Europa reduz investimentos nos EUA e aumenta na Ásia

Analistas veem investidores da Europa em busca de ‘distância segura’ de ativos em dólar diante do crescente risco dos EUA.

Publicado em 24/02/2026
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Investidores da Europa têm ajustado gradualmente suas participações em ativos denominados em dólar, à medida que a crescente incerteza sobre as políticas fiscal e monetária dos EUA os leva a reconsiderar estratégias de investimentos e gestão de riscos de longo prazo.

Pesquisa realizada pelo banco britânico Barclays ilustra essa tendência. De acordo com reportagens da agência de notícias Reuters, o banco, que entrevistou 342 investidores que administram um total de US$ 7,8 trilhões em ativos, constatou que a intenção de alocar recursos em fundos de hedge com sede nos EUA em 2026 diminuiu cerca de 5% em comparação com 2025.

Em contrapartida, o interesse em fundos de hedge com sede na Ásia e na Europa aumentou aproximadamente 10% e 8%, respectivamente. O Barclays observou que esta é a primeira vez desde 2023 que o apetite dos investidores por fundos de hedge dos EUA enfraqueceu.

Sinais semelhantes surgiram entre os gestores de ativos. De acordo com uma reportagem do Financial Times, Valerie Baudson, diretora executiva da gestora de ativos francesa Amundi, afirmou que a empresa vem promovendo a diversificação de portfólio há mais de um ano e aconselhando os clientes a distribuir o risco geograficamente. Ela acrescentou que, se as atuais políticas econômicas dos EUA permanecerem inalteradas, o dólar americano poderá enfrentar uma pressão de baixa sustentada.

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Os fundos de pensão também ajustaram suas participações. Dados divulgados pelo fundo de pensão holandês ABP mostraram que o valor de mercado de suas participações em títulos do Tesouro dos EUA caiu de quase € 29 bilhões no final de 2024 para cerca de € 19 bilhões de euros em setembro de 2025. A emissora pública holandesa NOS sugeriu que a escala do declínio não poderia ser explicada apenas por movimentos de preços, o que implica reduções ativas nas participações.

Em janeiro, o maior fundo de pensões privado da Suécia, Alecta, anunciou que havia vendido gradualmente a maior parte de suas participações em títulos do Tesouro dos EUA ao longo do último ano. A AkademikerPension, da Dinamarca, também se desfez de aproximadamente US$ 100 milhões em títulos do governo estadunidense.

Investimentos passam por reequilíbrio, saindo dos EUA e migrando para Ásia e Europa

Analistas atribuem essas movimentações a uma reavaliação de múltiplas camadas de risco. Déficits fiscais elevados nos EUA, ajustes políticos em curso e atritos geopolíticos criaram um ambiente de investimento mais complexo. Em vez de se concentrarem apenas em retornos de curto prazo, os investidores estão cada vez mais considerando as incertezas estruturais.

Katarina Zakic, pesquisadora sênior do Instituto de Política e Economia Internacional da Sérvia, afirmou que a volatilidade externa se tornou uma consideração importante nas decisões de portfólio. James Thornley, consultor financeiro sênior baseado em Belgrado, observou que as preocupações com a sustentabilidade fiscal, a direção da política monetária e a potencial sobrevalorização do mercado de ações estão remodelando a lógica de investimento, levando alguns investidores a reduzir suas participações em ações de tecnologia e títulos do Tesouro dos EUA.

Marcus Berret, diretor-gerente global da Roland Berger, empresa de consultoria de gestão internacional com sede na Alemanha, disse à agência de notícias Xinhua que as instituições europeias estão priorizando a resiliência em um ambiente global incerto. As ações tomadas por vários bancos centrais, como o aumento de suas reservas de ouro, também refletem as escolhas do mercado em relação à alocação diversificada de ativos.

Jesper Rangvid, professor de finanças da Copenhagen Business School, acrescentou que até mesmo a discussão sobre a redução da exposição ao dólar pode influenciar as expectativas e a dinâmica de precificação de ativos.

Os desenvolvimentos atuais sugerem que o capital europeu está passando por um processo de reequilíbrio ponderado. No curto prazo, os investidores estão se protegendo contra a volatilidade impulsionada por políticas; no longo prazo, estão reavaliando a sustentabilidade da dependência financeira transatlântica e ampliando as alocações para a Europa e a região da Ásia-Pacífico.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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