
Trump, agente do caos e do mal
Presidente ameaça transformar os EUA em uma ditadura neofascista e contribuir para a Terceira Guerra Mundial.
Este artigo tem por objetivo demonstrar que Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, é um agente do caos e do mal. Donald Trump é frequentemente descrito por analistas políticos como um “agente do caos e do mal” na política interna norte-americana e na política internacional devido ao seu estilo de liderança confrontacional, imprevisível e neofascista. O papel desempenhado pelo Presidente Donald Trump é analisado neste artigo considerando duas dimensões principais: 1) Trump como agente do caos e do mal na política interna dos Estados Unidos; e, 2) Trump como agente do caos e do mal nas relações internacionais.
1. Trump como agente do caos e do mal na política interna dos Estados Unidos
Durante seu primeiro governo (2017–2021) e em sua atuação política atual como Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump promoveu mudanças profundas no sistema político dos Estados Unidos que fez com que ocorresse uma polarização extrema da sociedade norte-americana, houvesse o desencadeamento de conflitos com as instituições democráticas dos Estados Unidos e ficasse evidenciado o estilo de seu governo de tendência neofascista.
1.1- Polarização extrema da sociedade norte-americana
A polarização da sociedade norte-americana ocorreu de forma extrema devido ao discurso político agressivo de Trump contra seus adversários, a imprensa e as instituições democráticas do país, a intensificação da divisão entre democratas e republicanos, a mobilização política de Trump baseada em identidade nacionalista e ressentimento social e na perseguição contra imigrantes com o uso do organismo do governo denominado ICE (United States Immigration and Customs Enforcement - Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) que opera de forma similar à da Gestapo na Alemanha nazista, que era a brutal força policial secreta oficial da Alemanha nazista e da Europa ocupada formada em 1933 e supervisionada pela SS cujo papel era o de identificar e eliminar inimigos do regime nazista por meio de vigilância, tortura e assassinato. O ICE matou 32 pessoas sob sua custódia em 2025, o maior número em 20 anos, e prendeu quase 400 mil imigrantes. Donald Trump tem enviado desde o início de 2025, tropas da Guarda Nacional para cidades americanas governadas por democratas, como Chicago e Portland, sem o consentimento dos governadores, alegando combate à violência e imigração ilegal.
1.2- Conflitos com as instituições democráticas dos Estados Unidos
Os conflitos do governo de Donald Trump com as instituições democráticas dos Estados Unidos, intensificados desde seu retorno ao poder em 2025, incluem ataques ao Poder Judiciário, à imprensa e ao sistema eleitoral. Ele utiliza o Departamento de Justiça contra opositores, além de intervir na autonomia universitária e pressionar por políticas migratórias extremas. Os conflitos de Trump com as instituições democráticas dos Estados Unidos ocorreram, também, desde o início de 2025, porque tem enviado tropas da Guarda Nacional para cidades americanas governadas por democratas, como Chicago e Portland, sem o consentimento dos governadores, alegando combate à violência e imigração ilegal, pelo desrespeito de Trump à Constituição do país ao promover guerras, como a contra o Irã, sem consulta ao parlamento, o desencadeamento do tarifaço que afetou a economia mundial sem consulta ao parlamento, o questionamento de Trump à legitimidade das eleições presidenciais de 2020 e a tentativa de golpe de estado com o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 quando seus apoiadores invadiram o Congresso por ele incentivado.
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1.3- Estilo de governo de tendência neofascista
O estilo de governo Trump é de tendência neofascista porque busca adotar nos Estados Unidos um sistema ideológico de extrema-direita caracterizado pelo nacionalismo extremo, supressão da dissidência, culto ao líder, crença em uma hierarquia social natural e, frequentemente, com o uso da violência e do autoritarismo. Os sinais que sustentam a possibilidade dos Estados Unidos caminharem rumo a uma ditadura neofascista com Trump são: i) a erosão institucional e desprezo pelo Estado de Direito por parte de Trump; ii) a militarização e incentivo à violência política por parte de Trump; iii) o nacionalismo extremo e culto ao líder Trump; iv) o controle político da economia e dos meios de comunicação por parte de Trump; v) o enfraquecimento do pluralismo e das liberdades civis nos Estados Unidos; vi) o Plano Project 2025 para a implantação de um governo autoritário sob a liderança de Trump; vii) a instrumentalização por Trump das forças de segurança como ferramenta política para confrontar estados democratas e ampliar seu poder presidencial; viii) o domínio do Poder Judiciário por Trump; ix) a tentativa de Trump para se manter ilegalmente no poder; x) a vingança de Trump contra seus oponentes políticos; e, xi) a transformação do Pentágono de Departamento de Defesa para Departamento de Guerra.
2. Trump como agente do caos e do mal nas relações internacionais
No cenário internacional, Trump rompeu com várias tradições da política externa dos Estados Unidos com a implementação de medidas que levaram à ruptura dos Estados Unidos com acordos internacionais, a erosão da ordem liberal internacional e o incremento da ação imperialista dos Estados Unidos globalmente.
2.1- Ruptura dos Estados Unidos com acordos internacionais
O governo Trump retirou os Estados Unidos de importantes acordos multilaterais, como o Paris Agreement sobre mudanças climáticas, o Joint Comprehensive Plan of Action com o Irã e a World Health Organization (Organização Mundial de Saúde), Essas decisões são interpretadas como sinais de retração do multilateralismo norte-americano.
2.2- Erosão da ordem liberal internacional
Desde o fim da Guerra Fria em 1991, os Estados Unidos lideravam uma ordem internacional baseada em alianças, instituições multilaterais e comércio global. A política atual do governo Trump enfraqueceu esse modelo. O governo Trump adotou uma abordagem de “America First”, caracterizada pela adoção de guerras comerciais e do tarifaço contra todos os países, especialmente contra a China, e pela tensão com aliados tradicionais na OTAN.
2.3- Incremento da ação imperialista dos Estados Unidos
A ação imperialista dos Estados Unidos durante o atual governo Trump está ocorrendo com: a) a intervenção militar na Venezuela e o sequestro do Presidente Nicolás Maduro que levou à transformação da Venezuela em país vassalo dos Estados Unidos; b) a guerra contra o Irã encetada em conjunto com Israel ainda em curso com possibilidade de evoluir para uma guerra no Oriente Médio e o desencadeamento da Terceira Guerra Mundial; c) a ameaça de anexação da Groenlândia; d) a ameaça de transformação do Canadá em estado dos Estados Unidos; e) a ameaça de intervenção militar em Cuba; f) a adoção da Doutrina Monroe (América para os americanos que significa transformar os países do continente americano em vassalos dos Estados Unidos); g) a instabilidade geopolítica global com o envolvimento da China e da Rússia em apoio ao Irã no combate ao imperialismo norte-americano; e, h) o enfraquecimento da ONU e dos mecanismos de governança global com a criação de um “Conselho de Paz” que não tem outro propósito senão o de colocar Trump como mediador de conflitos internacionais como já faz na guerra entre Rússia e Ucrânia.
As ações imperialistas mais flagrantes dos Estados Unidos até o presente momento sob Trump ocorreram com a intervenção militar na Venezuela que resultou no sequestro do Presidente Nicolás Maduro e na transformação da Venezuela em um país vassalo dos Estados Unidos e a ação militar em curso contra o Irã ao lado de Israel que é um acontecimento de extrema gravidade porque significa uma violação flagrante do direito internacional que, segundo a Carta das Nações Unidas, proíbe o uso da força de um Estado contra outro Estado nacional, exceto em legítima defesa após um ataque real ou iminente, ou com autorização do Conselho de Segurança da ONU, condições que não estão sendo satisfeitas neste caso. Além de violar o direito internacional, esta ação militar do governo Donald Trump contra o Irã sem autorização específica do Congresso dos Estados Unidos ou sem uma base de legítima defesa violam a Constituição americana.
- Conclusão
Pelo exposto, não há dúvidas de que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um agente do caos e do mal porque ameaça transformar os Estados Unidos em uma ditadura neofascista e, ao criar instabilidade global, contribuir para o desencadeamento da Terceira Guerra Mundial. Diante deste cenário catastrófico protagonizado por Donald Trump, é preciso que nos Estados Unidos as forças democráticas e antifascistas se unam para exigir do Congresso americano o impeachment de Trump a fim de evitar que seu país se transforme em uma ditadura neofascista e, no plano mundial, os povos e governos dos países amantes da paz se articulem para barrarem a ação imperialista de Trump e reestruturarem urgentemente a ONU a fim de que ela seja fortalecida para agir em defesa da paz mundial. A ONU precisa ser reestruturada para se constituir em Governo mundial, Parlamento mundial e Corte Suprema mundial que teriam como principal objetivo mediar os conflitos internacionais a fim de evitar guerras localizadas e guerras de natureza global. Com esta nova configuração da ONU, o Conselho de Segurança seria abolido, a Assembleia Geral seria transformada em Parlamento Mundial e a Corte Internacional de Haia seria transformada em Corte Suprema Mundial.
* Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).
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