A mercadoria ilegal veio de Miami, nos Estados Unidos.
Um ataque de traficantes a uma cidade no México deixou no local dezenas de cartuchos calibre .50 com as iniciais “L.C.”. As letras representam a Fábrica de Munições do Exército de Lake City, uma extensa instalação de propriedade do Governo dos EUA, localizada nos arredores de Kansas City, Missouri, que é a maior fabricante de munição para fuzis usada pelas Forças Armadas estadunidenses.
A revelação foi feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e pelo The New York Times após consulta a milhões de páginas de documentos judiciais, registros de apreensões e dados governamentais. A reportagem mostra como acordos entre o Exército e empresas privadas que administram a fábrica permitiram que munição e componentes calibre .50 fabricados na planta entrassem no mercado varejista e caíssem nas mãos de cartéis mexicanos.
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Cartéis que foram declarados pelo governo Trump como organizações terroristas estrangeiras. Tachar de “narcoterroristas” é a desculpa de Trump para realizar ataques em qualquer parte do mundo tendo pouca dor de cabeça com cobranças na justiça interna.
No ano passado, o Governo do Estado do RJ calculou que
90% do armamento que abasteceu
criminosos em 2024 veio dos Estados Unidos.
Os EUA deveriam começar bombardeando suas próprias indústrias e seus comércios. O México apreendeu cerca de 18 mil armas de fogo durante o Governo Claudia Sheinbaum, das quais cerca de 77% eram originárias dos Estados Unidos. Em coletiva de imprensa diária, a presidente mexicana enfatizou a importância de investigar como essas armas foram parar nas mãos do crime organizado no México.
O governo mexicano tem reiterado a responsabilidade compartilhada no combate ao narcotráfico e ao tráfico transfronteiriço de armas, enquanto os Estados Unidos ameaçam com intervenção militar para reprimir os cartéis de drogas.
Relatório de 2018 da Divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas da Polícia Federal do Brasil já revelava que a venda de armas em lojas e feiras nos Estados Unidos é a principal fonte de armamentos longos que chegam às mãos de criminosos e traficantes no Brasil.
O armamento passa pelo Paraguai, mas a origem são os EUA. Pistolas e fuzis fabricados na Áustria, República Tcheca, Romênia e Hungria, entre outros países, veem ilegalmente para o Brasil após terem sido importadas por lojas dos EUA e adquiridas por cidadãos estadunidenses, sendo depois contrabandeadas para Paraguai, Bolívia e Brasil.
No ano passado, o Governo do Estado do Rio de Janeiro calculou que 90% do armamento que abasteceu criminosos em 2024 veio dos Estados Unidos.
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