Quem renuncia à indústria naval renuncia a parte da soberania

Indústria naval brasileira rebate crítica ‘caricatural’ e ensina que Estados apoiam o setor por saberem que é fundamental à soberania.

Publicado em 05/06/2026
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Petroleiro João Cândido (foto Transpetro)

A construção naval mundial é uma indústria estratégica, intensiva em capital, tecnologia, engenharia, aço, equipamentos, financiamento, garantias, escala e previsibilidade. Em todos os países que lideram esse mercado, ela foi tratada como política de Estado, não como improviso.

“O debate sério não é entre ‘navio barato lá fora’ e ‘navio caro no Brasil’. O debate sério é entre um Brasil que aceita ser apenas comprador dependente de capacidade estrangeira e um Brasil que decide construir sua própria base industrial, tecnológica e marítima.”

A afirmação é do presidente do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), Ariovaldo Rocha, na nota “Indústria naval não se constrói com ironia; constrói-se com política de Estado”, que contesta artigo publicado em um jornal do Rio de Janeiro e outro de São Paulo por Elio Gaspari, que “voltou a tratar a indústria naval brasileira como se ela fosse uma aventura episódica, um capricho de governo ou uma reincidência de ineficiência nacional”.

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“Um país que depende do mar para exportar, importar, produzir energia, defender seu território e integrar sua logística não pode abrir mão de capacidade própria de construir, reparar, manter e modernizar embarcações. Quem renuncia à indústria naval renuncia a parte da própria soberania”, alerta a nota.

“A construção naval mundial não é uma feira livre regida apenas pelo menor preço. É uma indústria estratégica, intensiva em capital, tecnologia, engenharia, aço, equipamentos, financiamento, garantias, escala e previsibilidade”, destaca o Sinaval.

“Em todos os países que lideram esse mercado, ela foi tratada como política de Estado, não como improviso. Japão, Coreia do Sul, China, Estados Unidos, países europeus e, mais recentemente, Índia e nações do Oriente Médio entenderam que navios, plataformas, embarcações de apoio, meios navais e infraestrutura marítima não são apenas ativos comerciais. São instrumentos de soberania, segurança energética, defesa, comércio exterior, inovação e geração de empregos qualificados”, ensina o sindicato que representa o setor naval brasileiro.

O Sinaval destaca as diferentes formas de apoio do Estado em países que hoje lideram o setor. Segundo a OCDE, o governo sul-coreano desempenha papel central e estratégico no apoio à construção naval por meio de marcos regulatórios, inovação, instrumentos financeiros, agências de crédito à exportação e planos de longo prazo.

No Japão, a OCDE registra apoio governamental por políticas de financiamento, além de programas voltados a digitalização, descarbonização e navios de próxima geração.

Sobre a China, relatório do USTR, o escritório estadunidense para o comércio, aponta quase três décadas de planejamento estatal, apoio financeiro não mercadológico, vantagens de custo, controle estatal e metas explícitas para dominar mundialmente os setores marítimo, logístico e naval.

Portanto, quando alguém afirma que o navio estrangeiro é mais barato, precisa dizer o resto da frase: ele é mais barato porque, em muitos casos, chega ao preço final carregando décadas de subsídios diretos e indiretos, financiamento favorecido, garantias públicas, encomendas previsíveis, infraestrutura subsidiada, políticas de conteúdo nacional, proteção de mercado, compras estatais, apoio à inovação e escala construída pelo Estado.

Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore)

Efeitos do Custo Brasil na indústria naval

A nota do Sindicato destaca também o Custo Brasil. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), com base em estudo em parceria com o Movimento Brasil Competitivo, estima que esse custo representa R$ 1,7 trilhão por ano, cerca de 19,5% do PIB de 2022. A CNI também define o Custo Brasil como um “tributo invisível” que encarece a produção e reduz a competitividade da indústria nacional.

A fake news em relação ao navio João Cândido é derrubada pelo Sinaval, que assegura que o petroleiro é reconhecido, até hoje, como um dos melhores navios da frota da Transpetro, “com desempenho operacional que desmente a caricatura feita pelo jornalista”.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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