Exploração de novos poços de petróleo cai 80% em 10 anos
Brasil precisa urgentemente ampliar suas reservas de petróleo com aumento na exploração de poços
Entre 2016 e 2025, foram perfurados 203 poços de petróleo no Brasil, contra 936 poços no período 2006/2015, segundo levantamentos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). “O Brasil precisa, urgente, ampliar suas reservas de petróleo, a fim de garantir a segurança energética e o protagonismo do país no mercado de óleo e gás”, diz o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, ao comentar dados do balanço de produção de 2025 divulgados esta semana pela Petrobrás.
Ele destaca que a exploração de novos poços de petróleo vem caindo, “com recuo de 80% nas últimas décadas”. Segundo Bacelar, no ano passado, a Petrobrás adicionou 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente (boe) em reservas, atingindo um índice de reposição de reservas (IRR) de 175%, o melhor resultado dos últimos dez anos.
“O resultado é importante, mas o que necessitamos é de maiores investimentos na exploração, em busca de novas reservas de petróleo”, diz ele, ao reconhecer que a demanda por energia no mundo é crescente, e impõe enormes desafios para acelerar também a inserção de fontes renováveis de energia.
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Pré-sal representa 84% da produção
De acordo com o Ineep, aproximadamente 84% da produção em 2025 foi proveniente de poços localizados no pré-sal, evidenciando a elevada concentração das operações da companhia nesta província petrolífera.
Esse aumento na produção refletiu diretamente no volume exportado pela companhia. Em 2025, a estatal exportou cerca de 765 mil barris por dia, também um recorde, com aumento de 27,1% em relação ao ano anterior.
“Os números confirmam a centralidade e a dependência do pré-sal nas operações da Petrobrás, região marcada por elevada produtividade e custos relativamente baixos quando comparada a outras províncias petrolíferas”, cita o instituto.
“Essa combinação permite à estatal sustentar resultados financeiros robustos por meio da maior produtividade e exportação de petróleo cru, inclusive em um contexto de preços internacionais mais baixos, como ocorreu em 2025”.
Concentração de poços de petróleo
Há duas preocupações principais: a crescente concentração e aceleração da extração no pré-sal indicam uma lógica de curto prazo voltada à maximização de receitas, o que pode enfraquecer sua dimensão estratégica para a segurança energética e o desenvolvimento de longo prazo.
Além disso, a expansão da produção sem o fortalecimento da capacidade nacional de refino reforça o perfil primário-exportador do país e mantém a dependência da importação de derivados, especialmente de diesel, alerta o Ineep.
“Os recursos energéticos, e, em particular, o petróleo e o gás, devem ser compreendidos como ativos estratégicos para a soberania energética e o desenvolvimento nacional, não podendo ser tratados apenas como commodities voltadas à geração de resultados financeiros imediatos”.
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