Juros derrubam investimentos e impedem alta da produtividade

PIB cresce 2,3% em 2025, mas apenas 0,1% no final do ano, marcado pelos altos juros que derrubaram investimentos e sabotaram aumento da produtividade.

Publicado em 04/03/2026
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O Produto Interno Bruto (PIB, indicador da economia de um país) registrou crescimento de 0,1% no quarto trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior e de 1,8% em relação ao último trimestre de 2024. Em 2025, o PIB fechou em crescimento de 2,3%. Os dados foram apresentados nesta terça-feira pelo IBGE. O desempenho, especialmente no quarto trimestre de 2025, foi marcado pela queda da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete os investimentos. A principal causa é a alta taxa de juros.

“Cabe destacar que esse processo é fruto da política monetária, já que a Selic está em um patamar que dificulta muito os investimentos, encarece o custo de capital e o custo financeiro das dívidas que precisam ser roladas pelas empresas e comprime o consumo das famílias”, explica Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, em entrevista ao Monitor Mercantil.

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Questionado sobre o que seria necessário para que o PIB brasileiro cresça de forma sólida, estruturada e consistente, Rocha diz que a resposta “mais imediata para essa pergunta seria o crescimento da produtividade, que está estagnada há muito tempo”.

“Para isso, seria preciso investir, pois investimentos ampliam a escala produtiva, modernizam as plantas, compram máquinas e equipamentos mais modernos e produtivos, e aumentam a especialização dos trabalhadores. O ponto é que os investimentos dependem de um baixo custo relativo e de uma certa perspectiva de crescimento da própria economia”, analisa o professor da Unicamp.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca também a desaceleração dos componentes ligados à economia doméstica “em função do elevado nível de endividamento de famílias e empresas”.

“A despeito da queda já esperada da Selic no decorrer do ano, o grau demasiadamente elevado de alavancagem de empresas e famílias deve seguir como freio ao nível de consumo privado, que tende a ficar concentrado em itens de caráter essencial, em especial os alimentos”, afirma Pizzani, que vê espaço suficiente para o Banco Central cortar a taxa de juros Selic até 12% ao final do ano, “iniciando o ciclo com corte de 50 bps na reunião de março”.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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